<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512</id><updated>2012-02-09T22:18:48.321Z</updated><title type='text'>@topia</title><subtitle type='html'>"Não há clínica do sujeito sem clínica da civilização" (Jacques-Alain Miller)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>374</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-8101389105722283453</id><published>2012-01-30T18:08:00.001Z</published><updated>2012-01-30T19:03:06.290Z</updated><title type='text'>A autoridade de Freud</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-LZFFV4Rj1ko/TybcdeNFkvI/AAAAAAAAAkA/_VDv-kBIa9k/s1600/399126.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="128" src="http://3.bp.blogspot.com/-LZFFV4Rj1ko/TybcdeNFkvI/AAAAAAAAAkA/_VDv-kBIa9k/s200/399126.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O último filme de David Cronenberg, &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=pjyP9DjUdVk"&gt;&lt;i&gt;Um Método Perigoso&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, está longe, a meu ver, de conseguir ombrear com outras obras maiores do realizador. De todos os seus filmes, talvez seja este o que menos me entusiasmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na altura em que Freud inventou o "método" que Jung iria pôr à prova na sua jovem paciente (e amante) Sabina Spielrein (Keira Knightley), o "perigo" advinha da ligação entre o "sintoma" e a "sexualidade". Após um século de "talking cure" ("Um Método Perigoso" é baseado na peça "The Talking Cure", do dramaturgo e argumentista inglês Christopher Hampton) e de progressiva exposição e banalização da sexualidade, onde reside o "perigo"? Será ainda a "cura pela palavra" um método suficientemente "perigoso"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se este não é, de longe, o filme mais bem conseguido de David Cronenberg, ele está, no entanto, recheado de pormenores interessantes. Eu diria até que o mais interessante está nos detalhes (o que não deixa de ser psicanaliticamente ajustado) e não no todo. E um dos detalhes prende-se com com uma questão bastante atual e comentada: a &lt;i&gt;autoridade. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderíamos resumir o nosso tempo através de um paradoxo: ao mesmo tempo que não paramos de destituir ou revelar as fraquezas das "autoridades" constituídas, lamentamos a autoridade perdida e sonhamos com mais "autoridade". Mas o que é a "autoridade"? Como se ganha ou se perde a autoridade? É nisto que um pormenor do filme de Cronenberg é assaz revelador. A certa altura, quando Jung, após ter contado um sonho a Freud, que este interpretou, lhe pede o troco, ou seja, que ele interprete por sua vez&amp;nbsp; o sonho que tivera, Freud recusa, dizendo que teria para tal de entrar em confidências íntimas que lhe fariam perder a "autoridade".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma "denegação", para usar um termo do próprio Freud". Ao dizer que &lt;i&gt;não &lt;/i&gt;entra em mais pormenores&lt;i&gt; &lt;/i&gt;para não perder a autoridade (de pai?) sobre Jung, de certa forma, ele já começou a perdê-la. O elo que os liga, como sabemos, começará progressivamente a romper-se de forma inexorável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freud mostra, contra a sua vontade, que a autoridade é da ordem da aparência (do "semblant", como diria Lacan) e não do real. Mesmo se, como poderíamos dizer, é uma aparência necessária. Por isso, a autoridade tem pés de barro. Eis uma das razões por que na sociedade da "transparência" em que vivemos, já não se respeita mais - ou cada vez mais se respeita menos - "a autoridade" das autoridades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas será a via da autoridade (do pai) o &lt;i&gt;método &lt;/i&gt;da psicanálise ou, como nos ensinou Lacan, a via do &lt;i&gt;sintoma?&lt;/i&gt; Do sintoma próprio a cada um. Do sintoma onde reside o &lt;i&gt;perigo&lt;/i&gt; e, ao mesmo tempo, o que nos mantém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse ponto de vista, se Freud é ainda hoje uma referência, porventura uma bússola, não é porque ele tenha ocultado a Jung os pormenores de um sonho (para manter a autoridade), mas porque não abriu mão do seu &lt;i&gt;sintoma &lt;/i&gt;(a psicanálise). O que é &lt;i&gt;perigoso&lt;/i&gt;, hoje, é não abrir mão&amp;nbsp; da singularidade do sintoma (de cada um) na era da avaliação, do questionário, da média estatística (se pode medir-se, logo existe), enfim, da uniformização ou catalogação dos nossos (des)arranjos. O método continua a representar um &lt;i&gt;perigo&amp;nbsp; &lt;/i&gt;que muita gente gostaria de eliminar de vez. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-8101389105722283453?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/8101389105722283453/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=8101389105722283453' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8101389105722283453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8101389105722283453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2012/01/autoridade-de-freud.html' title='A autoridade de Freud'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-LZFFV4Rj1ko/TybcdeNFkvI/AAAAAAAAAkA/_VDv-kBIa9k/s72-c/399126.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-918438388165400551</id><published>2012-01-24T16:46:00.000Z</published><updated>2012-01-24T17:00:19.878Z</updated><title type='text'>Ler para crer</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-I6nsO59YrUM/Tx7ecBD8uEI/AAAAAAAAAj4/V3HSVtwmq4M/s1600/9789722124591.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-I6nsO59YrUM/Tx7ecBD8uEI/AAAAAAAAAj4/V3HSVtwmq4M/s200/9789722124591.jpg" width="130" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Gonçalo M Tavares é um dos mais profícuos escritores portugueses da atualidade. A par de uma obra já vasta, mesmo se o escritor é ainda bastante jovem, ele vem percorrendo &lt;i&gt;veredas&lt;/i&gt; - parafraseando Guimarães Rosa - que primam por um olhar absolutamente inédito e singular&lt;i&gt;. &lt;/i&gt;Cada um dos seus livros (uns mais que outros, naturalmente) faz-nos &lt;i&gt;reparar &lt;/i&gt;(isto é, parar demoradamente) na "ordem" e "desordem" característicos do mundo contemporâneo e, nomeadamente, do século XXI. O que é isto de estar a viver num mundo e num tempo de onde os deuses se retiraram e os homens e as mulheres procuram em vão fazer-se ouvir por entre o ruído acelerado e barulhento da &lt;i&gt;máquina&lt;/i&gt;? Que coisa é esta de estar a viver num tempo onde a alma cedeu o lugar à "tabuada"? Será possível re-&lt;i&gt;aprender a rezar na era da técnica&lt;/i&gt;? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho acompanhado o trajeto deste escritor sempre com um grande interesse e entusiasmo. Talvez devido à minha formação filosófica, gosto de pensar que a escrita, ao mesmo tempo que é uma máquina de &lt;i&gt;bem escrever&lt;/i&gt;, também poderia ser concebida como uma máquina de &lt;i&gt;bem pensar&lt;/i&gt;. Os livros de Gonçalo M Tavares são, a meu ver, ambas as coisas: ele pensa bem enquanto bem escreve.Não que o pensamento seja uma espécie de &lt;i&gt;caminho &lt;/i&gt;prévio que oriente a escrita (Gonçalo M Tavares é alguém que diz escrever &lt;i&gt;instintivamente&lt;/i&gt;, sem pensar), mas antes que a escrita, no seu caminhar, vai desbravando um caminho possível ao pensamento. Há muitos outros escritores portugueses atuais que escrevem igualmente bem, mas nenhum me parece ter assumido, tão &lt;i&gt;à letra&lt;/i&gt; e de forma tão lúcida e consistente, a nova &lt;i&gt;(des)ordem &lt;/i&gt;em que vivemos e que urge aprender a ler . A maior parte dos escritores, de um modo ou de outros, continua a navegar por mares já dantes navegados, parafraseando Camões; daí que nem todos os leitores queiram embarcar neste barco que parece tão pouco seguro e, por vezes, tão difícil de &lt;i&gt;situar&lt;/i&gt;. Afinal, onde estamos nós, hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a escrita de Gonçalo M Tavares nos faz &lt;i&gt;reparar &lt;/i&gt;(palavra-&lt;i&gt;nó&lt;/i&gt; onde se atam diversos sentidos) é porque ela é concebida ao mesmo tempo como &lt;i&gt;máquina de lentidão &lt;/i&gt;(que procura desacelerar o tempo acelerado do mundo), como &lt;i&gt;olhar &lt;/i&gt;(que revela o que tende a ficar invisível sob a luz dos holofotes que iluminam o presente) e como &lt;i&gt;conserto&lt;/i&gt; (como arranjo possível, contingente, a inventar...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por detrás de tudo isto há a escrita, a letra. O escritor é, antes de mais - é preciso não esquecer - alguém que escreve, que junta letra a letra, como o construtor junta tijolo a tijolo, para construir palavras. Juntando palavra a palavra, ela faz um texto, como o construtor levanta um muro, uma parede. Encadeando textos entre si, ele faz um livro, como o construtor faz uma casa. As &lt;i&gt;ligações &lt;/i&gt;dos livros (ou de certos livros) entre si dão progressivamente origem a uma &lt;i&gt;obra, &lt;/i&gt;como o construtor vai construindo um &lt;i&gt;bairro&lt;/i&gt;, uma cidade, o mundo.&amp;nbsp; E a certa altura, aquele que lê, que é suposto ler, já não lê (palavras, frases..), mas vê. A escrita torna-se invisível, melhor, transparente, e o leitor vê apenas a casa, o bairro, o quotidiano de um mundo que ficou demasiado absurdo para acreditar. Como se o escritor fosse um ilusionista que faz acreditar ao leitor que não está apenas a ler histórias, mais ou menos &lt;i&gt;curtas&lt;/i&gt;, mas a ver&lt;i&gt; pequenos filmes&lt;/i&gt; (&lt;a href="http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=16903"&gt;Short Movies&lt;/a&gt;). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não penses, Vê!", diz o escritor. Mas não é este precisamente o perigo, o imperativo que hoje, na era do &lt;i&gt;olho absoluto &lt;/i&gt;(&lt;a href="http://www.franceculture.fr/oeuvre-l-oeil-absolu-de-g%C3%A9rard-wajcman.html"&gt;Wajcman&lt;/a&gt;) nos comenda a todos: &lt;i&gt;Não penses, vê&lt;/i&gt;!? A ilusão, a miragem que nos faz esquecer, como o escritor sabe tão bem, que por detrás do fascínio das imagens, é a escrita, cada vez mais impessoal, automatizada, da &lt;i&gt;máquina&lt;/i&gt; que vai traçando o nosso destino? Uma escrita acelerada que nenhuma &lt;i&gt;máquina de lentidão &lt;/i&gt;parece já conseguir travar... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-918438388165400551?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/918438388165400551/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=918438388165400551' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/918438388165400551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/918438388165400551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2012/01/ler-para-crer.html' title='Ler para crer'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-I6nsO59YrUM/Tx7ecBD8uEI/AAAAAAAAAj4/V3HSVtwmq4M/s72-c/9789722124591.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-5559381558990879182</id><published>2012-01-17T15:30:00.000Z</published><updated>2012-01-17T15:33:44.107Z</updated><title type='text'>A (des)ordem simbólica no século XXI</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-2vabGzPSN4o/TxWTUI21UwI/AAAAAAAAAjw/xID-1BgoXCU/s1600/Capture.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-2vabGzPSN4o/TxWTUI21UwI/AAAAAAAAAjw/xID-1BgoXCU/s200/Capture.JPG" width="147" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O que uns chamam "fim dos tempos" (ou em certas profecias " fim do mundo), outros denominam " a nova ordem simbólica".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ordem simbólica, no século XXI, já não é o que era: tornou-se mais frágil, mais contingente. Tal facto não deixa de ter consequências a vários níveis, tanto no que concerne aos grandes referentes tradicionais (que perderam entretanto peso e eficácia), como aos modos de fazer face ao mal-estar individual e coletivo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pode hoje &lt;i&gt;orientar-nos, &lt;/i&gt;servir de bússola, num mundo que navega à deriva, sem terra à vista, mesmo quando munido de GPS e outros artefactos tecnológicos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para lidar com a "angústia", muitos acreditam que é preciso mais "avaliação", mais "legislação", mais "uniformização", mais "burocracia"...Mas será este o único (ou o mais apropriado) modo de operar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a esta e outras questões afins que cento e dezanove psicanalistas de orientação lacaniana se propõem responder no último número da revista &lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;i&gt;&lt;a href="http://www.ecf-echoppe.com/index.php/breve/symbolique?identifier=symbolique"&gt;SCILICET&lt;/a&gt; - &lt;/i&gt;um número preparatório do próximo congresso da AMP (Associação Mundial de Psicanálise).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;São cento e dezanove respostas curtas, em jeito de dicionário, que despoletam pelo menos outras tantas questões.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-5559381558990879182?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/5559381558990879182/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=5559381558990879182' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5559381558990879182'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5559381558990879182'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2012/01/desordem-simbolica-no-seculo-xxi.html' title='A (des)ordem simbólica no século XXI'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-2vabGzPSN4o/TxWTUI21UwI/AAAAAAAAAjw/xID-1BgoXCU/s72-c/Capture.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-503292130816326835</id><published>2011-12-15T23:18:00.001Z</published><updated>2011-12-15T23:18:26.181Z</updated><title type='text'>O fim dos tempos</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-HZdFXDPaPlY/TuqAKM2d2KI/AAAAAAAAAjo/cF0HUNVHWFI/s1600/zizek.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-HZdFXDPaPlY/TuqAKM2d2KI/AAAAAAAAAjo/cF0HUNVHWFI/s200/zizek.jpg" width="134" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Estaremos a viver o fim do capitalismo tal como o conhecemos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o conhecido e polémico filósofo esloveno Slavoj Zizek, o capitalismo global está a chegar à sua agonia final. Segundo ele, são quatro os cavaleiros do apocalipse: a crise ecológica mundial, os desequilíbrios do sistema económico, a revolução biogenética e e as divisões sociais explosivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto é desenvolvido pelo autor no livro:&amp;nbsp; &lt;span class="product_titulo"&gt;"&lt;a href="http://www.almedina.net/catalog/product_info.php?products_id=15471"&gt;Viver no Fim dos Tempos&lt;/a&gt;" (traduzido pela Relógio de Água).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="product_titulo"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="product_titulo"&gt;&amp;nbsp;A ver vamos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="product_titulo"&gt;A ler!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-503292130816326835?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/503292130816326835/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=503292130816326835' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/503292130816326835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/503292130816326835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/12/o-fim-dos-tempos.html' title='O fim dos tempos'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-HZdFXDPaPlY/TuqAKM2d2KI/AAAAAAAAAjo/cF0HUNVHWFI/s72-c/zizek.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-1480201860323443145</id><published>2011-12-12T16:22:00.001Z</published><updated>2011-12-14T18:43:33.723Z</updated><title type='text'>Não temos Papa</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ajAxHNWCvAE/TuYqMKkvhMI/AAAAAAAAAjg/HMs8a34ADFc/s1600/habmuspapam.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-ajAxHNWCvAE/TuYqMKkvhMI/AAAAAAAAAjg/HMs8a34ADFc/s200/habmuspapam.jpg" width="140" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O último filme de Nanni Moretti, &lt;a href="http://cinecartaz.publico.pt/Filme/295565_habemus-papam-temos-papa"&gt;&lt;i&gt;Habemus Papam&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, embora com altos e baixos, é um filme que toca, a brincar, em questões muito sérias. No momento em que o Cardeal escolhido para ser o novo papa (Michel Piccoli) se dirige à Varanda da Praça de São Pedro para saudar a multidão de fiéis que o aguarda, sofre um ataque de pânico, dá um grito estridente e desata a correr para o interior, deixando toda a gente perplexa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem poderá ajudar o papa a assumir a função para que foi eleito quando este se deixa ir literalmente abaixo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Supõe-se que o "melhor" para tratar do assunto seja um psicanalista (Nanni Moretti). Na verdade, esta suposição é ambígua, não só porque não lhe é permitido abordar nenhum dos temas (tabu) que definem tradicionalmente a psicanálise, como lhe é reservado um lugar de mero &lt;i&gt;entertainer&lt;/i&gt; dos cardeais (organizando jogos de voleibol entre eles) enquanto os conselheiros mais chegados do papa, incapazes de o convencer a ocupar o cargo para que fora eleito, decidem consultar uma outra psicanalista (a mulher do "melhor", a segunda melhor) que acaba por tentar convencê-lo de que ele sofre de um "défice parental".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante esta segunda psicanalista, o (novo) papa - provando&amp;nbsp; dizer a verdade, mesmo quando mente -&amp;nbsp; apresenta-se como ator. Pessoalmente, creio que é a metáfora teatral que permite "ler" melhor este filme de Moretti: é o fio condutor que liga, a partir daí, os acontecimentos. Percebemos, pelas suas próprias palavras, que aquele que agora vacila perante o cargo para o qual foi eleito, é o mesmo que outrora tinha sido preterido como actor. Mas por que vacila ele: será em nome do "velho teatro" (no qual não conseguiu entrar) ou do novo (para o qual é escolhido como ator principal)? Ou porque sabe, lá no fundo, que, embora sendo da ordem teatral, a velha função &lt;i&gt;papal&lt;/i&gt; (o mesmo é dizer &lt;i&gt;paterna&lt;/i&gt;) tinha implicações para além do teatro, em particular para todo o mundo católico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que devemos &lt;i&gt;ler&lt;/i&gt;, em resumo, naquilo que o filme nos dá a ver: que no fim de contas ninguém está à altura da "função" simbólica para que é nomeado (sendo esta essencialmente "vazia", como mostra a cena final do filme) ou que, mais do que isso, a própria "função" se tornou em si mesma problemática na &lt;i&gt;nova ordem simbólica &lt;/i&gt;em que vivemos hoje?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-1480201860323443145?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/1480201860323443145/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=1480201860323443145' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1480201860323443145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1480201860323443145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/12/nao-temos-papa.html' title='Não temos Papa'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ajAxHNWCvAE/TuYqMKkvhMI/AAAAAAAAAjg/HMs8a34ADFc/s72-c/habmuspapam.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-5494199304397365455</id><published>2011-12-02T22:36:00.001Z</published><updated>2011-12-02T23:36:41.031Z</updated><title type='text'>A pele onde eu vivo</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-7mXqdZTp6nU/Ttlg98Tzo1I/AAAAAAAAAjY/3RDNPDuieFs/s1600/la+piel+que+habito.