15.5.08

Pequenas vitórias

O preço do petróleo não pára de aumentar. No entanto, a diferença entre o "dólar" e o "euro" também não tem parado de aumentar. Por isso, o aumento do petróleo deveria ser de alguma forma atenuado graças a esta diferença. Não é, porém, o que tem acontecido.

A "lei do mercado" revela aqui a sua face real: sem lei. O mercado não tem lei, a não ser aquela que lhe impõem os especuladores. Uma lei insensata, selvagem, que parece não ter limites. Estamos aqui em pleno reino do "simulacro" (Baudrillard) ou do "semblant" (Lacan).

O paradoxo é que este reino do "simulacro", de especulação generalizada em que vivemos desde há alguns anos, tem consequências bem reais. Em vez de se opor ao real, é ele mesmo que o produz. Todos os dias lhe sentimos os efeitos...

O que fazemos nós, perante isso? Andamos preocupados com a questão de saber se o primeiro ministro fumou ou não fumou numa viagem que fez a Caracas e sentimo-nos confortados quando ele pede desculpa pelo facto.

Pequenas vitórias, imaginárias, de quem perdeu a capacidade de agir no real?

Fumo...

4.4.08

A fórmula do sucesso



Df= (M+P)/N
A onda "positivista" que varre o mundo, do "homem sem qualidades" (Musil), quantitativa e quantificável, tem em Portugal os seus representantes. Uma boa introdução é o livro do sr. Secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, intitulado "O Critério do Sucesso", dissecado por Maria Filomena Mónica, num texto de que apresento, a seguir, alguns extractos, sem outro comentário:

"(...)
"Chegada aqui, deparei-me com uma problema: como saber o que pensa do mundo este senhor? Depois de buscas por caves e esconsos, descobri um livro seu, O Critério do Sucesso: Técnicas de Avaliação da Aprendizagem. Publicado em 1986, teve seis edições, o que pressupõe ter sido o mesmo aconselhado como leitura em vários cursos de Ciências da Educação. Logo na primeira página, notei que S. Excia era um lírico. Eis a epígrafe escolhida: "Quem mais conhece melhor ama." Afirmava seguidamente que, após a sua experiência como formador de professores, descobrira que estes não davam a devida importância ao rigor na "medição" da aprendizagem. Daí que tivesse decidido determinar a forma correcta como o docente deveria julgar os estudantes. Qualquer regra de bom senso é abandonada, a fim de dar lugar a normas pseudocientíficas, expressas num quadrado encimado por termos como "skill cognitivos". Navegando na maré pedagógica que tem avassalado as escolas, apresenta depois várias "grelhas de análise". Entre outras coisas, o docente teria de analisar se o aluno "interrompe o professor", se "não cumpre as tarefas em grupo" e se "ajuda os colegas". Apenas para dar um gostinho da sua linguagem, eis o que diz no subcapítulo "Diferencialidade": "Após a aplicação do teste e da sua correcção deverá, sempre que possível, ser realizado um trabalho que designamos por análise de itens e que consiste em determinar o índice de discriminação, [sic para a vírgula] e o grau de dificuldade, bem como a análise dos erros e omissões dos alunos. Trata-se portanto, [sic de novo] de determinar as características de diferencialidade do teste." Na página seguinte, dá-nos a fórmula para o cálculo do tal "índice de dificuldade e o de discriminação de cada item". É ela a seguinte: Df= (M+P)/N em que Df significa grau de dificuldade, N o número total de alunos de ambos os grupos, M o número de alunos do grupo melhor que responderam erradamente e P o número de alunos do grupo pior que responderam erradamente. O mais interessante vem no final, quando o actual secretário de Estado lamenta a existência de professores que criticam os programas como sendo grandes demais ou desadequados ao nível etário dos alunos. Na sua opinião, "tais afirmações escondem muitas vezes, [sic mais uma vez] verdades aparentemente óbvias e outras vezes "desculpas de mau pagador", sendo difícil apoiá-las ou contradizê-las por não existir avaliação de programas em Portugal". Para ele, a experiência dos milhares de professores que, por esse país fora, têm de aplicar, com esforço sobre-humano, os programas que o ministério inventa não tem importância. Não contente com a desvalorização do trabalho dos docentes, S. Excia decide bater-lhes: "Em certas escolas, após o fim das actividades lectivas, ouvem-se, por vezes, os professores dizer que lhes foi marcado serviço de estatística. Isto é dito com ar de quem tem, contra a sua vontade, de ir desempenhar mais uma tarefa burocrática que nada lhe diz. Ora, tal trabalho, [sic de novo] não deve ser de modo nenhum somente um trabalho de estatística, mas sim um verdadeiro trabalho de investigação, usando a avaliação institucional e programática do ano findo." O sábio pedagógico-burocrático dixit. O que sobressai deste arrazoado é a convicção de que os professores deveriam ser meros autómatos destinados a aplicar regras. Com responsáveis destes à frente do Ministério da Educação, não admira que, em Portugal, a taxa de insucesso escolar seja a mais elevada da Europa. Valter Lemos reúne o pior de três mundos: o universo dos pedagogos que, provindo das chamadas "ciências exactas", não têm uma ideia do que sejam as humanidades, o mundo totalitário criado pelas Ciências da Educação e a nomenklatura tecnocrática que rodeia o primeiro-ministro." (Maria Filomena Mónica)

