21.7.10

Mais real que a própria realidade

Tendemos ainda, porventura, a pensar a Internet como um apêndice ou uma espécie de anexo ao mundo real. Dizemos "virtual" como quem diz "aparente". Uma espécie de véu encobrindo a nudez da própria coisa. Um novo manto de Noé.

E se, não obstante, o "virtual" fosse tão ou mais "real" que a própria realidade que pisamos todos os dias com os nossos pés e vestimos com a nossa fantasia? E se a Internet fosse, hoje, a divisão principal da casa e a realidade - lá fora - um simples anexo?

Fala-se já de novas patologias ligadas ao abuso da Internet, mas também de (novas) terapias que recorrem cada vez mais ao seu uso.

X. fica angustiado cada vez que pensa abrir o email após um fim de semana "desligado"; Y não consegue deixar de pensar no que haverá no email de urgente para resolver, mesmo quando está "desligado". Z. fica inibido quando abre o email e se depara com um sem número de coisas urgentes para resolver...ontem.

Exemplos de novas formas de inibição, sintoma e angústia na era da Internet.

Não é Freud, porventura, que carece de um upgrade, mas a Internet que o torna cada vez mais updated. 

4 comentários:

Inês disse...

Há quem diga que a Internet aproxima os que estão longe e afasta os que estão perto.

Filipe Pereirinha disse...

Muito bem dito!

jwcl disse...

Mas, de fato, o que é o real? O hinduísmo- não que com ele eu concorde- acredita que a nossa existência é uma ilusão, estar no mundo(maia) não é o essencial. Mas ao estar no mundo nos apresentamos como realmente somos ou o que somos é o que apresentamos ser?

sãoliveira disse...

É tão bom poder dizer olá a alguém que não podemos ver... Como para tudo, ou quase, também neste novo mundo o segredo é, a meu ver, a justa medida, não será?
Um abraço.