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="125" src="http://2.bp.blogspot.com/-7mXqdZTp6nU/Ttlg98Tzo1I/AAAAAAAAAjY/3RDNPDuieFs/s200/la+piel+que+habito.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Quando, na cena final, uma bela mulher diz para a mãe: "Eu sou Vicente!", há muitos espetadores que riem. Este riso é uma espécie de defesa, um último degrau no limiar do indizível, do inominável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu sou..." coloca-nos no coração da pergunta e, ao mesmo tempo, da resposta que nos dá o último filme de Pedro Almodóvar, A Pele onde eu vivo (&lt;a href="http://cinecartaz.publico.pt/Filme/295514_a-pele-onde-eu-vivo"&gt;La piel que habito&lt;/a&gt;). Afinal de contas, o que "sou eu" na era da cirurgia plástica, da ciência e da tecnologia? Será a pele que nos define, que nos "identifica"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fácil, mas simplista, responder imediatamente que não. O interessante no filme de Almodóvar (de uma contenção e frieza cirúrgica pouco habituais) é que ele esquiva a resposta fácil. Quando a mulher do cirurgião plástico Robert Ledgard - que ele salva &lt;i&gt;in extremis&lt;/i&gt; de morrer num terrível acidente de viação que lhe causa fortes queimaduras e lhe desfigura o rosto - se vê finalmente ao espelho, não suporta o que vê e passa ao ato, atirando-se da janela. Eis a razão (umas das razões) que leva Robert a ficar cada vez mais doentiamente obcecado com a criação de uma "pele" que seja imune a todos os malefícios do real. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vicente, um jovem suspeito de ter violado a sua filha, é&amp;nbsp; escolhido por Robert para testar finalmente a nova pele (vestir contra a vontade uma pele que não é a sua): é encarcerado, submetido a uma cirurgia que lhe altera o sexo, sujeito às mais diversas transformações e vicissitudes. Robert pretende demonstrar, em ato - como diz, a certa altura, numa palestra à comunidade médica - que a nossa identidade é a pele. Como se fosse possível &lt;i&gt;objetivar &lt;/i&gt;inteiramente o que somos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um&amp;nbsp; momento em que Vera - outrora Vicente - parece estar a aceitar a sua nova "pele". Como se tivesse deixado de resistir. Mas eis que depara com uma foto de Vicente (quem é aquele?) e fica, de novo,perturbada, de tal forma que pega numa arma, mata Robert e volta para casa da mãe (que nunca deixara de o procurar), dizendo, perante a incredulidade daquela: "Eu sou Vicente!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que importa se este não é um "grande" filme (como dizem muitos críticos), mas dá que pensar com o máximo rigor? Liberto do "espalhafatoso" de muitos filmes anteriores, este é um filme não só para ver, mas também para &lt;i&gt;ler &lt;/i&gt;ao pé da letra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A "ordem simbólica", no século XXI, já não é o que era, o que tem consequências desde logo na "pele". É o que mostra, à sua maneira, o último filme de Almodóvar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-5494199304397365455?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/5494199304397365455/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=5494199304397365455' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5494199304397365455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5494199304397365455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/12/pele-onde-eu-vivo.html' title='A pele onde eu vivo'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-7mXqdZTp6nU/Ttlg98Tzo1I/AAAAAAAAAjY/3RDNPDuieFs/s72-c/la+piel+que+habito.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-4060400366680060350</id><published>2011-11-11T10:57:00.001Z</published><updated>2011-11-11T11:39:02.525Z</updated><title type='text'>Retificação subjetiva</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-wD3RpWCH6tI/Tr0JN-iWXnI/AAAAAAAAAjQ/3iKNXT4GWCs/s1600/9789896441456_m.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-wD3RpWCH6tI/Tr0JN-iWXnI/AAAAAAAAAjQ/3iKNXT4GWCs/s200/9789896441456_m.JPG" width="126" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Por natureza, a ciência exclui a subjetividade, sendo por isso extremamente raro que um cientista tome a palavra para falar abertamente das sua "crise" subjetiva &lt;i&gt;enquanto cientista. &lt;/i&gt;Parece que as duas coisas não colam: ou se faz ciência (e a subjetividade é excluída) ou se fala de si (e é a ciência que fica provisoriamente a hibernar). &lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Não é este o caso de "Criação imperfeita", um livro do físico Marcelo Gleiser (Círculo de Leitores, 2011). Com efeito, aquilo que se lê ao longo de mais de trezentas páginas é a história, a narrativa do que eu não hesitaria em chamar de uma autêntica "retificação subjetiva".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adepto fervoroso durante anos daquilo que em física se chama "Teoria de tudo", Marcelo Gleiser conta-nos como a "pró-cura" (expressão tomada pelo autor do psicanalista Hélio Pelegrino) de uma "Teoria final" se converteu a certa altura em doloroso impasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcelo Gleiser argumenta que essa busca (baseada na noção de que quanto mais profunda e abrangente é a descrição da natureza, maior o seu nível de "simetria" matemática) é ilusória, pois tudo aponta para um cenário&lt;br /&gt;no qual tudo emerge de imperfeições, de assimetrias primordiais na matéria e no tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que Marcelo Gleiser proponha uma "nova estética" para a ciência: uma estética que abandone a velha ideia grega de que "beleza é verdade" (ou a verdade é bela), tal como aconteceu na arte partir do século XX.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta ideia, pouco usual, de que a ciência ainda não fez a sua revolução estética não deixa de desafiar todos aqueles que falam, por vezes, das teorias científicas com o adjetivo "elegante"... Como se o universo vestisse Armani!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-4060400366680060350?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/4060400366680060350/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=4060400366680060350' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4060400366680060350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4060400366680060350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/11/retificacao-subjetiva.html' title='Retificação subjetiva'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-wD3RpWCH6tI/Tr0JN-iWXnI/AAAAAAAAAjQ/3iKNXT4GWCs/s72-c/9789896441456_m.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6120307230143862973</id><published>2011-10-07T13:28:00.000+01:00</published><updated>2011-10-07T13:28:56.931+01:00</updated><title type='text'>i-Steve Jobs</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Parece que um nome próprio nunca é suficientemente próprio para nos bastar. É preciso um complemento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O complemento em questão pode ser uma coisa de nada, um nada que é tudo, algo irrisório mas que faz a diferença, como uma simples letra, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre muitas outras realizações (todas elas apreciáveis), Steve Jobs ficará para sempre conhecido como aquele que fez literalmente saltar uma letra do alfabeto: a letra "i" (de iPad, iPhone, iPod, iTunes e por aí além). Graças a ele, o "i", embora minúsculo, não será mais uma simples letra, uma letra comum do alfabeto, pois ele conseguiu elevá-la à dignidade de "nome próprio". Porventura, o seu nome mais próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pais de Steve Jobs deram-no para adoção quando este era ainda bebé, alegando, ao que se diz, não ter condições para o criar. Do nome do pai biológico (&lt;b&gt;&lt;/b&gt;Abdulfattah John Jandali) parece não ter restado grande coisa (Jobs foi dado pelos pais adotivos). Assim, ele teve de (se) inventar um nome: &lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;i -Steve Jobs&lt;/i&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6120307230143862973?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6120307230143862973/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6120307230143862973' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6120307230143862973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6120307230143862973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/10/i-steve-jobs.html' title='i-Steve Jobs'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6633300012114860465</id><published>2011-10-03T14:07:00.000+01:00</published><updated>2011-10-03T22:44:06.915+01:00</updated><title type='text'>La vida es sueño?</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Nunca houve tanta "literatura" para adormecer (ou para fazer sonhar) quando a situação em que mergulhou o mundo nos últimos anos (numa contínua e persistente recessão) exigiria antes que se abrisse os olhos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os nomes de muitas revistas falam por si: &lt;i&gt;Fugas, Escapadelas, Evasões&lt;/i&gt;...Tudo é bom para não pensar, para não reagir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desse ponto de vista, o pesadelo tem uma&amp;nbsp; importante função: desperta-nos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas desperta-nos do sonho - como dizia Lacan, algures - para continuarmos a dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que já nenhum pesadelo é capaz de nos manter acordados por muito tempo! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6633300012114860465?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6633300012114860465/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6633300012114860465' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6633300012114860465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6633300012114860465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/10/la-vida-es-sueno.html' title='La vida es sueño?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-2478352641773474698</id><published>2011-09-26T14:21:00.005+01:00</published><updated>2011-09-26T14:24:34.404+01:00</updated><title type='text'>O Grande Desígnio</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Num livro recente (&lt;a href="http://www.gradiva.pt/?q=C/BOOKSSHOW/2773"&gt;&lt;i&gt;O Grande Desígnio&lt;/i&gt;, Gradiva, 2011&lt;/a&gt;), Sthephen Hawking (em colaboração com Leornard Mlodinow) afirma que a filosofia morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia não é nova. O conhecido físico limita-se a repetir algo que já afirmara em &lt;i&gt;Breve História do Tempo.&lt;/i&gt; O argumento é simples: uma vez que a filosofia deixou de acompanhar os modernos desenvolvimentos da ciência (em particular ao nível da micro e da macro-física), ela está morta, pelo menos na sua velha aspiração ao conhecimento. Desde Wittgenstein - afirmara Hawking&amp;nbsp; em &lt;i&gt;Breve História do Tempo -&lt;/i&gt; que a única tarefa que cabe à filosofia é a análise da linguagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia construir-se toda uma argumentação para mostrar que a filosofia - tantas vezes dada como morta, está viva e ressurge muitas vezes de onde menos se espera; mas a questão para mim é outra: não haverá na busca de uma "teoria de tudo" , como hoje se diz (a tentativa de reduzir tudo - todo o real - à teoria?) um resto de aspiração filosófica, de "metafísica" no coração da ciência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um velho sonho hegeliano: que todo o real é (pode ser) racional(izável). E se, ao invés, tudo emergisse de imperfeições, de assimetrias primordiais, de cataclismos e de erros, como perguntava recentemente Marcelo Gleiser (&lt;a href="http://www.facebook.com/note.php?note_id=227817480571651"&gt;&lt;i&gt;Criação Imperfeita,&lt;/i&gt; Círculo de Leitores, 2011&lt;/a&gt;)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se o &lt;i&gt;real&lt;/i&gt; fosse impossível&lt;i&gt; &lt;/i&gt;de&lt;i&gt; &lt;/i&gt;conhecer ou matema-tizar &lt;i&gt;por completo&lt;/i&gt;? Se houvesse um grão de real&lt;br /&gt;que a mó da teoria não conseguisse moer?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-2478352641773474698?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/2478352641773474698/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=2478352641773474698' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2478352641773474698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2478352641773474698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/09/o-grande-designio.html' title='O Grande Desígnio'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-147859680357797691</id><published>2011-09-13T11:45:00.000+01:00</published><updated>2011-09-13T11:48:30.600+01:00</updated><title type='text'>Cuidado com o que se diz</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Tem-se dito, nos últimos tempos, muita coisa sobre a crise económica e financeira na Europa, em particular sobre a possibilidade de incumprimento ou insolvência da dívida grega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo que o valor da palavra (a deusa Atena falava de Ulisses, no Canto II da Odisseia, como "homem para cumprir acto e palavra") se perdeu entretanto; daí que se insista cada vez mais, por vezes até ao sufoco, na exigência da escrita: tudo deve ser escrito, ainda que não seja para ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, mesmo se &lt;i&gt;desvalorizada&lt;/i&gt;, a palavra - aquilo que se diz - não deixou de ter &lt;i&gt;consequências&lt;/i&gt;. Tendo perdido o esteio &lt;i&gt;simbólico&lt;/i&gt; que&amp;nbsp; lhe servia de base- ela empenhava o sujeito que a proferia, mas também a comunidade que a tinha por lei - a palavra ficou, por assim dizer, desgovernada, ao saber de ventos e caprichos. Quando alguém (um ministro alemão, por exemplo) abre a boca, as águas dos mercados agitam-se, os ventos fazem tremer as bolsas (entenda-se a palavra como se quiser) e o barco europeu (é uma imagem helénica) fica prestes a afundar... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que a &lt;i&gt;desbocada&lt;/i&gt; Angela Merkel se tenha lembrado de dizer a alguns dos seus ministros mais entusiasmados: "Cuidado com o que se diz!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que ela própria acredita nisso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-147859680357797691?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/147859680357797691/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=147859680357797691' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/147859680357797691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/147859680357797691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/09/cuidado-com-o-que-se-diz.html' title='Cuidado com o que se diz'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-747336753488936394</id><published>2011-07-30T15:50:00.000+01:00</published><updated>2011-07-30T15:50:27.988+01:00</updated><title type='text'>A importância do "mas"</title><content type='html'>&lt;div dir="ltr" style="text-align: left;" trbidi="on"&gt;Perante o acto monstruoso cometido por Anders Breivik, a palavra que vem imediatamente à cabeça é: "Ele é louco!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E talvez seja, mesmo. A forma como ele "racionaliza" o acto no extenso &lt;i&gt;Manifesto 2083: Uma declaração de independência europeia &lt;/i&gt;parece apontar, efectivamente, nesse sentido. Ver-se-á, nos próximos tempos, se tal se confirma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, porém, um "mas". Talvez seja esta, aliás, a palavra mais ouvida por estes dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;"Ele não é simplesmente um louco &lt;i&gt;mas&lt;/i&gt; uma personalidade fanática e obsessiva" (advogado de Breivik); foram "crimes atrozes, &lt;i&gt;mas&lt;/i&gt; necessários" (o próprio Breivik); "o Ocidente não entende agora, &lt;i&gt;mas&lt;/i&gt; certamente me agradecerá um dia"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Palavras de alguém que se reconhece como "responsável, &lt;i&gt;mas&lt;/i&gt; inocente".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde Sócrates, tendemos a remeter o "mal" para a "ignorância" (do bem) ou para a "loucura"; mas a história está repleta de exemplos (e este não é o primeiro nem será muito provavelmente o último) que nos apontam para outra coisa bem mais assustadora...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-747336753488936394?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/747336753488936394/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=747336753488936394' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/747336753488936394'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/747336753488936394'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/07/importancia-do-mas.html' title='A importância do &quot;mas&quot;'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-2896209900673480130</id><published>2011-07-09T01:05:00.001+01:00</published><updated>2011-07-09T01:09:05.152+01:00</updated><title type='text'>Uma nova sofística</title><content type='html'>Num tempo em que a palavra tinha a palavra, a velha sofistica - praticada pelos antigos sofistas da Grécia, nem de propósito - era baseada na "eloquência", na arte de bem dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num tempo em que a palavra já não tem a palavra, nem cotação na bolsa de valores, qual é a base da nova sofística?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nova sofistica baseia-se no cálculo, no número, tal como a velha se baseava no &lt;i&gt;logos&lt;/i&gt;, na arte da palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero que o novo ministro da Educação, que tanto critica o "eduquês" (como fala vazia) não se esqueça de que há também, e cada vez mais, o "calculês": a nova retórica da era da ciência e do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual dos dois (o eduquês ou o calculês) podem ter efeitos mais "perversos"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota de rodapé: &lt;i&gt;Houve uma agência de rating que, ainda recentemente, fez os SEUS cálculos e chegou à bela conclusão de que Portugal era lixo. De facto, a sardinha não tem estado muito boa, este ano, mas não era razão para tanto! Aliás, desconheço se a classificação de "lixo", que já chegou à Madeira e aos Açores, também chegou à sardinha...&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-2896209900673480130?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/2896209900673480130/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=2896209900673480130' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2896209900673480130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2896209900673480130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/07/uma-nova-sofistica.html' title='Uma nova sofística'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6069112315025821892</id><published>2011-07-08T00:40:00.000+01:00</published><updated>2011-07-08T00:40:14.540+01:00</updated><title type='text'>Querem ser avaliados?