18.3.08

Aquiles e a tartaruga

Segundo o velho pensador Zenão de Eleia, num dos seus famosos paradoxos, o mais rápido corredor da Grécia, Aquiles, jamais poderia alçançar um animal tão lento como a tartaruga.

O seu argumento para tão inverosímil conclusão era o seguinte: Aquiles nunca poderia alçançar a tartaruga, porque na altura em que atingisse o ponto de onde a tartaruga partira, ela ter-se-ia deslocado para outro ponto; na altura em que alçançasse esse segundo ponto, ela ter-se-ia deslocado de novo; e assim sucessivamente ad infinitum (Kirk e Raven).

Independentemente das explicações matemáticas para semelhante paradoxo (e é verdade que matemáticos famosos lhe dedicaram a atenção), interessa-me a teoria do espaço que está aqui implícita: a de que ele é infinitamente divisível. Ou seja, entre um ponto A e um ponto B, há uma tal infinidade de pontos, de passos, de distâncias... que, no limite, não há movimento. É esse, aliás, o objectivo de Zenão: demonstrar que todo o movimento é ilusório.
O actual modelo de avaliação dos professores (ensinos básico e secundário) é de tal forma "burocratizado", implicando uma infinidade de pontos, passos, distâncias, procedimentos, normas... para chegar ao ponto B (se chamarmos assim ao ensino-aprendizagem) que se revela uma perfeita demonstração do paradoxo de Zenão: mesmo quando parece que se está a mexer, que se corre muito de um lado para o outro, o que existe, na prática, é a imobilidade.

A burocracia imobiliza o desejo. Onde medra a norma, a ética definha.

E, no entanto, para alguns, trata-se apenas de transpor o limiar do ADMIRÁVEL MUNDO NOVO.




6.3.08

Música ambiente

Ela: "Como consegues estar em casa sem música?"

Eu: "Desligo o rádio para ouvir... a música ambiente".

É verdade que sem música, como dizia Niezsche, a vida seria insuportável. O que acontece é que nos habituámos de tal forma à música "instrumental" que nos esquecemos de que a própria natureza nos "dá" música. Claro: nós damos-lhe o ouvido e a predisposição.

Há momentos em que me canso de ouvir Mozart(eu que gosto tanto de Mozart), de ouvir Bach(mesmo que me encha a alma) ou até Messiaen (que procurou imitar o canto dos pássaros).

Há momentos em que prefiro mesmo ouvir os pássaros. Se não não há pássaros em volta, oiço o vento que brisa ou que sopra. Nestes últimos dias, o vento tem soprado muito. Se não há vento, há outros ruídos. O mundo está cheio de sons e ruídos diversos.

Como o carteiro de Pablo Neruda, que "colheu", da natureza, alguns sons para enviar ao poeta, ou John Cage, que fez silêncio por alguns minutos, para que se ouvisse o som ambiente, ou Erik Satie, que elevou o "intervalo" à dignidade da música... eu desligo, às vezes, o rádio ou o CD para escutar a música ambiente.

E não me refiro, como é óbvio, à música criada com esse nome, a qual é apenas uma tela a mais, encobridora, para que não possamos escutar... a verdadeira música ambiente.

Claro que, outras vezes, também me canso da música ambiente...

29.2.08

Professores sem qualidade

Tem havido, no discurso sobre a a avaliação do desempenho dos professores, uma insistência no "mérito". O mérito é uma "qualidade".

Acontece, porém, que vivemos hoje na era do "homem sem qualidades", para usar a expressão que deu título ao famoso romance de Robert Musil: um romance a que o escritor dedicou quase 30 anos de sua vida e que ficou inacabado.

O Homem sem qualidades é a alegoria da modernidade: o triunfo da razão numérica, a tentativa de reduzir a complexidade do real ao matema.

Quando se pretende casar o matema (sem qualidade) com o mérito (uma qualidade), o resultado é a"retórica da avaliação": só têm qualidade aqueles que preencherem determinados parâmetros quantitativos.

A consequência (previsível) é o imobilismo burocrático: a morte do desejo. À "histerização" dos professores (que se queixam cada vez mais), vai suceder - se me permitem o termo - uma "obsessivação".

