21.6.05

Agir ou não agir

Hamlet é o exemplo perfeito do sujeito que vacila no seu acto porque sabe, lá no fundo, que é ele mesmo o visado.

Perante os recentes acontecimentos na área da grande Lisboa e não só (arrastões nas praias, crimes, onda de de assaltos, etc.) e a reacção hesitante das entidades competentes (governo, polícicia, etc.), fiquei a pensar: porque há este sentimento geral de que a resposta dada por parte destas entidadesé sempre vacilante, como se houvesse uma culpa "inconsciente" a tolher os passos, as decisões, e a impedir de agir?

Só vacila quem se sente, de alguma forma, dividido, culpado.

O que é certo é que a ausência de uma resposta adequada, justa, por quem de direito só pode levar a que cresçam as respostas fora-da-lei (vejam-se as milícias, o recrudescimento de grupos de extrema direita) com consequências, no mínimo, imprevisíveis.

É preciso responder à altura, agir sem vacilar.

Negros, brancos, mulatos, claros, escuros, etc., são todos iguais - na sua diferença - perante a lei. Por isso, devem ser tratados de forma igual. Ao "desculpar" um delito a este ou àquele devido à cor da pele, é a primeira forma de "racismo" e discriminação. Ao desculpar os jovens porque...são jovens é o primeiro floco para a bola de neve.

Não se trata de "desculpar" o sujeito, seja ele qual for, porque, antes de mais, somos todos culpados. Ao menos, "no inconsciente".

1 comentário:

Alexandra Lúcio disse...

Como gostaria que os nossos governantes tivessem a noção do que se passa no terreno e o discernimento que demonstras no teu texto.
Uma verdadeira atopia...