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-309tcHgFGRk/ThZDznhmWuI/AAAAAAAAAjM/IyJpUGDlio0/s1600/avalia%25C3%25A7%25C3%25A3o.gif" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-309tcHgFGRk/ThZDznhmWuI/AAAAAAAAAjM/IyJpUGDlio0/s200/avalia%25C3%25A7%25C3%25A3o.gif" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Visto que o único "argumento de autoridade" que hoje nos resta é a ciência, há muita bizarria que cresce à sua sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2004, quando os ventos da avaliação começaram a soprar pelas bandas da psicanálise (ainda não se conhecia na altura a amplitude e vastidão dos seus estragos), Jacques-Alain Miller, com uma finura e acutilância assinaláveis, dizia o seguinte: "Sob o pretexto de que há medida, que se afere (étalonne), numera (chiffre), compara, etc, imagina-se que é científico. Isto não tem nada de científico e os melhores avaliadores, os mais inteligentes, que se defrontam com o problema, sabem perfeitamente que não se trata de uma ciência. Não é porque há cálculo que há ciência." (&lt;a href="http://www.alapage.com/m/ps/mpid:MP-B312EM1707993#moid:MO-B312EM3099999"&gt;&lt;i&gt;Voulez-vous être évalué&lt;/i&gt;?, Éditions Grasset et Fasquelle&lt;/a&gt;, p. 41).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a avaliação não é uma ciência, o que é então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta é dada logo no início, no subtítulo: uma "máquina de impostura" (machine d'imposture). Voilà! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, como se vê a olhos vistos, com efeitos &lt;i&gt;reais&lt;/i&gt; incalculáveis...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6069112315025821892?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6069112315025821892/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6069112315025821892' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6069112315025821892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6069112315025821892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/07/querem-ser-avaliados.html' title='Querem ser avaliados?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-309tcHgFGRk/ThZDznhmWuI/AAAAAAAAAjM/IyJpUGDlio0/s72-c/avalia%25C3%25A7%25C3%25A3o.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6069223191016577073</id><published>2011-07-06T01:08:00.001+01:00</published><updated>2011-07-06T01:13:33.766+01:00</updated><title type='text'>Travessia de um fantasma?</title><content type='html'>Há uma "fantasia" que ensombra de modo recorrente os portugueses: &lt;i&gt;serem a cauda da Europa. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;A "cauda", no sentido mais grosseiro do termo, é o ânus: a abertura exterior do tubo digestivo, na extremidade do recto, pela qual se expelem os excrementos, ou seja, aquilo que deve ser excluído do corpo.&lt;br /&gt;Ao cortar o &lt;i&gt;rating &lt;/i&gt;de Portugal para lixo, a Moody's torna-se um parceiro privilegiado dos portugueses na realização deste "fantasma fundamental": ela perfaz, no real - e não digo &lt;i&gt;realidade&lt;/i&gt; porque esta sofre um abanão, um verdadeiro de tremor de terra - o que os portugueses apenas se limitavam a sonhar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As empresas de &lt;i&gt;rating &lt;/i&gt;são um bicho curioso: fazem tremer os países, suar os políticos e ficar "à rasca" muitos de nós, como se um deus ao contrário tivesse aproveitado a "morte de Deus" para subir ao palco e tomar conta da cena. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freud não tinha razão. Ele acreditava que a religião sucumbiria frente à ciência. O que vemos nós, porém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futuro do passado é hoje. "O futuro de uma ilusão" - segundo o modo como Freud caracterizava a religião - mostra-se hoje como um "presente" envenenado. Não está hoje a religião onde menos esperaríamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vemos quando se fala dos mercados como se eles pudessem ser sensatos, complacentes? Quando é a fé, a confiança nos mercados o que se pretende recuperar? Quando se diz, humilhado e ofendido, que é preciso fazer tudo para acalmar os mercados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crê-se que é para combater esta "fé" nos mercados - algo que soa ainda demasiado religioso - que se dá tanto crédito - um crédito desmesurado, como dizem alguns - às empresas de &lt;i&gt;rating, &lt;/i&gt;pois estas parecem funcionar por milagre (o milagre científico), quase sem&amp;nbsp; mão humana, guiadas não pelo espírito santo, mas antes pelo "espírito científico", isto é, pela letra, pela fórmula, pelo cálculo matemático. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, no mais puro "deserto do real", há uma sarça ardente que continua a queimar: a fé, a confiança, a crença de que a "razão" (numérica) é em si mesma, deixada a si mesma, racional. Talvez a vacilação da "política", dos políticos europeus se deva, em parte, ao receio de abandonar esta fé, de transpor o limiar que vai da "crença" ao "lixo".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não será preciso dar esse passo para agir sem receio de cair na merda? Pois se já caímos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6069223191016577073?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6069223191016577073/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6069223191016577073' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6069223191016577073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6069223191016577073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/07/travessia-de-um-fantasma.html' title='Travessia de um fantasma?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6297511894185234057</id><published>2011-06-29T12:54:00.002+01:00</published><updated>2011-06-29T13:11:08.014+01:00</updated><title type='text'>Salvar o diabo?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ve4FYj-bZ4A/TgsSewCMXkI/AAAAAAAAAjI/UrmTnOjJ8kE/s1600/diabo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="149" src="http://2.bp.blogspot.com/-ve4FYj-bZ4A/TgsSewCMXkI/AAAAAAAAAjI/UrmTnOjJ8kE/s200/diabo.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O tio Einstein (como é tratado carinhosamente pelo conhecido treinador de futebol José Mourinho) ainda acreditava que as leis que governam os fenómenos são deterministas, ao afirmar que "Deus não joga aos dados". À sua maneira, ele salva Deus; já o seu neto, digamos assim (o conhecido físico inglês Stephen Hawking) acaba por dispensar, no seu mais recente livro (O Grande Desígnio), a hipótese de Deus. Conclusão: a ciência não salva Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que serve, então, a ciência nos dias que correm?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para muita coisa, evidentemente. Para quase tudo. Ela é actualmente, pela eficácia dos resultados (sejam eles quais forem) o único argumento de autoridade. Para que uma carta chegue ao actualmente seu destino, ela tem de levar o selo (de garantia) da ciência. Daí que muitas "práticas" e "poéticas" de outrora estejam à rasca ou em vias de extinção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela serve também, graças aos mais recentes avanços no domínio da Genética, para salvar espécies em vias de extinção. Achei curiosa a notícia que li hoje no Jornal Público: "Cientistas norte-americanos sequenciaram o genoma do diabo-da-tasmânia...em risco de extinção devido a um cancro contagioso" (p. 18).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei graça ao nome do marsupial carnívoro em causa e dei por mim a perguntar: será que também o diabo está em vias de extinção? Será a ciência capaz de salvar o diabo quando não foi capaz de salvar Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de crer que salvará, pelo menos, o diabo-da-tasmânia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6297511894185234057?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6297511894185234057/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6297511894185234057' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6297511894185234057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6297511894185234057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/06/salvar-o-diabo.html' title='Salvar o diabo?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ve4FYj-bZ4A/TgsSewCMXkI/AAAAAAAAAjI/UrmTnOjJ8kE/s72-c/diabo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-3700984647313223185</id><published>2011-06-06T02:49:00.000+01:00</published><updated>2011-06-06T02:49:09.789+01:00</updated><title type='text'>A parte da sombra III</title><content type='html'>Em nome da transparência, do direito a informar, a violência (agressões entre os jovens, entre colegas militares...) é reproduzida, ampliada até à exaustão pelas televisões a qualquer hora do dia. A mesma televisão que assinala com uma bola vermelha, no canto superior direito, programas e filmes susceptíveis de ferir a sensibilidade de alguns espectadores, repete de forma crua, e sem qualquer bola vermelha de permeio, a violência da vida real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que à força de reduzir o real obscuro da violência a espectáculo televisivo, mediático (embora sem a mediação da palavra, pois também esta não passa de adereço quando é convocada) se tende a banalizar o mal que ela encerra ou a gerar ainda mais violência. A violência gera violência e pede sempre mais, ainda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariamente ao que sugere o termo "mediático" (medium, media), as televisões não "medeiam" (e muito menos temperam a violência), mas duplicam-na, triplicam-na...dando-lhe novos palcos para se exibir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-3700984647313223185?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/3700984647313223185/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=3700984647313223185' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3700984647313223185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3700984647313223185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/06/parte-da-sombra-iii.html' title='A parte da sombra III'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-3044680753778374917</id><published>2011-06-01T11:07:00.000+01:00</published><updated>2011-06-01T11:07:51.368+01:00</updated><title type='text'>A parte da sombra II</title><content type='html'>Não é apenas no domínio da microfísica que o observador interfere com aquilo que é observado; o mesmo se passa, e por maioria de razão, no domínio da "física" do quotidiano: aquela que está mais à mão, a olho nu ou desarmado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bom exemplo é a cobertura mediática dos acontecimentos: aumentando o seu tempo de "exposição" (os noticiários duram cada vez mais tempo) nem por isso se lança mais "luz" (ou se pretende lançar mais luz) sobre eles; pelo contrário, gera-se mais confusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em qualquer caso, "interfere-se" no modo como os acontecimentos são vistos, na opinião se que forma sobre eles e no modo como se vão desenrolar. E tudo isto em nome do "dever" de informar ou do "direito" à informação.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a "democracia" mediática!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-3044680753778374917?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/3044680753778374917/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=3044680753778374917' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3044680753778374917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3044680753778374917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/06/parte-da-sombra-ii.html' title='A parte da sombra II'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-5341147885778550224</id><published>2011-05-26T14:26:00.001+01:00</published><updated>2011-05-26T14:26:31.948+01:00</updated><title type='text'>A parte da sombra</title><content type='html'>Há aqui diversos tipos de violência: a violência do acto em si (a agressão à jovem adolescente, em Lisboa), a violência do acto de filmar a agressão e, &lt;i&gt;last but not least&lt;/i&gt;, o acto de exibi-la na Internet. Mesmo se a categoria de "perversão" tem vindo a ser erradicada dos manuais de psiquiatria, trata-se aqui de um acto genuinamente "perverso". Além de filmar a agressão, o jovem faz de todos nós cúmplices, não do acto de agressão propriamente dito, mas do "olhar" a que ele se reduz (usando a câmara) e nos tenta reduzir (sendo usados por ela).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na era em que tudo se mostra, vê e dá a ver, não se exige aqui uma outra resposta que dê relevo à "parte da sombra" (como diria Agamben) que habita o coração humano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso voltar a ler, porventura, o que diz Freud (apesar de &lt;i&gt;démodé&lt;/i&gt;) sobre a "pulsão agressiva" no &lt;i&gt;Mal-estar na civilização&lt;/i&gt;. Um texto tão contemporâneo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-5341147885778550224?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/5341147885778550224/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=5341147885778550224' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5341147885778550224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5341147885778550224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/05/parte-da-sombra.html' title='A parte da sombra'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-3246556893931918494</id><published>2011-05-25T12:51:00.000+01:00</published><updated>2011-05-25T12:51:40.649+01:00</updated><title type='text'>O que é ser contemporâneo?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-oCgs1a6uijY/Tdzs9T3nRxI/AAAAAAAAAjE/G5jC93HSxDI/s1600/agamben.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-oCgs1a6uijY/Tdzs9T3nRxI/AAAAAAAAAjE/G5jC93HSxDI/s200/agamben.jpg" width="129" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Na "era do facebook", há quem pense que ser "contemporâneo" é estar constantemente ligado&lt;i&gt;, on-line&lt;/i&gt;, expressando a toda a hora o "gosto" ou o "desgosto" que lhes vão na alma ou no corpo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É estar &lt;i&gt;sincronizado &lt;/i&gt;com o "tempo real" em que (quase) tudo é agora processado! Não permitir que nada se perca de tudo o que se passa (ainda que, na voragem do que passa depressa, quase nada fique)!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser contemporâneo, pensam alguns, é estar constantemente sob a luz sol ou dos holofotes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giorgio Agamben, o conhecido filósofo, num interessantíssimo texto justamente intitulado "O que é o contemporâneo" (in &lt;i&gt;Nudez&lt;/i&gt;, Relógio D'Água, 2010), coloca o acento, pelo contrário, num &lt;i&gt;certo desfasamento&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;des-sincronização&lt;/i&gt; do sujeito em relação ao tempo presente: "só pode dizer-se contemporâneo quem não se deixa cegar pelas luzes do século e consegue apreender nelas a parte da sombra, a sua obscuridade íntima."(p. 24). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apreender "a parte da sombra" no que brilha, eis o contemporâneo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-3246556893931918494?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/3246556893931918494/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=3246556893931918494' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3246556893931918494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3246556893931918494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/05/o-que-e-ser-contemporaneo.html' title='O que é ser contemporâneo?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-oCgs1a6uijY/Tdzs9T3nRxI/AAAAAAAAAjE/G5jC93HSxDI/s72-c/agamben.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-3541023667163448727</id><published>2011-05-14T20:03:00.000+01:00</published><updated>2011-05-14T20:03:45.267+01:00</updated><title type='text'>Quem é o rato Mickey?</title><content type='html'>Há dias, &lt;a href="http://nautilus.fis.uc.pt/personal/cfiolhais/"&gt;Carlos Fiolhais&lt;/a&gt; comentava deste modo o panorama político actual:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por vezes a democracia não serve tanto para escolher os melhores governos, mas mais para eliminar os que se revelaram maus...Se a escolha em Portugal fosse, por hipótese, entre o actual primeiro-ministro (José Sócrates) e o rato Mickey, eu não hesitaria em votar no boneco da Disney" (Jornal Público).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem pense que tudo está escrito (no acordo com a &lt;i&gt;Troika&lt;/i&gt;) e, por isso, é indiferente votar neste ou naquele. Mas uma coisa é certa: após seis anos de descalabro, sabemos ao menos em quem não devemos votar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que a escolha seja &lt;i&gt;forçada&lt;/i&gt; (pois a situação não deixa muita margem de manobra), é preciso escolher. Eu já escolhi. Tal como Carlos Fiolhais, prefiro votar no rato Mickey.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta saber quem é o rato Mickey. Mas isso, é outra história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-3541023667163448727?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/3541023667163448727/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=3541023667163448727' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3541023667163448727'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3541023667163448727'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/05/quem-e-o-rato-mickey.html' title='Quem é o rato Mickey?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6244295618911707396</id><published>2011-04-28T11:36:00.000+01:00</published><updated>2011-04-28T11:36:10.304+01:00</updated><title type='text'>A derrota da Vontade</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-Yqa2ksOHtzM/TblC3CbqfhI/AAAAAAAAAis/02cuwhA4GLU/s1600/thumbs.sapo.pt.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://1.bp.blogspot.com/-Yqa2ksOHtzM/TblC3CbqfhI/AAAAAAAAAis/02cuwhA4GLU/s200/thumbs.sapo.pt.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O conhecido e polémico José Mourinho, treinador do Real Madrid, citou Albert Einstein para justificar aquilo que o move e que parece constituir o fórmula do sucesso: a vontade. Citar Einstein como alguém da família (o tio Alberto) diz muito sobre aquele que o cita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«O tio Alberto disse ‘há uma força motriz mais poderosa que o vapor,  a electricidade e a energia atómica: a vontade.’ E o tio Alberto não  era estúpido»&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do jogo, após a derrota, por dois zero, com o Barcelona, José Mourinho responsabilizou o árbitro pelo sucedido, revelando o seu habitual "mau feito". A sua "má" vontade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o &lt;i&gt;desejo &lt;/i&gt;de ganhar do Barcelona fosse mais forte que a &lt;i&gt;vontade &lt;/i&gt;de vencer do Real Madrid. Ou talvez a &lt;i&gt;vontade &lt;/i&gt;que anima o Barcelona tenha sido mais eficaz dentro do campo. Ou talvez...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assistimos ontem ao triunfo ou à derrota da vontade?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6244295618911707396?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6244295618911707396/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6244295618911707396' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6244295618911707396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6244295618911707396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/04/derrota-da-vontade.html' title='A derrota da Vontade'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Yqa2ksOHtzM/TblC3CbqfhI/AAAAAAAAAis/02cuwhA4GLU/s72-c/thumbs.sapo.pt.