Numa completa alienação ao pedido e à exigência do Outro (esmagados pela máquina burocrática da avaliação), os professores vão esquecer o desejo que os move: ensinar.

Mas que desejo é esse?

2.2.08

As teias da lei

A Propósito de algumas críticas que têm surgido de vários quadrantes relativamente à actuação da ASAE, a resposta tem sido, de uma forma geral, a seguinte: "limitamo-nos a fazer cumprir a lei".

Fazer cumprir a lei e legislar profusamente (veja-se, por exemplo, o furor legislativo que tem inundado, nos últimos tempos, como um autêntico dilúvio, a educação, designadamente no que concerne à avaliação dos professores) parecem ser uma clara aposta deste governo.

A lei é uma forma de lidar com os excessos do real: ordenando-os, limitando-os, confinando-os, uniformizando-os, normalizando-os. Como todos os mantos, ela não cobre todo o real e deixa sempre algo a descoberto. Por isso, é necessário continuar a legislar cada vez com maior intensidade e desaforo: remendando, acrescentando, corrigindo, adendando...até à exaustão

A tal ponto que, a certa altura, somos levados a perguntar se a lei, em vez de limitar ou reduzir os excessos do real, não será ela mema o próprio excesso, o excesso fundamental...

Eis onde o direito confina com a psicanálise.

10.1.08

Dualismos

Parece que no seguimento de um conjunto de escândalos que têm abalado nos últimos tempos o meio financeiro português, em particular no domínio dos grandes bancos, a questão se coloca cada vez mais em termos de uma lógica dual do tipo: ou eu ou tu.

"Luta de puro prestígio", como diria Hegel, trata-se de saber quem detém os cordelinhos do poder: se a"Opus Dei" ou a "Maçonaria".

Não andamos todos um poucos fartos deste jogo do tipo Benfica-Sporting? Desta matemática simplista que começa e acaba no número dois?

É preciso aprender a contar a partir do número três. A saber, usando as mesmas cordas, dar outros nós.

8.1.08

Dar tempo ao tempo

Há uma experiência mais ou menos trivial, a que tive a ocasião de assistir ainda recentemente, que consiste no seguinte: alguém faz uma pergunta a uma criança e, se ela não responde logo e com presteza, fazendo por assim dizer um compasso de espera (que bonita expressão para medir o incomensurável do tempo!), os adultos - ou alguns adultos, para ser justo - apressam-se a responder por ela, como se não suportassem aquele momento de silêncio, de vazio, que faz ex-sistir o tempo enquanto...tempo.

Na verdade, é ainda o "horror do vazio", da não resposta, do silêncio o que angustia aqui estes adultos. O silêncio faz surgir um sujeito não completamente objectivável (por exemplo a criança que não responde logo), mas que gostaríamos de reduzir a um objecto (um alter ego nosso, que falasse como nós, segundo o mesmo compasso).

Não é tanto o silêncio dos espaços infinitos, como diria Pascal, o que aí nos incomoda, mas a possibilidade de que esse silêncio fale, por assim dizer, que diga algo...que não gostaríamos de ouvir. O silêncio incomoda porque ele, em vez de ser uma ausência de fala, é uma das suas formas mais eloquentes. Só aquele que tem o dom da fala, tem, igualmente, o dom do silêncio.

Experimentemos, então, não encher apressadamente o vazio que o silêncio cava no tempo. Demos tempo...ao tempo! E, já agora, às crianças que não respondem logo e traçam um compasso de espera...

23.12.07

Precisamos do vazio para respirar

Aqui há uns anos, uma das personagens do filme "Contacto" (baseado na obra homónima de Carl Sagan), perguntava - e cito de cor - para quê tanto espaço se não há mais vida inteligente para além da que existe no planeta terra?

A pergunta, que surge sob a forma de argumento (visando provar a necessidade de admitir, como hipótese racionalmente legítima, a existência de vida extraterrestre), releva, na verdade, de um típico "horror do vazio" que caracteriza, nomeadamente, a civilização ocidental. O homem ocidental é, basicamente, alguém que não sabe o que fazer, ou como fazer, com o vazio.

O espaço é, deste modo, concebido como algo que tem de ser conquistado, preenchido, colonizado. De preferência, com seres criados à nossa imagem e semelhança, mesmo quando diferentes. Desse ponto de vista, causa impressão e vertigem que haja tanto espaço vazio.

É neste contexto que fazem sentido (um sentido novo, como só os poetas são capazes) as palavras que tive a felicidade de escutar recentemente de um grande pensador e "amigo dos poetas", Eduardo Lourenço, num dos encontros subordinados ao tema "Café com Letras", que decorre uma vez por mês, salvo erro, na Biblioteca Municipal de Loures, e onde onde já estiveram igualmente outros grandes escritores, tais como Saramago ou Lobo Antunes, para referir apenas dois.