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6841928011524299516</id><published>2011-04-14T17:03:00.001+01:00</published><updated>2011-04-14T17:04:46.896+01:00</updated><title type='text'>Crise de abundância</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-4zVPJMzs6ec/Tacas9ih3aI/AAAAAAAAAio/dlExwJTXPgk/s1600/index.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-4zVPJMzs6ec/Tacas9ih3aI/AAAAAAAAAio/dlExwJTXPgk/s200/index.jpg" width="140" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;São três. Em tempo de crise, de penúria, é muito. É uma abundância. Sobretudo porque alguns (todos eles?) são &lt;i&gt;vários&lt;/i&gt;, uma multidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem melhor do que Nietzsche, Pessoa e Freud para diagnosticar o mal da época?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 3 (Faculdade de Letras), 4 (Faculdade de Ciência Sociais e Humanas) e 5 (Fundação Calouste Gulbenkian).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.conferencenietzschepessoafreud.blogspot.com/"&gt;Para qualquer informação sobre o Colóquio Internacional Nietzsche, Pessoa e Freud, aceder ao Blog respectivo.&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6841928011524299516?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6841928011524299516/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6841928011524299516' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6841928011524299516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6841928011524299516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/04/crise-de-abundancia.html' title='Crise de abundância'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-4zVPJMzs6ec/Tacas9ih3aI/AAAAAAAAAio/dlExwJTXPgk/s72-c/index.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-8268526080247002936</id><published>2011-04-02T00:30:00.000+01:00</published><updated>2011-04-02T00:30:53.998+01:00</updated><title type='text'>Quem avalia os avaliadores?</title><content type='html'>Numa altura em que as empresas de &lt;i&gt;rating &lt;/i&gt;(des)classificam a dívida da República Portuguesa para bem perto do "lixo" (é caso para dizer: do império ao lixo), tal como já acontecera com a dívida da Grécia e da Irlanda, e vai acontecer, mais cedo ou mais tarde, com outras dívidas soberanas, vem-me à memória uma frase de José Gil: &lt;i&gt;quem avalia os avaliadores&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li hoje num jornal que, perante a ameaça por parte da Comissão Europeia de responsabilizar juridicamente as empresas de notação financeira pelos erros de avaliação, estas responderam à letra, ameaçando deixar de avaliar os países periféricos, colocando dessa forma a sua dívida pública fora das rotas do investimento. Dente por dente, olho por olho. Ou melhor: se ameaças tirar-me um dente, eu ameaço tirar-te os dois olhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os avaliadores não querem ser avaliados, pagar um preço pelos seus erros; não seria já tempo de começar a avaliar os avaliadores, angustiando-os da mesma forma que eles angustiam um número cada vez maior de pessoas nesta velha (e sonolenta) Europa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não há forma de destronar a "retórica da avaliação" que varre o continente (é preciso avaliar isto e aquilo; no limite, tudo), ao menos que não fique nada de fora, nem sequer - e sobretudo - os sujeitos-supostos-saber-avaliar-os-outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, não deixa de ser interessante (e ter um certo efeito de verdade) que sejamos classificados perto do "lixo". Pois não é isso, afinal, o que temos andado a pregar quotidianamente com a homilia da "produtividade"? O que mais se produz por aqui - e em todo o lado onde reina o capitalismo - não é essencialmente lixo? Lixo e mais lixo. Daí que um dos grandes temas do nosso tempo seja: o que fazer com o lixo que não cessamos de produzir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem avalia os avaliadores?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-8268526080247002936?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/8268526080247002936/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=8268526080247002936' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8268526080247002936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8268526080247002936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/04/quem-avalia-os-avaliadores.html' title='Quem avalia os avaliadores?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-606674796579431132</id><published>2011-03-31T14:54:00.001+01:00</published><updated>2011-03-31T14:56:15.110+01:00</updated><title type='text'>Haverá questão mais importante que a vida e a morte?</title><content type='html'>"Agora, para os jovens, Deus não existe em absoluto. A religião mundial é actualmente o futebol. É a única coisa capaz de congregar milhões de pessoas. Há, em Newcastle, uma expressão Maravilhosa: "&lt;i&gt;Football is not a question of life or death, it's damn more important.". &lt;/i&gt;Isto é maravilhoso, absolutamente maravilhoso. Viver-se para o futebol, morre-se para o futebol. É a única religião do mundo." (George Steiner, Entrevista conduzida por Beata Cieszynska e José Eduardo Franco, &lt;i&gt;Revista Ler, &lt;/i&gt;Março 2001, p. 35). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se estou inteiramente de acordo com a afirmação, até porque ainda se vive e morre demasiado em nome de Deus por esse mundo fora; de qualquer modo, se a única (a verdadeira?) religião é actualmente o futebol, estou mesmo condenado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma cena inolvidável no filme "O Segredo dos seus olhos" que nos faz sentir, por momentos, esta coisa maior que a vida e a morte que apaixona tantos por esse mundo fora. Houve um tempo em que o cinema também era uma religião...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-606674796579431132?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/606674796579431132/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=606674796579431132' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/606674796579431132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/606674796579431132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/03/havera-questao-mais-importante-que-vida.html' title='Haverá questão mais importante que a vida e a morte?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-463445988785587393</id><published>2011-03-24T18:25:00.001Z</published><updated>2011-03-24T18:29:20.449Z</updated><title type='text'>Quem tem razão?</title><content type='html'>Não houve aqui um tremor de terra, mas muita coisa caiu. Caiu o governo, caíram máscaras - muitas haverão, porventura, ainda de cair - e choveram sobretudo acusações, de parte a parte: de quem é a culpa, quem são os responsáveis, quem tem afinal razão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A neurobiologia (ver Damásio) tem insistido na importância e no papel da emoção para o (bom) funcionamento da razão. Contrariamente a grande parte da tradição filosófica (Descartes, Kant, entre muitos outros), apostada em domar, domesticar, submeter a emoção à razão, a investigação provinda da neurobiologia tem insistido sobretudo, ou igualmente, na disfunção, inoperância ou ineficácia da razão sem&amp;nbsp; o contributo, precioso, da emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomando o exemplo da política portuguesa nos últimos anos, é fácil concluir que a emoção não tem faltado; o que tem faltado, em grande medida, é o contributo da razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há dúvida: a nossa democracia parece ter incorporado bem a lição da neurobiologia, tornando-se bastante "emotiva".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando a emoção se serve ainda de toda a panóplia de figuras de retórica, o seu efeito "teatral" é ainda mais eficaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como entender, então, uma frase do género: "acabou o teatro!" Como efeito, ainda, do excesso de emoção; como entrada da razão em cena (na cena política); ou apenas como mais uma frase dita por um actor que acaba de entrar em palco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse caso, o teatro vai continuar. Com as consequências (bem menos teatrais) que já conhecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ver vamos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-463445988785587393?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/463445988785587393/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=463445988785587393' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/463445988785587393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/463445988785587393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/03/quem-tem-razao.html' title='Quem tem razão?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-5280522945793590891</id><published>2011-03-22T17:34:00.000Z</published><updated>2011-03-22T17:34:04.819Z</updated><title type='text'>geração (a)rasca</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-R2wWiupUiwo/TYjdXpY_mLI/AAAAAAAAAik/hWvTSWYenag/s1600/rasca.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="131" src="https://lh6.googleusercontent.com/-R2wWiupUiwo/TYjdXpY_mLI/AAAAAAAAAik/hWvTSWYenag/s200/rasca.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;No princípio era...a canção. Dos &lt;i&gt;Deolinda. &lt;/i&gt;Depois o fenómeno cresceu, graças, em particular, às redes sociais, como o &lt;i&gt;Facebook&lt;/i&gt;. Nasceu a "geração à rasca". A multidão à rasca. A manifestação à rasca. Já se anunciam outros "à rasca", como o 25 de Abril: a revolução dos cravos...que murcharam. E há sobretudo cada mais textos, hipertextos, intertextos...girando em torno dessa coisa que está à rasca ou que nos deixa à rasca.&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh6.googleusercontent.com/-R2wWiupUiwo/TYjdXpY_mLI/AAAAAAAAAik/hWvTSWYenag/s1600/rasca.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Estar ou ver-se à rasca é sentir-se em apuros, atrapalhado, em dificuldades. Mas é também, num sentido mais "popular", sentir-se já com as calças na mão, não conseguindo reter por mais tempo "o desagradável excremento que provém do interior do seu corpo", como diria Slavoj Zizek (&lt;i&gt;Elogio da Intolerância&lt;/i&gt;, Relógio D'Água, p. 12).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num mundo em que os velhos ideais estão em declínio, o sujeito vê-se em apuros com esse objecto abjecto que o deixa "à rasca". Se "a merda também pode servir de matéria para pensar" (permita-se dizê-lo assim cruamente, como Zizek), resta saber o que vai cada um fazer desse objecto para além de "ficar à rasca", isto é, sem saber o que fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para já, temos vindo a assistir sobretudo a um fenómeno, como diria o velho Freud, identificatório&lt;i&gt;: parvos que somos. &lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-5280522945793590891?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/5280522945793590891/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=5280522945793590891' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5280522945793590891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5280522945793590891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/03/geracao-arasca.html' title='geração (a)rasca'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh6.googleusercontent.com/-R2wWiupUiwo/TYjdXpY_mLI/AAAAAAAAAik/hWvTSWYenag/s72-c/rasca.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-5740105295009939839</id><published>2011-03-11T23:35:00.002Z</published><updated>2011-03-11T23:41:18.326Z</updated><title type='text'>Litoral</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh5.googleusercontent.com/-pm65Bgigv4s/TXqwU2R7BOI/AAAAAAAAAig/z7jyIHOfNP4/s1600/viewimage.aspx.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="https://lh5.googleusercontent.com/-pm65Bgigv4s/TXqwU2R7BOI/AAAAAAAAAig/z7jyIHOfNP4/s200/viewimage.aspx.jpg" width="166" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://www.maisondudanemark.dk/ebutik_productlist.aspx?product_catid=158"&gt;Pía Hylén&lt;/a&gt; é dinamarquesa, mas não vive na Dinamarca. Andou por muitas paragens: Califórnia, Paris e, agora, Lisboa: &lt;i&gt;au bord du continent, où le Tage joint la mer.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Au Bord du Continent &lt;/i&gt;(BD-Gráfica, Lisboa, 2010) é um livro de poesia feito de palavras, cores, aguarelas, desenhos e quatro línguas: Inglês, Francês, Português e Dinamarquês. De quantas línguas é feita a &lt;i&gt;nossa &lt;/i&gt;língua, uma &lt;i&gt;língua &lt;/i&gt;que seja&amp;nbsp; &lt;i&gt;a&lt;/i&gt; nossa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes parece que uma língua se &lt;i&gt;dobra&lt;/i&gt; na outra, como se houvesse uma &lt;i&gt;passagem efémera &lt;/i&gt;entre ambas. À beira-mar. À beira-terra. Com a letra desenhando o litoral.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-5740105295009939839?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/5740105295009939839/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=5740105295009939839' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5740105295009939839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5740105295009939839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/03/litoral.html' title='Litoral'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh5.googleusercontent.com/-pm65Bgigv4s/TXqwU2R7BOI/AAAAAAAAAig/z7jyIHOfNP4/s72-c/viewimage.aspx.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-1940075893776917984</id><published>2011-03-09T20:51:00.000Z</published><updated>2011-03-09T20:51:22.047Z</updated><title type='text'>A (me)nina de sua mãe</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh3.googleusercontent.com/-GZbxlgBR-tg/TXfoLDJ_DEI/AAAAAAAAAic/cVXWM8cBbzc/s1600/225px-BlackSwanCartaz.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="https://lh3.googleusercontent.com/-GZbxlgBR-tg/TXfoLDJ_DEI/AAAAAAAAAic/cVXWM8cBbzc/s200/225px-BlackSwanCartaz.jpg" width="135" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Nina (Natalie Portman) foi nomeada para assumir o papel de "cisne negro". Antes de assumir este (difícil) papel, ela já tinha sido nomeada uma primeira vez por sua mãe. Nina nasceu para ser perfeita, foi nomeada para tal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mãe faz de Nina a sua (eterna) menina. Ela conta que desistiu da dança, aos 28 anos, para a dar à luz (dar à luz ganha aqui uma ressonância particular, pois se trata, verdadeiramente, de entregá-la aos holofotes, às luzes da ribalta). Mais do que desistir, a sua mãe transfere para Nina o fardo de ter de realizar um sonho interrompido.&amp;nbsp; Ela não desistiu do sonho, apenas o transferiu para a filha.Nina parece ter nascido unicamente para realizar o sonho de sua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se Nina, em vez de carecer de um diagnóstico (é sempre arriscado diagnosticar personagens de filmes), fosse, ela sim, &lt;i&gt;um diagnóstico &lt;/i&gt;do nosso tempo, da nova ordem vigente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dezanove de Março de 1974, Lacan escrevia o seguinte: "ao nome do pai substitui-se uma função que não é outra senão a de &lt;i&gt;nomear para&lt;/i&gt;, de &lt;i&gt;ser nomeado para &lt;/i&gt;qualquer coisa. A mãe é suficiente por si mesma para designar um tal projecto, para indicar o rasto, o caminho. O poder de &lt;i&gt;nomear para&lt;/i&gt; institui uma  &lt;i&gt;ordem de ferro&lt;/i&gt;. Será que este &lt;i&gt;nomear para &lt;/i&gt;não é o signo de uma degenerescência catastrófica?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ante o declínio da Palavra que dava &lt;i&gt;nome &lt;/i&gt;e dizia &lt;i&gt;não&lt;/i&gt; - abrindo ao desejo um espaço, uma clareira para respirar -, a&amp;nbsp; nova ordem &lt;i&gt;de ferro&lt;/i&gt; faz de todos nós, de um modo ou de outro, &lt;i&gt;nomeados para&lt;/i&gt; isto ou aquilo, sobretudo para a voragem de um gozo &lt;i&gt;ilimitado, &lt;/i&gt;de uma &lt;i&gt;pulsão de morte &lt;/i&gt;que nos consome, nos dilacera até às vísceras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isto que Nina incarna e ilustra singularmente; o resto é &lt;i&gt;décor&lt;/i&gt;. Ou pouco mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-1940075893776917984?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/1940075893776917984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=1940075893776917984' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1940075893776917984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1940075893776917984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/03/menina-de-sua-mae.html' title='A (me)nina de sua mãe'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh3.googleusercontent.com/-GZbxlgBR-tg/TXfoLDJ_DEI/AAAAAAAAAic/cVXWM8cBbzc/s72-c/225px-BlackSwanCartaz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-7108766048283355533</id><published>2011-02-15T20:09:00.000Z</published><updated>2011-02-15T20:09:02.022Z</updated><title type='text'>Obscenidades</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-zpnHizFqKnU/TVrdRNIx4JI/AAAAAAAAAiY/XA-1BPBcPDM/s1600/malevitch.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-zpnHizFqKnU/TVrdRNIx4JI/AAAAAAAAAiY/XA-1BPBcPDM/s200/malevitch.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Outrora o pintor Velasquez cometeu o feito de trazer para dentro da &lt;i&gt;cena &lt;/i&gt;o que lhe era exterior. Uma "obscenidade" que abriu um precedente. Na era em que tudo deve ser visto e mostrado, as televisões e a Internet encarregam-se de elevar a obscenidade a patamares nunca dantes alcançados. E não é só a televisão ou a Internet, mas também as rádios, os jornais e as revistas de todo o mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala-se de tudo, mostra-se tudo. E quanto mais obsceno melhor! Veja-se o tão falado caso do jovem modelo português que assassinou um conhecido cronista social&amp;nbsp; num hotel de Nova Iorque (que melhor palco para vir à cena o &lt;i&gt;obsceno&lt;/i&gt;, isto é, o que é suposto ficar fora de cena!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quantidade de &lt;i&gt;informação&lt;/i&gt; (crónicas, debates, artigos, programas diversos...) que já se produziu sobre o assunto faz-nos porventura pensar que aquilo que se visa é &lt;i&gt;esclarecer&lt;/i&gt; (isto é, trazer um pouco mais de luz, como diriam os iluministas) sobre este caso; porém, de uma forma geral, não parece haver outra finalidade senão alimentar, até à exaustão, a nossa necrofagia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de máquinas de iluminar, como se propõem, os meios tecnológicos ao alcance de todos são, hoje, verdadeiras máquinas de obscurecer. Cegos de tanto ver, surdos de tanto ouvir!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-7108766048283355533?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/7108766048283355533/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=7108766048283355533' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/7108766048283355533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/7108766048283355533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/02/obscenidades.html' title='Obscenidades'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-zpnHizFqKnU/TVrdRNIx4JI/AAAAAAAAAiY/XA-1BPBcPDM/s72-c/malevitch.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6969112146976060060</id><published>2011-02-03T14:30:00.000Z</published><updated>2011-02-03T14:30:31.542Z</updated><title type='text'>Paixão da escrita ou escrita da paixão?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TUq6AGVmSvI/AAAAAAAAAiQ/HY8D0XWFGeM/s1600/pedro-paixc3a3o.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="133" src="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TUq6AGVmSvI/AAAAAAAAAiQ/HY8D0XWFGeM/s200/pedro-paixc3a3o.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Pedro Paixão é escritor. Conhecido. Reconhecido. Embora a sua forma de escrever não agrade a todos, ela entusiasma inúmeros leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, além de escritor, ele é também aquele que um dia me deu aulas, sobretudo de Hegel e Wittgenstein, na Universidade Nova de Lisboa. Eram aulas simultaneamente leves e intensas, ora cortando-nos a respiração (suspensos de um raciocínio que buscava a alquimia de conseguir dizer coisas profundas de um modo simples), ora provocando-nos uma gargalhada. Às vezes, de um modo imprevisto e intempestivo, ele dava a aula por finda, como se não houvesse mais nada a dizer ou não soubesse o que dizer mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo acabado entretanto a licenciatura em Filosofia,&amp;nbsp; eu&amp;nbsp; fui-lhe perdendo o rasto. Só um pouco mais tarde vim a descobrir que ele tinha começado a publicar. Foram surgindo, um após outros, diversos livros que chamavam a atenção, desde logo, pelos títulos: &lt;i&gt;Viver todos os dias cansa&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Amor Portátil&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Nos teus braços morreríamos&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Os corações também se gastam, &lt;/i&gt;entre muitos outros. Herdeiros, porventura, da veia "publicitária" do autor (Pedro Paixão, além de Professor de Filosofia, era sócio da empresa publicitária Massa Cinzenta), os títulos ajudaram a impor um estilo que foi conquistando cada vez mais entusiastas, nomeadamente - embora de forma não exclusiva - no público feminino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só há pouco anos atrás soube que Pedro Paixão - além de tudo o que eu já conhecia dele - era um "bipolar assumido".&amp;nbsp; Foi, aliás, a este título que o jornal &lt;i&gt;Expresso&lt;/i&gt; o convidou recentemente para falar, na primeira pessoa, de "uma doença que é muitas vezes associada ao mundo das artes e das letras" (&lt;i&gt;Revista Única&lt;/i&gt;, 29 de Janeiro de 2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem que a doença bipolar (outrora conhecida como psicose maníaco-depressiva) tivesse sido diagnosticada apenas aos 19 anos, a alternância entre estados eufóricos e depressivos que a caracteriza já se manifestara antes dos treze. Pedro Paixão fala do modo como, durante as primeiras fases depressiva até aos 13 anos, tentava lidar com o problema. Primeiro, descobriu que tocar um instrumento (um piano que existia em casa dos primos) o aliviava, tendo-lhe salvo a alma - o termo é seu - mais de uma vez; um pouco mais tarde teve lições de pintura; finalmente, por volta dos 15 anos, começou a escrever com regularidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Paixão descreve desta forma o que sucedia: &lt;i&gt;Quando me sentia muito deprimido, ao que então nem sabia dar nome, isolava-me numa casa junto da praia. Passados alguns dias em que nada conseguia fazer, pregado a uma cama, começava a ter vontade primeiro de ler, depois de escrever. As frases e as histórias começavam a crescer dentro da minha cabeça até ao ponto de ter de pegar numa caneta e escrevê-las. Por essa altura já não sentia qualquer depressão, pelo contrário, sentia o que hoje identifico como um começo de euforia.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, quando começa a publicar livros, vários deles escritos muito rapidamente (como se a pressa tivesse aqui uma função, tal como na escrita da tese de doutoramento, escrita em menos de três meses), Pedro Paixão descreve assim o momento (de concluir): &lt;i&gt;"aguentava" até ao seu lançamento, caindo depois, por vezes logo no dia seguinte, em depressão.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se bem que o livro (o objecto) posto cá fora, exposto ao julgamento, à avaliação do Outro tenda a fazê-lo cair em depressão (e isto vai tão longe que o autor diz que chegou mesmo a colocar-se a hipótese - o que mostra como esse Outro exterior é também o mais interior - de ter enganado os nove professores que lhe avaliaram a tese, dado o facto de a ter escrito num tempo tão breve), é também verdadeiro, ao mesmo tempo, um outro aspecto do trabalho artístico. É o que Pedro Paixão descreve da seguinte forma: &lt;i&gt;o caos que o artista sente em si é realizado, isto é, transformado num objecto, para o qual o caos migrou, dele assim, pelo menos temporariamente, se libertando. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que é, finalmente, segundo o autor, aquilo que o faz escrever?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;É a dor, que também pode surgir na forma de paixão, que me faz escrever, porque ao escrever a dor esta se transforma&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;no melhor dos casos, em formas de beleza, que provocam uma particular, embora efémera, satisfação.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se então de &lt;i&gt;sublimação&lt;/i&gt; (segundo o termo que Freud aplicava à arte) ou, pelo contrário, de &lt;i&gt;sinthoma &lt;/i&gt;(como diria Lacan): o &lt;i&gt;sintoma &lt;/i&gt;da escrita? A escrita que liga, como um fio de Ariana, os dois pólos que não sabem um do outro (o eufórico não se lembra do deprimido nem o deprimido do eufórico, como se não fossem uma só pessoa)? Algo de "intermédio" (intermediário?). Com efeito, diz o autor, &lt;i&gt;essa anormal produtividade não se realiza nem no estado depressivo&lt;/i&gt; &lt;i&gt;nem no estado de euforia, mas sim num estado de euforia suave, à qual se chama hipomania&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tempos a tempos, o autor pergunta a si mesmo se a vida teria sido melhor e mais fácil se não sofresse desta patologia, &lt;i&gt;acabando sempre por agradecer &lt;/i&gt;a que tem. &lt;i&gt;Pelo menos, por enquanto. &lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6969112146976060060?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6969112146976060060/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6969112146976060060' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6969112146976060060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6969112146976060060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/02/paixao-da-escrita-ou-escrita-da-paixao.html' title='Paixão da escrita ou escrita da paixão?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TUq6AGVmSvI/AAAAAAAAAiQ/HY8D0XWFGeM/s72-c/pedro-paixc3a3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-860423945178885893</id><published>2011-01-27T11:47:00.000Z</published><updated>2011-01-27T11:47:51.796Z</updated><title type='text'>O poder da pergunta</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TUFZ9n6td0I/AAAAAAAAAiM/R0i2GzXcscc/s1600/goncalom_1286559421.tavares.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="179" src="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TUFZ9n6td0I/AAAAAAAAAiM/R0i2GzXcscc/s200/goncalom_1286559421.tavares.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Gonçalo M. Tavares foi o primeiro convidado do &lt;a href="http://oeiras-a-ler.blogspot.com/2011/01/goncalo-m-tavares-no-cafe-com-letras.html"&gt;Café  com Letras&lt;/a&gt; (Câmara Municipal de Oeiras) em Fevereiro de 2006. Após ter ganho entretanto diversos prémios, entre os quais o  Prémio do Melhor Livro Estrangeiro 2010, em França, com o seu romance  &lt;i&gt;Aprender a Rezar na Era da Técnica&lt;/i&gt;, o escritor voltou a ser entrevistado no mesmo espaço e pelo mesmo entrevistador de então, Carlos Vaz Marques, a propósito dos seus mais recentes livros publicados, no nomeadamente, &lt;i&gt;Uma viagem à Índia. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;A certa altura, falando-se de política, Gonçalo M. Tavares disse mais ou menos o seguinte (e cito de cor): &lt;i&gt;Pensamos que somos livres pelo facto de podermos dizer sim ou não a uma pergunta que nos é feita, quando, pelo contrário, a verdadeira liberdade consistiria em poder escolher a própria pergunta, a nossa pergunta, pois não é certo que as perguntas que nos são feitas tenham algo que ver com os nossos problemas. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na era do "inquérito" (Cf. &lt;i&gt;Matteo perdeu o emprego, &lt;/i&gt;pp. 31-32), do questionário, a liberdade que resta ao sujeito parece ser apenas a de preencher um conjunto de casas vazias de perguntas já-feitas por alguém  suposto saber quais são os nossos problemas e qual seria a boa solução para eles.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dar espaço ao sujeito para que este formule as &lt;i&gt;suas perguntas&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;à sua maneira&lt;/i&gt;; eis o que é hoje também - poderíamos dizer - uma questão política.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-860423945178885893?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/860423945178885893/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=860423945178885893' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/860423945178885893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/860423945178885893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/01/o-poder-da-pergunta.html' title='O poder da pergunta'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TUFZ9n6td0I/AAAAAAAAAiM/R0i2GzXcscc/s72-c/goncalom_1286559421.tavares.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-4427901331349044711</id><published>2011-01-18T14:43:00.000Z</published><updated>2011-01-18T14:43:50.740Z</updated><title type='text'>Uma imensa minoria</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TTWnF4S2vuI/AAAAAAAAAiI/491EvVqGu8E/s1600/250_9789722120814_o_senhor_eliot_e_as_conferencias.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TTWnF4S2vuI/AAAAAAAAAiI/491EvVqGu8E/s200/250_9789722120814_o_senhor_eliot_e_as_conferencias.jpg" width="140" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Era o &lt;i&gt;slogan &lt;/i&gt;de uma rádio que já não existe: &lt;i&gt;para uma imensa minoria. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor Manganelli, organizador das conferências do &lt;i&gt;Senhor Eliot &lt;/i&gt;(um dos últimos livros de Gonçalo M. Tavares) começa por dizer antes de cada conferência, desculpando-se, o seguinte: &lt;i&gt;Hoje não está muita gente.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Hoje não está muita gente nas conferências sobre poesia (quem quer saber disso em momentos de &lt;i&gt;crise&lt;/i&gt;?). Hoje está pouca gente em quase todos os lugares onde o acontecimento não deita fumo, não faz barulho, não&amp;nbsp; explode como um &lt;i&gt;homem-bomba&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há certos lugares, até, onde não há mais do que quatro, cinco pessoas. Não obstante, se estes quatro ou cinco tiverem um desejo decidido, uma energia que não vem dos elementos, eis que podem constituir já uma &lt;i&gt;imensa minoria; &lt;/i&gt;tanto mais que &lt;i&gt;o singular&lt;/i&gt; - como dizia, há vários séculos atrás, quando não havia ainda televisão ou internet, Baltasar Gracián - &lt;i&gt;pode por vezes ser plural, uma pessoa pode ser muitas. Resumir numa coisa ou numa pessoa uma categoria inteira é a mais intensa espécie de singularidade.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanta gente, afinal...&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-4427901331349044711?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/4427901331349044711/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=4427901331349044711' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4427901331349044711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4427901331349044711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/01/uma-imensa-minoria.html' title='Uma imensa minoria'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TTWnF4S2vuI/AAAAAAAAAiI/491EvVqGu8E/s72-c/250_9789722120814_o_senhor_eliot_e_as_conferencias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-2417504255365735555</id><published>2011-01-13T16:45:00.001Z</published><updated>2011-01-13T16:48:18.313Z</updated><title type='text'>Nas nuvens</title><content type='html'>&lt;i&gt;Não estou a ver-me proprietário de uma "nuvem". &lt;/i&gt;Era este o lamento de Franscisco José Viegas, no seu último &lt;i&gt;Diário de ocasião &lt;/i&gt;(Revista Ler, Janeiro 2011), a propósito da recente criação, por parte do &lt;i&gt;Google&lt;/i&gt;, de um leitor (ebook) de livros &lt;i&gt;on line&lt;/i&gt;, sempre acessíveis, uma vez que não estarão alojados num determinado &lt;i&gt;hardware, &lt;/i&gt;mas existirão virtualmente numa "nuvem".&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nuvem (cloud) em questão, embora não existindo fisicamente, é cada vez mais a habitação dos humanos: para comunicar, para ler, para escrever, enfim, para quase tudo. Estar nas nuvens tem qualquer coisa de apelativo, que atrai os corpos para cima, como as árvores, num movimento que desafia a gravidade. Ainda assim, muitos daqueles que gostam mesmo de livros, teimam em resistir ao apelo das nuvens. &lt;i&gt;A nossa vida está a mudar muito rapidamente e sinto-me um reaccionário - &lt;/i&gt;escrevia Francisco José Viegas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;As nuvens &lt;/i&gt;é uma conhecida peça de Aristófanes; mas o que nele era cómico, tornou-se ultimamente um caso&amp;nbsp; sério. Estamos a assistir, progressivamente - e a um ritmo cada vez mais acelerado - à &lt;i&gt;desmaterialização &lt;/i&gt;do mundo. E isso pode dar-nos a ilusão de que o &lt;i&gt;real&lt;/i&gt; - a chuva que cai realmente da nuvem - já não faz estragos. Mas faz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-2417504255365735555?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/2417504255365735555/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=2417504255365735555' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2417504255365735555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2417504255365735555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/01/nas-nuvens.html' title='Nas nuvens'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-7338220539856728633</id><published>2011-01-11T18:33:00.002Z</published><updated>2011-01-11T18:48:12.025Z</updated><title type='text'>Um pau para toda a obra</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TSyiXw4vaVI/AAAAAAAAAiE/Qn69AUrK9zA/s1600/ler.jpeg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TSyiXw4vaVI/AAAAAAAAAiE/Qn69AUrK9zA/s200/ler.jpeg" width="138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Diz-se por aqui (não sei se também é assim no Brasil ou nos outros países que falam português) que há coisas que são "paus para toda a obra". Um pau para toda a obra é uma coisa que serve para tudo, onde cabe tudo, como um recipiente sem fundo ou um armazém que se vai alargando à medida que se enche. Um armazém elástico, por assim dizer, passe a imagem "fálica". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há palavras que são paus para toda a obra, que servem para tudo ou quase. É o caso, por exemplo, da palavra crise. Volta e meia, ela entra de novo na dança e gira como fogo preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela quantidade&amp;nbsp; e qualidade do que já se disse, dos livros e revistas que se venderam em seu nome, dos inúmeros artigos de opinião e debates televisivos consagrados ao tema, é fácil de ver que a CRISE não pára de dar frutos. É muito produtiva! Uma abundância! Há mesmo pessoas e instituições que entrariam em crise se a crise terminasse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a crise não vai terminar porque - como diz o último número da REVISTA LER (Janeiro 2001), &lt;i&gt;ainda agora começou&lt;/i&gt;. &lt;i&gt;&lt;/i&gt;Por isso, vai continuar a dar que PHALAR!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-7338220539856728633?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/7338220539856728633/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=7338220539856728633' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/7338220539856728633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/7338220539856728633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/01/um-pau-para-toda-obra.html' title='Um pau para toda a obra'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TSyiXw4vaVI/AAAAAAAAAiE/Qn69AUrK9zA/s72-c/ler.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-8384134110103043522</id><published>2011-01-05T12:43:00.001Z</published><updated>2011-01-05T14:08:30.475Z</updated><title type='text'>Theatro estático</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TSRm9D5ErII/AAAAAAAAAiA/IPF7pFPIxSg/s1600/f+pessoa.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TSRm9D5ErII/AAAAAAAAAiA/IPF7pFPIxSg/s200/f+pessoa.jpg" width="129" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Num mundo acelerado, há ainda coisas que permanecem obstinadamente lentas: ler certos autores "difíceis", fazer uma análise, escrever... Talvez a lentidão não seja a palavra certa: elas têm o seu ritmo, a sua velocidade própria. Acontece apenas que a velocidade relativa das coisas do mundo nem sempre obedece ao mesmo compasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que o escritor M. Tavares, por exemplo, tenha dito há algum tempo, numa entrevista, que seria preciso ensinar o tédio nas escolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tédio é a sensação de que nada se passa, nada está a acontecer, quando tudo, no mundo, promete ou convida ao acontecimento. Um teatro estático, como diria Pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que vale a pena ler "O Marinheiro" (agora em nova versão da Ática e com introdução, estabelecimento do texto e notas da minha amiga Cláudia F. Souza: uma apaixonada incondicional do poeta dos heterónimos). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pessoa demonstra, aí, que a lentidão ou a imobilidade dos corpos pode atiçar a velocidade do sonho e sei lá que mais. Há "teatros estáticos" que são autênticos viveiros de acontecimentos. Ler para crer!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-8384134110103043522?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/8384134110103043522/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=8384134110103043522' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8384134110103043522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8384134110103043522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2011/01/theatro-estatico.html' title='Theatro estático'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TSRm9D5ErII/AAAAAAAAAiA/IPF7pFPIxSg/s72-c/f+pessoa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-251907715852837015</id><published>2010-12-22T21:40:00.001Z</published><updated>2010-12-22T21:42:26.269Z</updated><title type='text'>A paixão da elucidação</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TRJwHIooznI/AAAAAAAAAh4/Rym4HRt7fBM/s1600/9782917285190.