A certa altura, Eduardo Lourenço pediu aos assistentes que imaginassem o que aconteceria se de repente soubéssemos que o espaço acima da nossa cabeça tinha, por exemplo, um limite de 100, 1000, ou até mesmo 10000 Km, ou seja, que estávamos, literalmente, confinados a uma redoma.

A esta pergunta, respondeu o autor: teríamos dificuldade em respirar. Precisamos de todo o espaço do mundo, do cosmos, do infinito, para respirar bem.

Mesmo se poética, esta resposta não deixa de ser um belo contraponto à visão "americana" (e redutora) do espaço, vinda de alguém que já tem idade suficiente para brincar com a sua própria vida: "pertenço à geração, disse ele, dos que nunca mais acabam de morrer". Naturalmente, esta pequena ironia provocou uma gargalhada geral.

Que belo presente de Natal!

12.12.07

A importância da caixa

Num filme de 1994, "A Caixa", o conhecido cineasta Manoel de Oliveira mostra como uma simples caixa de esmolas pode ser o núcleo central e desencadeador de toda uma série de situações e acontecimentos.

Não me proponho recordar este filme. Simplesmente, ao ouvir, hoje, numa reunião de encerrramento das actividades lectivas, para a celebração do Natal, o educador do meu filho (alguém com ideias apararentemente lúcidas e bem arrumadas), dizer algo sobre as caixas de brinquedos, veio-me à memória este filme de Oliveira.

Dizia ele que os pais deveriam preocupar-se com o tipo de brinquedos que davam aos seus filhos, nesta época de Natal, uma vez que, mal aberta a "caixa", rapidamente o entusiasmo inicial pelo brinquedo desaparecia. O seu pensamento procurava vincar a ideia de que não vale a pena oferecer brinquedos muito caros ou sofisticados se todos eles estão condenados a ter uma vida efémera nas mãos das crianças. Mais vale, por isso, usar a imaginação e oferecer brinquedos porventura mais simples, mas com um efeito mais duradouro e imaginativo.

Tem razão, a meu ver, no essencial do que disse. Só faltou acrescentar o seguinte: em última análise, todos os brinquedos, do mais simples ao mais complexo, são indiferentes, porque aquilo que conta mais, para uma criança, não é tanto o brinquedo em si, mas antes o gesto e o momento de...abrir a caixa: aquele lapso de tempo, que pode ser mais ou menos demorado - pois não tem a ver com o tempo dos relógios -, em que tudo é ainda possível. Quando se abre a caixa, em vez da "coisa" esperada, o que se obtém é sempre pouco, apenas mais um "objecto" entre objectos. O efeito da "surpresa", como perceberam algumas marcas consagradas, resulta desse "tempo lógico" da abertura da caixa ou de um envólucro semelhante. Veja-se o caso, por exemplo, dos famosos "kinder surpresa": mais importante do que aquilo que acaba por ser aí colocado (sempre uma coisa de nada), é o facto de "isso" estar envolto em..mistério.

É por isso que a avó do anúncio (como se fosse outra vez criança) tem mais razão que o neto que lhe oferece um presente quando diz: "Uma caixa com um laço; obrigado, netinho". Claro que o neto também tem razão quando acrescenta: "Ó avó, tem de abrir a caixa!" Mesmo querendo dizer outra coisa, ambos dizem o essencial: fechada ou aberta, o importante é a caixa.

11.12.07

O riso de Saramago

Segundo uma afirmação recorrente do próprio, o conhecido Nobel da literatura , José Saramago, "não tem um riso fácil", sem que isso signifique, de modo algum, que não se emocione.

Foi a este propósito que eu o ouvi mais uma vez, um dias destes, num programa de rádio, repetir algo sobre a actual educação das crianças: toda ela parece apostada em fazer desaparecer a tristeza quanto antes. Ao primeiro sinal de tristeza, é preciso fazer algo: calar sem escutar o que ela tem a dizer, sem dar tempo.

Na verdade, é também de uma relação com o tempo que aqui se trata : não há tempo para escutar, por isso se (re)produzem e tomam em abundância, para gáudio das empresas farmacêuticas, pequenas pílulas mágicas, cada vez mais disseminados tanto por adultos como por jovens e, até, por crianças.

Um dos paradoxos é que, em vez de apaziguar a tristeza, uma tal postura parece estar a transformar-se, pelo contrário, numa bola de neve que vai arrastando tudo o que encontra pelo caminho.

É verdade que já os antigos diziam que a tristeza (a acédia) é um pecado; mas não seria de equacionar igualmente que o "riso fácil" (que se tenta promover a todo o custo) é, hoje, um pecado ainda maior?

Com efeito, na era do simulacro generalizado em que vivemos, a tristeza é, para alguns, uma das poucas formas de aceder, de tocar no "real". Consigam eles tirar partido disso.