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TRJwHIooznI/AAAAAAAAAh4/Rym4HRt7fBM/s200/9782917285190.jpg" width="118" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Lacan era um psicanalista difícil, diz-se. E é verdade. A sua escrita não convida ao &lt;i&gt;fast food&lt;/i&gt;. À compreensão fácil e apressada. Não se pode ler Lacan a correr. Nem toda a velocidade é adequada para ler qualquer autor. É preciso encontrar a velocidade, o ritmo certos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criou-se a ideia de que era impossível ler Lacan. Tal como o último Joyce, por exemplo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fez Jacques-Alain Miller, ao longo de vários anos, foi mostrar que esta ideia não passa de um mito. Não só é possível ler Lacan como, além do mais, ele é um "autor" cristalino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Significa isto que Miller se limitou a "elucidar"&amp;nbsp; Lacan (como o discípulo que se apaga frente ao brilho do mestre) ou, pelo contrário, que foi trilhando o seu próprio caminho na esteira da "orientação lacaniana? Há um pensamento de Jacques-Alain Miller?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nicolas Floury - Psicólogo clínico e doutorando em filosofia na Universidade de Paris X - responde afirmativamente à questão. Daí que se tenha proposto introduzir-nos ao pensamento de Jacques-Alain Miller.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um livro de fácil leitura, e que mostra que o rigor e a profundidade casam perfeitamente (há casamentos felizes!) com a clareza a a simplicidade de expressão. Foi isto, aliás, o que sempre mostrou o próprio Jacques-Alain Miller. Sem qualquer esquema complicado no seu interior, este é um livro que introduz não só ao pensamento de Miller, como esclarece, de um modo claro, certos pontos obscuros do pensamento de Jacques Lacan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;A ler.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-251907715852837015?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/251907715852837015/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=251907715852837015' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/251907715852837015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/251907715852837015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/12/paixao-da-elucidacao.html' title='A paixão da elucidação'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TRJwHIooznI/AAAAAAAAAh4/Rym4HRt7fBM/s72-c/9782917285190.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-104646842001299694</id><published>2010-12-16T11:42:00.000Z</published><updated>2010-12-16T11:42:51.434Z</updated><title type='text'>"O senhor acontece"</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TQn7Az7xMBI/AAAAAAAAAh0/unjLnDZ6i3k/s1600/carlospintocoelho.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TQn7Az7xMBI/AAAAAAAAAh0/unjLnDZ6i3k/s200/carlospintocoelho.jpg" width="145" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Há um "bairro" muito particular que é habitado apenas por "senhores": &lt;i&gt;O Senhor Valéry, o Senhor Calvino, o Senhor Breton, o Senhor Eliot &lt;/i&gt;e muitos outros. É um bairro em construção. O seu arquitecto é o escritor Gonçalo M. Tavares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os habitantes desse bairro, são, no fundo, &lt;i&gt;nomes &lt;/i&gt;que habitam o lugar da &lt;i&gt;coisa.&lt;/i&gt; Epitáfios. Inscrições tumulares que desenham o contorno de um vazio, elevando à dignidade do significante o que falta no real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Senhor acontece" - como gostava de ser chamado Carlos Pinto Coelho - se bem que não habitasse o "bairro", deixa, também ele, um vazio, em particular no mundo da comunicação social. Era um dos raros nomes que continuava a resistir contra o lixo televisivo que não pára de crescer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um senhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-104646842001299694?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/104646842001299694/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=104646842001299694' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/104646842001299694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/104646842001299694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/12/o-senhor-acontece.html' title='&quot;O senhor acontece&quot;'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TQn7Az7xMBI/AAAAAAAAAh0/unjLnDZ6i3k/s72-c/carlospintocoelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-4348714587909054656</id><published>2010-12-14T15:40:00.000Z</published><updated>2010-12-14T15:40:50.848Z</updated><title type='text'>Discurso da crise</title><content type='html'>Jacques Rancière, em entrevista conduzida por António Guerreiro (Revista "Actual", &lt;i&gt;Expresso&lt;/i&gt;, 11 de Dezembro), estabelecia uma diferença, crucial, entre a "polícia" e a "política".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No discurso "policial" sobre a crise, a "política" demite-se. A ideia é que não há alternativa e, como tal, devemos seguir a via, única, do "consenso", do "politicamente correcto". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a política, mais do que a legitimação ou o exercício "natural" do poder, é uma abertura de "possíveis", tal significa que não tem havido lugar para a política no(s) discurso(s) sobre a crise; apenas a via - inescapável - do pensamento, da solução única: "o economicamente correcto". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos passos vão da "solução única" à "solução final"?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-4348714587909054656?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/4348714587909054656/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=4348714587909054656' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4348714587909054656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4348714587909054656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/12/discurso-da-crise.html' title='Discurso da crise'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-3286825295613652446</id><published>2010-12-02T18:16:00.001Z</published><updated>2010-12-02T18:18:00.026Z</updated><title type='text'>Tudo a céu aberto</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TPfhGRT1jYI/AAAAAAAAAhw/5rTyZ64RdoA/s1600/julian-assange-b8f5.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="131" src="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TPfhGRT1jYI/AAAAAAAAAhw/5rTyZ64RdoA/s200/julian-assange-b8f5.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Procura-se o homem: Julian Assange, o australiano, fundador da Wikileaks, que divulgou documentos que comprometem, em particular, a diplomacia norte-americana. Ele é actualmente uma dor de cabeça monumental para muitos responsáveis (responsáveis?) do planeta.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não se limitou este jornalista a levar à letra aquilo a que Gonçalo M. Tavares chama, no seu último livro, "racionalidade do século XXI"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda quem julgue "que ser racional é pensar. Mas nada disso, pois claro. No século XXI: ser racional é ver" (&lt;i&gt;Matteo perdeu o emprego, &lt;/i&gt;p. 173). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A era do "olho absoluto", das portas escancaradas - para o bem, para o mal, para outra coisa qualquer - está ainda no começo e já faz inúmeros estragos. É o lixo do mundo a vir à tona, a subir de nível, como se diz numa outra história de &lt;i&gt;Matteo perdeu o emprego &lt;/i&gt;("Diamond e o ensino", pp. 41-45).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi-se o pudor, ficou a vida nua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nua?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-3286825295613652446?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/3286825295613652446/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=3286825295613652446' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3286825295613652446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3286825295613652446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/12/tudo-ceu-aberto.html' title='Tudo a céu aberto'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TPfhGRT1jYI/AAAAAAAAAhw/5rTyZ64RdoA/s72-c/julian-assange-b8f5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6386954217353680169</id><published>2010-11-30T18:11:00.005Z</published><updated>2010-11-30T18:22:07.050Z</updated><title type='text'>Andar à roda</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TPU5ZtG2o9I/AAAAAAAAAhs/ZUQdiItomdI/s1600/matteo.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TPU5ZtG2o9I/AAAAAAAAAhs/ZUQdiItomdI/s200/matteo.jpg" width="126" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Se houve coisa que mudou nos últimos anos em Portugal foi o número de rotundas. O país está cheio rotundas. Diminuiu a natalidade, como se pode ver no site &lt;a href="http://www.pordata.pt/azap_runtime/#"&gt;Pordata&lt;/a&gt;, mas não param de nascer rotundas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que serve uma rotunda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;i&gt;Matteo perdeu o emprego, o&lt;/i&gt; último livro de &lt;a href="http://goncalomtavares.blogspot.com/"&gt;Gonçalo M. Tavares -&lt;/a&gt; vencedor do prémio do melhor livro estrangeiro publicado em França em 2010 -&amp;nbsp; há, pelo menos, duas rotundas. Na primeira rotunda, a personagem Aaronson, "entre os vinte e sete e os trinta anos, circula - como um insecto obcecado - em torno de uma rotunda." (p 9). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma rotunda serve, então, para circular. Como diria a polícia - que não entra nesta primeira rotunda - circule, circule.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será por isso que também nós não paramos de circular, de andar à roda, como insectos obcecados, repetindo o refrão de uma música de José Mário Branco, já antiga mas sempre actual, numa altura em que se diz que ele vem, que não vem, que virá, é certo: O FMI?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Enquanto estiver na rotunda não estou perdido, pelo menos não volto atrás. E eis um dos atractivos daquela circulação. (...) Em redor de uma rotunda ninguém volta atrás, ninguém se engana, ninguém tem de assumir o erro e fazer inversão de marcha. A vida, apesar de tudo, é fácil. Numa rotunda." (p. 10).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há uma outra rotunda, a segunda: "uma rotunda, se assim se pode chamar, quadrada" (p. 89). Construída por um estranho arquitecto, de nome Holzberg, ela obriga todo aquele que a contorna a não andar simplesmente à volta. " Em rotundas normais, os automóveis não desenhavam à mão livre, na expressão de Holzberg, mas copiavam; como alguém obediente que faz sem ter a noção do que está a fazer." (p. 89-90).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, este é um livro que não tem apenas duas rotundas, mas é em si mesmo, todo ele, uma rotunda. Uma rotunda quadrada, por assim dizer, graças ao "estilo" singular de Gonçalo M. Tavares.Um livro para todos e para ninguém, como diria Nietzche. E muitíssimo actual, ao mesmo tempo que intempestivo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6386954217353680169?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://goncalomtavares.blogspot.com/' title='Andar à roda'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6386954217353680169/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6386954217353680169' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6386954217353680169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6386954217353680169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/11/andar-roda.html' title='Andar à roda'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TPU5ZtG2o9I/AAAAAAAAAhs/ZUQdiItomdI/s72-c/matteo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-4460641352167066193</id><published>2010-11-23T19:10:00.004Z</published><updated>2010-11-23T19:20:50.274Z</updated><title type='text'>Da ciência dos sonhos ao sonho da ciência</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TOwRiR9jpYI/AAAAAAAAAho/2Dp9KyujDu0/s1600/damasio.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TOwRiR9jpYI/AAAAAAAAAho/2Dp9KyujDu0/s200/damasio.jpg" width="125" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O cientista sonha? Sabemos que o filósofo sonha; por vezes, tem sonhos bem curiosos (veja-se o caso dos famosos "sonhos de Descartes"). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o cientista? Quando alguém como Stephen Hawking, por exemplo, diz que estamos à beira de explicar tudo (coisa que já disse, desdisse e voltou a dizer em momentos diferentes), trata-se ainda de ciência ou já entrámos no domínio do sonho, mais do que isso, da megalomania?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prova de que um cientista também sonha, se houvesse por acaso dúvidas, é dada no último livro do conhecido e prestigiado neurobiólogo António Damásio. A páginas tantas, ao fazer uma pequena incursão pelo "inconsciente freudiano", ele conta um sonho que costuma ter frequentemente e a que chama "pesadelo ligeiro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a psicanálise, o que conta num sonho não é tanto o emaranhado de imagens de que é tecido e o respectivo suporte neuronal, mas o "relato" do mesmo feito pelo sonhador. Qual, então, o relato que é feito por Damásio do "pesadelo breve" que o atormenta de forma recorrente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"As variações giravam sempre em torno do mesmo tema: estou atrasado, tremendamente atrasado e falta-me qualquer coisa essencial. Os meus sapatos podem ter desaparecido; ou a barba não está apresentável e não consigo encontrar a máquina de barbear; ou o aeroporto está fechado devido ao nevoeiro e eu fiquei em terra. Sinto-me torturado, e por vezes embaraçado, como quando (no meu sonho, claro) entrei mesmo em palco descalço (mas num fato Armani). É por isso que até hoje nunca deixo os sapatos à porta de um quarto de hotel para serem limpos." (&lt;i&gt;O Livro da Consciência&lt;/i&gt;, Círculo de Leitores, 2010, p. 225). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrar no palco (no palco?) descalço, mas num fato Armani,&amp;nbsp; tendo a sensação (ou o sentimento?) de que nos falta algo, é um fenómeno perfeitamente explicável do ponto de vista neuronal, ou não será? De qualquer modo, todo o cuidado é pouco com o lugar onde se deixam os sapatos, não vá o diabo tecê-las, como se diz por aqui (também isto será obra dos neurónios...ou do diabo da linguagem, que Damásio remete para segundo plano no grande esquema das coisas?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais recentemente, numa entrevista concedida a Carlos Vaz Marques (Revista &lt;i&gt;Ler&lt;/i&gt;, Novembro 2010, pp. 30-34), Damásio não conta um sonho, mas responde assim a uma pergunta formulada pelo entrevistador:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Vê mesmo que num futuro que ainda não sejamos capazes de prever haja possibilidade de virmos a resolver o mistério último&lt;/b&gt;? "É difícil dizer. Por vezes dá a impressão que sim, outras que não. Claro que a resposta mais lógica seria: "provavelmente não". Mas ao mesmo tempo podemos dizer: "porque não?" (p. 34)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a ciência não avança tão depressa como o cientista (vestido com um fato Armani, e sentindo que está atrasado e que lhe falta algo de essencial) gostaria, resta-lhe ir sonhando o sonho de "compreender tudo" (p. 34).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E "porque não", se é pelo sonho que vamos - como diria o poeta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, há, hoje, sonhos que parecem, no mínimo, "pesadelos ligeiros", ainda que provenham de uma área tão respeitável como a ciência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-4460641352167066193?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/4460641352167066193/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=4460641352167066193' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4460641352167066193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4460641352167066193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/11/da-ciencia-dos-sonhos-ao-sonho-da.html' title='Da ciência dos sonhos ao sonho da ciência'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TOwRiR9jpYI/AAAAAAAAAho/2Dp9KyujDu0/s72-c/damasio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6357119456788061258</id><published>2010-11-23T17:11:00.000Z</published><updated>2010-11-23T17:11:15.117Z</updated><title type='text'>Acto de contr(ad)ição!</title><content type='html'>Esperava-se que após a Irlanda aceitar pedir ajuda financeira, os mercados acalmassem. Esta tem sido, aliás, a retórica dos políticos, da direita à esquerda: &lt;i&gt;pede-se mais sacrifício e aperto, numa voragem sem fim, com vista à acalmia dos mercados.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem: os mercados não acalmam, ficando pelo contrário mais enfurecidos, como se em vez de água lhe tivessem dado a beber gasolina.&lt;br /&gt;&lt;i&gt; &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;O mercado tornou-se uma espécie de deus num mundo sem Deus. Um sujeito-suposto-saber?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia Lacan, algures, torcendo um pouco uma conhecida frase, que "não há fumo sem fumador". Diríamos nós: não há mercado sem mercador (entenda-se, especulador).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se os mercados não acalmam, exigindo sempre mais ainda, não seria altura de os começar a irritar em vez de procurar acalmá-los?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mercado tornou-se - como diria Giorgio Agamben - num "improfanável! Como se já ninguém ousasse tocar-lhe...com receio de ficar manchado ou, então, de sofrer as suas represálias. Pois o mercado é bom e todos nós somos...pecadores. Ajoelhemos, pois!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6357119456788061258?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6357119456788061258/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6357119456788061258' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6357119456788061258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6357119456788061258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/11/acto-de-contradicao.html' title='Acto de contr(ad)ição!'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-3964417497824454319</id><published>2010-11-21T20:22:00.002Z</published><updated>2010-11-23T19:27:53.550Z</updated><title type='text'>Tormenta</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TOl_ejfesTI/AAAAAAAAAhk/QALuYwYPE0k/s1600/index.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="140" src="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TOl_ejfesTI/AAAAAAAAAhk/QALuYwYPE0k/s200/index.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Tive há algum tempo atrás a oportunidade de ver uma exposição de Isabel Garcia na sala de Exposições temporárias do belo Mosteiro de Alcobaça, património da humanidade. O título da exposição remete para a "tempestade" que tanto pode agitar os elementos (físicos) como as ideias. Além disso, ela pode ser vista como uma metáfora dos tempos que correm: (a)tormentados pelas mais diversas "tempestades".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aquilo que me interessou, acima de tudo, não foi tanto a desordem dos elementos que se manifesta através de raios metálicos, pedras de chuva e estrelas (espalhadas, como restos, ao longo da sala de exposição), mas o "poço de luz": uma estrutura cilíndrica em forma de poço, revestida interiormente por vidro espelhado, de tal modo que umas poucas lâmpadas acesas no seu fundo, davam a impressão de se multiplicarem até ao infinito, irradiando luz em todas as direcções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que o escritor japonês Tanizaki (1933) tinha razão: a estética ocidental está voltada para a luz. E não só a estética! Há que iluminar tudo, varrer a sombra do mundo! o imperativo do "olho absoluto"&amp;nbsp; não dá tréguas (ver entrevista, ao lado, de Gérard Wajcman).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal imperativo mostra-se, até, nas mínimas frases, ditas (por exemplo) pelo professor X ao aluno Y: "Ele é um menino apagado".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto quer dizer: ele não se chega à frente, não se expõe como os outros (na era da exposição), não gosta dos brilho dos holofotes, preferindo a sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poder da luz é aqui tão forte - tão inconscientemente forte - que até aqueles que não brilham por se chegarem à frente, por serem como os outros, querem brilhar por serem diferentes, mas querem brilhar de qualquer maneira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade que também há aqueles, em número crescente, que não querem, que preferem não, que não desejam brilhar desta ou daquela forma e que se deixam simplesmente ficar. Apagados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resposta, irónica, à luz, ao olho absoluto que (a)tormenta o século XXI?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-3964417497824454319?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/3964417497824454319/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=3964417497824454319' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3964417497824454319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3964417497824454319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/11/tormenta.html' title='Tormenta'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TOl_ejfesTI/AAAAAAAAAhk/QALuYwYPE0k/s72-c/index.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-4944596317053179965</id><published>2010-11-18T14:03:00.000Z</published><updated>2010-11-18T14:03:56.842Z</updated><title type='text'>Cali-grafias</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TOUyCflzzaI/AAAAAAAAAhg/yms0CUX85t8/s1600/lellomediards01-a266.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="142" src="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TOUyCflzzaI/AAAAAAAAAhg/yms0CUX85t8/s200/lellomediards01-a266.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A Lello (Porto) foi eleita como a terceira melhor (mais bela) livraria do mundo (Lonely Planet´s Best in Travel 2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem nutriu, desde muito cedo, um grande amor pelos livros, esta notícia só pode encher&amp;nbsp; de júbilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aos outros também, embora por razões diversas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma verdadeira cali-grafia arquitectónica, um templo à letra, uma terra da literatura - uma &lt;i&gt;lituraterra&lt;/i&gt;, a Lello.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-4944596317053179965?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/4944596317053179965/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=4944596317053179965' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4944596317053179965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4944596317053179965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/11/cali-grafias.html' title='Cali-grafias'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TOUyCflzzaI/AAAAAAAAAhg/yms0CUX85t8/s72-c/lellomediards01-a266.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-666609737869881399</id><published>2010-11-15T19:12:00.001Z</published><updated>2010-11-15T19:18:39.784Z</updated><title type='text'>Desmedir a felicidade</title><content type='html'>Há cada vez mais políticos e economistas que advogam que deveria medir-se a "felicidade", tal como se mede, por exemplo, o PIB. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma ideia interessante. Na verdade, que importa que o PIB não cesse de crescer (ainda que este não seja o nosso caso, como é sabido) se a felicidade dos indivíduos não pára de murchar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, a ideia de introduzir uma "medida" na felicidade (um conjunto de parâmetros susceptíveis de manipulação) não deixa de arrepiar. A felicidade tornar-se-á cada vez mais uma questão política e económica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, tal como já declaramos os nossos rendimentos, quem nos garante que não vamos ter de declarar, em breve, a nossa felicidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O imperativo da avaliação e da medida não conhece fronteiras. Que liberdade - que felicidade - restará então&amp;nbsp; ao sujeito na era da "loucura quantitativa"?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-666609737869881399?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/666609737869881399/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=666609737869881399' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/666609737869881399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/666609737869881399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/11/desmedir-felicidade.html' title='Desmedir a felicidade'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-3413808015874641872</id><published>2010-11-10T18:10:00.001Z</published><updated>2010-11-10T18:13:09.902Z</updated><title type='text'>O dever de pensar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TNrfnpXQlWI/AAAAAAAAAhc/g6cJmfqx1aE/s1600/BHL.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TNrfnpXQlWI/AAAAAAAAAhc/g6cJmfqx1aE/s200/BHL.jpg" width="126" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O tempo é de crise, diz-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos numa época&amp;nbsp; - dizia Bernard-Henri Lévi no seu último livro - que não é só de crise mas, sobretudo, de uma grande confusão. Uma confusão generalizada. (Cf. &lt;i&gt;De la guerre en philosophie&lt;/i&gt;, p. 7-10).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos que baixam os braços, de um lado, sentindo-se impotentes ante a fugacidade, a liquidez e a completa soltura dos acontecimentos - sem nada que os ancore, que os amarre - respondem, do outro, os imperativos da avaliação, da produtividade, cujo modelo é a azáfama - incansável e inútil (inútil?) - de um formigueiro ou a linha de montagem de carros altamente "cilindrados"... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fazer, então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(...) o dever de pensar, continua de longe, de muito longe, o mais elevado." É ainda Bernard-Henri Lévi que o diz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a guerra da filosofia. Mas será apenas, nesta época de muitas guerras, uma guerra da filosofia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-3413808015874641872?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/3413808015874641872/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=3413808015874641872' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3413808015874641872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3413808015874641872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/11/o-dever-de-pensar.html' title='O dever de pensar'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TNrfnpXQlWI/AAAAAAAAAhc/g6cJmfqx1aE/s72-c/BHL.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6763116276095648169</id><published>2010-11-08T11:25:00.000Z</published><updated>2010-11-08T11:25:28.554Z</updated><title type='text'>Momentos críticos</title><content type='html'>No último número da revista &lt;i&gt;Hurly-Burly&lt;/i&gt;, Jacques-Alain Miller dizia o seguinte acerca da "crise financeira" que tem assolado o mundo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O psicanalista é amigo da crise. Entrar em análise constitui sempre para um sujeito um momento crítico, que corresponde ou revela uma crise." (Cf. "Financial Crisis", &lt;i&gt;Hurly-Brurly, &lt;/i&gt;nº 4, Outubro 2010, p. 203). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo o nome de um "real desencadeado, impossível de dominar", ela é apenas, não obstante, o início de um "trabalho". É a primeira palavra, mas não a última.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6763116276095648169?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6763116276095648169/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6763116276095648169' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6763116276095648169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6763116276095648169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/11/momentos-criticos.html' title='Momentos críticos'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-1139465899995802688</id><published>2010-11-03T11:50:00.000Z</published><updated>2010-11-03T11:50:58.511Z</updated><title type='text'>Darwinismo financeiro</title><content type='html'>Ocorre-me a seguinte imagem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém está caído no chão, com dificuldade de se levantar. Chegam transeuntes (ou não chegam, pois na era na internet não é preciso chegar para chegar) e, em vez de estenderem a mão à pessoa que está caída, começam a pontapeá-la com violência; a cada grito de dor ou de socorro, cresce a intensidade do pontapé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece sádica, a cena; mas é apenas a ilustração - ainda que sádica - do que tem vindo a acontecer a alguns países na era do capitalismo de casino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os analistas - sujeitos supostos saber destas coisas - concordam em que alguns países estão a ser alvo de ataque por parte dos mercados internacionais, da especulação financeira porque são os mais débeis, os elos mais fracos da cadeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Darwin teve o cuidado de nos ensinar: só os mais fortes sobreviverão. Os que dão pontapés!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-1139465899995802688?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/1139465899995802688/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=1139465899995802688' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1139465899995802688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1139465899995802688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/11/darwinismo-financeiro.html' title='Darwinismo financeiro'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-485196263013137242</id><published>2010-11-02T00:00:00.000Z</published><updated>2010-11-02T00:00:44.591Z</updated><title type='text'>Educação impossível</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TM9T_7i9_bI/AAAAAAAAAhY/AioP5m4FryU/s1600/GMT.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TM9T_7i9_bI/AAAAAAAAAhY/AioP5m4FryU/s200/GMT.jpg" width="126" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Na era do "tudo é possível" (Hervé Castanet), o jovem e brilhante escritor Gonçalo M Tavares - um dos melhores que este chão em crise produziu - adverte no seu livro, &lt;i&gt;Uma Viagem à Índia&lt;/i&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E também não há isto:&lt;br /&gt;aprendizagem do imprevisível. Não se ensina&lt;br /&gt;o que não se prevê, o que é óptimo." (Canto IV, p. 179).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-485196263013137242?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/485196263013137242/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=485196263013137242' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/485196263013137242'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/485196263013137242'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/11/educacao-impossivel.html' title='Educação impossível'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TM9T_7i9_bI/AAAAAAAAAhY/AioP5m4FryU/s72-c/GMT.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-1270062550845140610</id><published>2010-10-26T22:48:00.001+01:00</published><updated>2010-10-26T22:57:34.645+01:00</updated><title type='text'>O instrumento conta</title><content type='html'>Numa entrevista concedida ao &lt;i&gt;Jornal de Letras, Artes e Ideias&lt;/i&gt; acerca do seu último livro - &lt;i&gt;Uma viagem à Índia -, &lt;/i&gt;o escritor Gonçalo M. Tavares dava a seguinte imagem: &lt;i&gt;Se alguém sai à rua com um martelo na mão o mundo torna-se em algo de martelável&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O instrumento conta: ele lança na sombra tudo aquilo que está fora do seu raio luminoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o instrumento se chama, por exemplo, "Padrões de Desempenho" (segundo o último Despacho ministerial sobre a avaliação), o mundo transforma-se em algo de "padronizável": com muitos "indicadores" e "descritores", é certo, mas sem nenhuma atenção ao que é imprevisível, imponderável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desprovida da singularidade, a roda do moinho - pedra redonda e pesada - torna-se mais leve e gira mais depressa, uma vez que lhe falta grão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de que serve a uma roda rodar se lhe falta grão?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-1270062550845140610?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/1270062550845140610/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=1270062550845140610' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1270062550845140610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1270062550845140610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/10/o-instrumento-conta.html' title='O instrumento conta'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-2121290491442970523</id><published>2010-10-25T00:59:00.000+01:00</published><updated>2010-10-25T00:59:27.805+01:00</updated><title type='text'>Uma era cínica</title><content type='html'>O humor que se faz tende a resvalar cada vez mais para o "cinismo"; veja-se, por exemplo, o "Tubo de Ensaio" (Bruno Nogueira, TSF) ou aquele programa de que não lembro o nome e em que o mesmo Bruno Nogueira teve um diálogo deveras edificante com o seu entrevistador (?) Rui Unas (cito de cor, pois não me lembro dos termos exactos):&lt;br /&gt;-&amp;nbsp; &lt;i&gt;E se eu te comesse agora&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante a anuência do seu interlocutor, os dois (Nogueira e Unas) parodiam um acto de sodomia ao vivo. No fim, Rui Unas remata do seguinte modo:&lt;br /&gt;- &lt;i&gt;Obrigado por teres sido meigo&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe vai &lt;i&gt;O dito espirituoso nas suas relações com o inconsciente &lt;/i&gt;(como escrevia Freud há pouco mais de um século). O humor é, tradicionalmente, uma curva, um passar ao lado: o caminho mais longo entre dois pontos. Tal como defendiam os antigos "cínicos" - mas sem a convicção destes - o humor que se faz hoje em dia é cada vez mais objectiva e &lt;i&gt;abjectivamente&lt;/i&gt; directo: "o caminho mais curto".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algum tempo atrás, alguém perguntava (creio que ao Bruno Nogueira); &lt;i&gt;há limites para o humor&lt;/i&gt;? Ao que este respondeu&lt;i&gt;: Não! &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sequer o "bom gosto" é já um limite para o humor; basta ouvir algumas emissões do &lt;i&gt;Tubo de Ensaio.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente, a ordem simbólica está a mudar. E o (nosso) humor também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-2121290491442970523?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/2121290491442970523/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=2121290491442970523' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2121290491442970523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2121290491442970523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/10/uma-era-cinica.html' title='Uma era cínica'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-4106947793490747702</id><published>2010-10-14T15:28:00.006+01:00</published><updated>2010-10-14T22:04:06.670+01:00</updated><title type='text'>Amizade líquida</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TLcVL_By0XI/AAAAAAAAAhU/qEclIeSAOWk/s1600/unfriend.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TLcVL_By0XI/AAAAAAAAAhU/qEclIeSAOWk/s200/unfriend.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Costuma dizer-se que uma imagem diz mais do que mil palavras. Talvez por isso, à deflação da palavra tem correspondido uma crescente inflação de imagens; veja-se, por exemplo, a quantidade extraordinária de fotografias, de cenas da vida íntima ou de filmes caseiros que povoam o&amp;nbsp;&lt;i&gt;facebook ou&amp;nbsp;&lt;/i&gt;o&amp;nbsp;&lt;i&gt;Youtube...&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Há palavras, ainda assim, que dizem mais acerca do estado do mundo do que qualquer imagem consegue mostrar. É o caso, por exemplo, do termo "desamigar" (unfriend). Aristóteles, que dedicou inúmeras páginas ao tema da amizade&lt;i&gt;, &lt;/i&gt;teria agora - se fosse vivo - de reescrever a sua &lt;i&gt;Ética a Nicómaco&lt;/i&gt;&amp;nbsp;para que nela coubesse a crescente (des)amizade que assola o mundo...virtual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como diria o poeta, o mundo pula e avança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;Se tudo derrete - e não apenas o gelo dos polos - por que não haveria a amizade também de derreter?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-4106947793490747702?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/4106947793490747702/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=4106947793490747702' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4106947793490747702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4106947793490747702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/10/amizade-liquida.html' title='Amizade líquida'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TLcVL_By0XI/AAAAAAAAAhU/qEclIeSAOWk/s72-c/unfriend.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-4115149685235818658</id><published>2010-10-03T02:50:00.003+01:00</published><updated>2010-10-03T02:57:04.966+01:00</updated><title type='text'>Filme do Desassossego</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TKfgJ1-1R_I/AAAAAAAAAhE/K5JPXdreuY8/s1600/fernando_pessoa_02.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="110" src="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TKfgJ1-1R_I/AAAAAAAAAhE/K5JPXdreuY8/s200/fernando_pessoa_02.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Acabei de regressar, há algum tempo, do CCB. O auditório foi pequeno - literalmente - para tantas pessoas que não queriam perder o último filme de João Botelho, baseado na obra do semi-heterónimo de Fernando Pessoa, Bernardo Soares. Não houve Coca-Cola nem Pipocas (como pedia o realizador), mas um silêncio atento do princípio ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que eu amo o livro de Bernardo Soares desde que o li pela primeira vez, já lá vão mais de vinte anos. Ao longo das inúmeras releituras que fiz deste livro, ele sempre teve a capacidade de me surpreender. Por isso, ia com poucas expectativas; foi o que disse, aliás, a quem me acompanhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez não fosse bem assim - e - como se diz na gíria psicanalítica - tudo não passasse de uma "denegação", isto é, um modo de afirmar, negando. Na verdade, eu tinha muitas expectativas, demasiadas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, talvez por isso, não partilho das várias opiniões (unânimes) expressas nos inúmeras comentários que tive ocasião de ouvir e ler entretanto sobre o filme de João Botelho: magnífico, esplendoroso, sublime...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há sequências magistrais, sem dúvida; fragmentos que valem por si mesmos; desempenhos irrepreensíveis; mas há também inúmeros trechos desenquadrados, inconsequentes e, sobretudo, assentes num mero virtuosismo (exibicionismo?) estético. É um filme demasiado saturado de palavras &amp;nbsp;(por opção deliberada do realizador) e, igualmente, de imagens; mas faltam, para mim, aquelas "intercalações de luz e sombra" (não sei como dizê-lo melhor senão recorrendo a esta frase de Bernardo Soares) que fazem tinir em cada palavra a campainha do silêncio e em cada imagem o brilho do que fica na sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O &lt;i&gt;livro do desassossego&lt;/i&gt; está repleto de vazios, cheio de pequenos nadas, é tecido de intervalos, de meios tons; eu esperava, talvez, que este filme, mais do que reproduzir muitas falas do livro, pondo-as na boca, ora de um, ora de outro personagem, quase sempre do próprio Bernardo Soares (Cláudio da Silva), pudesse "mostrar" um pouco desses intervalos e meios tons. Mostrar o que a palavra roça, contorna, mas não diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu tivesse demasiadas (infundadas?) expectativas. Admito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-4115149685235818658?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/4115149685235818658/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=4115149685235818658' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4115149685235818658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4115149685235818658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/10/filme-do-desassossego.html' title='Filme do Desassossego'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TKfgJ1-1R_I/AAAAAAAAAhE/K5JPXdreuY8/s72-c/fernando_pessoa_02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-8542368847527500467</id><published>2010-09-30T12:21:00.000+01:00</published><updated>2010-09-30T12:21:36.693+01:00</updated><title type='text'>E vai mais um pacote</title><content type='html'>Poderão estas medidas agora tomadas - como último recurso, diz o primeiro&amp;nbsp;ministro&amp;nbsp;- acalmar os mercados? É a pergunta do momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mercado tornou-se numa espécie de&amp;nbsp;monstro&amp;nbsp;caprichoso que nada consegue acalmar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antigamente, era hábito fazer sacrifícios para &amp;nbsp;saciar ou acalmar a fome ou a ira dos deuses agitados; de quando em vez, umas quantas vidas, por exemplo, tinham de ser imoladas à sua voracidade. Lembremo-nos, por exemplo, do Minotauro (esse monstro grego, por sinal) que exigia, para saciar a fome, um "pacote" de rapazes e raparigas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na era do capitalismo, o novo Minotauro é ainda mais exigente, cruel e obsceno: nunca está satisfeito. Pacote atrás de pacote, ele vai exigindo sempre mais ainda, numa voracidade desmedida e insaciável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perante isto, o que fazem os políticos da esquerda à direita, por mais que dancem o tango ou refilem uns com os outros: limitam-se a embalar, com mais ou menos agilidade, o pacote! São meros acólitos do monstro, servidores (in)voluntários deste novo deus obscuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto mais obscuro &amp;nbsp;quanto anda de cara descaradamente destapada e não esconde, sequer, as suas "reais" intenções.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-8542368847527500467?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/8542368847527500467/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=8542368847527500467' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8542368847527500467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8542368847527500467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/09/e-vai-mais-um-pacote.html' title='E vai mais um pacote'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-5619508900580820717</id><published>2010-09-26T00:53:00.006+01:00</published><updated>2010-09-26T01:23:09.694+01:00</updated><title type='text'>O segredo dos seus olhos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TJ6IQpkCMoI/AAAAAAAAAhA/oxShPX8Wj_Q/s1600/secreto-sus-ojos-b.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TJ6IQpkCMoI/AAAAAAAAAhA/oxShPX8Wj_Q/s200/secreto-sus-ojos-b.jpg" width="138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Qual é afinal o segredo? De quem são os olhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o filme de Juan José Campanella - vencedor do Óscar para melhor filme estrangeiro em 2010 - não revela nem uma coisa nem outra. Vai abrindo portas - pode ser isto ou aquilo, deste ou daquele - mas no fim a porta é fechada e o filme termina; talvez porque os olhos - e o segredo que os (en)cerra, que eles (en)cerram - sejam também os nossos, de cada um de nós, que vê este filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um filme magnífico com um enredo aparentemente banal: Benjamin Esposito (Ricardo Darín), reformado da polícia, não sabendo como encher o vazio dos dias e vivendo atormentado pelas circunstâncias de um crime passional ocorrido há vinte e cinco anos atrás, que ele próprio investigara na altura &amp;nbsp;- e, até certo ponto, resolvera - decide escrever um romance para acertar as contas com o passado, incluindo o seu. Também ele tinha um caso por resolver com a sua superiora hierárquica (Irene Menéndes Hastings), a quem - por "temor" - &amp;nbsp;jamais confessara o seu amor. Temia dizer-lhe que a amava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, as várias tentativas de resgatar a história parecem falhar. Vários começos de romance - fazendo lembrar os começos de romance do livro de Italo Calvino &lt;i&gt;Se numa noite de Inverno um viajante - &lt;/i&gt;vão parar ao lixo. Benjamin Esposito não está satisfeito com o resultado. Há algo que falta, que teima em faltar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo meio, há uma palavra que lhe ocorre - palavra sunâmbula, por assim dizer, no limbo entre o sono e a vigília - e cujo sentido permanece em suspenso até ao fim: &lt;i&gt;Temo. &lt;/i&gt;Há igualmente um detalhe engraçado: uma velha Olivetti que não consegue escrever a letra &lt;i&gt;a.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;São pormenores, sem dúvida. Detalhes. Mas talvez a grandeza deste filme resida, precisamente, nos pequenos detalhes. Como os piropos, a veia humorística de Sandoval - o colega e amigo de Esposito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que obceca, afinal, Esposito? Qual a verdade que ele pretende restituir, o segredo que busca desvendar por meio da escrita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, há vinte e cinco anos atrás, com a ajuda inestimável do seu amigo Sandoval, ele acabara por descobrir &amp;nbsp;- e fazer prender - o assassino da bela jovem assassinada; porém, há algo que continua a atormentá-lo (até porque o assassino fora entretanto liberto e vivia sob protecção do regime). Mas não era apenas isso: havia algo, por assim dizer, ainda mais tocante - o amor, a paixão inabalável que ligara para sempre o marido à sua jovem esposa assassinada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é tanto a sombra da melancolia que sobrevive ao luto impossível - como diria Freud - mas o sol da vingança que ilumina o seu acto. Quando, numa das últimas cenas do filme, Esposito faz uma visita ao marido da jovem assassinada, descobre, espantado, que ele mantinha em cativeiro o assassino da sua esposa. Mais do que matá-lo de uma vez por todas, ele queria mantê-lo em "prisão perpétua". Para fazê-lo pagar para sempre - e em silêncio - o castigo do crime hediondo que cometera. Ele sabe que o Inferno não é uma morte rápida, mas um sofrimento lento e perpétuo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À ignorância (obsessiva) de Esposito - na sua busca atormentada pela verdade - responde o amor (também obsessivo) do eterno marido da vítima e, sob aquele, o ódio, a terrível paixão da vingança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Razão tinha Sandoval, o amigo de Esposito, quando justificava o seu próprio comportamento (alcoólico) e o comportamento da maior parte dos homens com o termo: &lt;i&gt;paixão&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(pasión). A paixão do álcool, do amor, do ódio. Ou &amp;nbsp;"gozo": aquilo que move cada um (o violador, o polícia, o escritor, o marido, o vingador...o espectador?) e que faz, para cada um deles, que o universo não seja vão. Ou, pelo menos, aparente não o ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa das últimas cenas, vemos Esposito escrevendo uma letra, como se tivesse de repente descoberto que a letra que a velha Olivetti não conseguia escrever era, precisamente, a única letra que faltava para dar sentido à estranha palavra "temo" que um dia (uma noite) lhe ocorrera: TE&lt;i&gt;aMO&lt;/i&gt;, vemo-lo então escrever; a palavra que nunca ousara dizer à sua colega e superiora Irène Menéndez Hastings.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma letra apenas. Uma vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-5619508900580820717?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/5619508900580820717/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=5619508900580820717' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5619508900580820717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5619508900580820717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/09/o-segredo-dos-seus-olhos.html' title='O segredo dos seus olhos'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TJ6IQpkCMoI/AAAAAAAAAhA/oxShPX8Wj_Q/s72-c/secreto-sus-ojos-b.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-4072095289987923982</id><published>2010-09-15T21:30:00.000+01:00</published><updated>2010-09-15T21:30:39.815+01:00</updated><title type='text'>Para bom atendedor...</title><content type='html'>Mudam-se os tempos, mudam-se as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a substituição de "justa causa" por "razão atendível" não foi bem "entendida" - diz o PSD - foi preciso deslizar um pouco mais na semântica e na pragmática (sobretudo nesta) para chegar à bela e sonante: "razão legalmente atendível".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não voltamos, com isto, ao ponto de partida, no fim de um longo desvio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, diz o PSD. E tem razão, pois não é certo, afinal, que a "razão legal(mente) atendível" nem sempre é uma "causa justa"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para bom entendedor...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-4072095289987923982?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/4072095289987923982/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=4072095289987923982' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4072095289987923982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4072095289987923982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/09/para-bom-atendedor.html' title='Para bom atendedor...'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-5942149602029764665</id><published>2010-09-13T22:22:00.001+01:00</published><updated>2010-09-13T22:27:13.187+01:00</updated><title type='text'>A injusta causa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TI6WFDqCGII/AAAAAAAAAg4/4fRST7F6BDA/s1600/passos-coelho-universidade366430db_400x225.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="112" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TI6WFDqCGII/AAAAAAAAAg4/4fRST7F6BDA/s200/passos-coelho-universidade366430db_400x225.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Como chamar a um projecto de revisão constitucional que prevê o "despedimento sem justa causa", tal como propõe este novo PSD, liderado pelo jovem, mas já maratonista da política, Passos Coelho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo, como se diz, que vivemos num "mundo líquido"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não estará o PSD, como este projecto, a confundir "enliquidescer" com "enlouquecer"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mau começo para quem ainda nem sequer começou. Um mau passo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um descomeço!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-5942149602029764665?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/5942149602029764665/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=5942149602029764665' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5942149602029764665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5942149602029764665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/09/um-mau-passo.html' title='A injusta causa'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TI6WFDqCGII/AAAAAAAAAg4/4fRST7F6BDA/s72-c/passos-coelho-universidade366430db_400x225.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-4334536358125199008</id><published>2010-09-06T17:46:00.002+01:00</published><updated>2010-09-06T17:50:50.715+01:00</updated><title type='text'>Bulimia informativa</title><content type='html'>Ao mesmo parecem chover sobre nós, sem descanso e repetidamente, como gorda saraivada, mil informações diversas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim o mundo globalizado, a era da informação: morreram tantos aqui; incendiou-se um barco além, uma floresta algures; explodiu outro homem-bomba nos lugares do costume; foram pelos ares não sei quantos para lá do sol posto devido a não sei quê; uma bala perdida encontrou o seu destino em alguém - curioso - que andava sem destino, a passear; enfim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo isto em catadupa - e cada vez mais a toda a hora - sem termos tempo para respirar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem não é capaz de mastigar, de absorver tanta e diversa informação ao mesmo tempo: ou a vomita ou a caga. De qualquer modo, expele-a: por enjoo ou indiferença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-4334536358125199008?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/4334536358125199008/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=4334536358125199008' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4334536358125199008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4334536358125199008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/09/bulimia-informativa.html' title='Bulimia informativa'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-2758453970455373352</id><published>2010-07-21T23:37:00.002+01:00</published><updated>2010-09-06T17:22:40.890+01:00</updated><title type='text'>Mais real que a própria realidade</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TEd2hHHFxyI/AAAAAAAAAgo/5QGy1VanxJQ/s1600/globe_email_graphic.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TEd2hHHFxyI/AAAAAAAAAgo/5QGy1VanxJQ/s200/globe_email_graphic.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Tendemos ainda, porventura, a pensar a Internet como um apêndice ou uma espécie de anexo ao mundo real. Dizemos "virtual" como quem diz "aparente". Uma espécie de véu encobrindo a nudez da própria coisa. Um novo manto de Noé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se, não obstante, o "virtual" fosse tão ou mais "real" que a própria realidade que pisamos todos os dias com os nossos pés e vestimos com a nossa fantasia? E se a Internet fosse, hoje, a divisão principal da casa e a realidade - &lt;i&gt;lá fora&lt;/i&gt; - um simples anexo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala-se já de novas &lt;i&gt;patologias&lt;/i&gt;&amp;nbsp;ligadas ao abuso da Internet, mas também de (novas)&amp;nbsp;&lt;i&gt;terapias&lt;/i&gt;&amp;nbsp;que recorrem cada vez mais ao seu uso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;X. fica angustiado cada vez que pensa abrir o email após um fim de semana "desligado"; Y não consegue deixar de pensar no que haverá no email de urgente para resolver, mesmo quando está "desligado". Z. fica inibido quando abre o email e se depara com um sem número de coisas urgentes para resolver...ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exemplos de novas formas de &lt;i&gt;inibição, sintoma e angústia&lt;/i&gt;&amp;nbsp;na era da Internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é Freud, porventura, que carece de um&amp;nbsp;&lt;i&gt;upgrade&lt;/i&gt;, mas a Internet&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;que&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;o torna cada vez mais &lt;i&gt;updated.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-2758453970455373352?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/2758453970455373352/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=2758453970455373352' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2758453970455373352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2758453970455373352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/07/mais-real-que-propria-realidade.html' title='Mais real que a própria realidade'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TEd2hHHFxyI/AAAAAAAAAgo/5QGy1VanxJQ/s72-c/globe_email_graphic.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-1789103988150233661</id><published>2010-07-18T00:51:00.004+01:00</published><updated>2010-07-18T01:04:49.122+01:00</updated><title type='text'>Sugestão para férias, por que não?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TEJBWl6xF9I/AAAAAAAAAgg/7e3tbEnZ3MI/s1600/onfray+freud.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TEJBWl6xF9I/AAAAAAAAAgg/7e3tbEnZ3MI/s320/onfray+freud.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quem preferir outra coisa, poderá eventualmente aproveitar a ocasião para dar uma espreitadela em Freud, o &lt;i&gt;ídolo! &lt;/i&gt;Terá, com certeza, boas surpresas! Proponho, por exemplo, &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.wook.pt/ficha/o-mal-estar-na-civilizacao/a/id/224498"&gt;Mal-estar na civilização&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, um texto já com muitos anos, mas com pouquíssimos cabelos brancos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-1789103988150233661?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/1789103988150233661/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=1789103988150233661' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1789103988150233661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1789103988150233661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/07/sugestao-de-ferias-por-que-nao.html' title='Sugestão para férias, por que não?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TEJBWl6xF9I/AAAAAAAAAgg/7e3tbEnZ3MI/s72-c/onfray+freud.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6883238324260694854</id><published>2010-07-16T17:02:00.002+01:00</published><updated>2010-07-16T17:07:44.115+01:00</updated><title type='text'>Já era previsível</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TECChLZMW0I/AAAAAAAAAgY/TKyXIlTbdw4/s1600/papa.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TECChLZMW0I/AAAAAAAAAgY/TKyXIlTbdw4/s200/papa.jpg" width="178" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Enquanto Michel Onfray ataca a psicanálise "freudiana" como se esta fosse uma religião travestida de ciência, a "verdadeira" religião - católica, apostólica, romana - propõe-se atacar o problema que a tem afligido ultimamente: a pedofilia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, aproveita para reafirmar as suas convicções mais atávicas e pôr em dia o seu catálogo de "pecados". E pecado "grave" não é somente a pedofilia - não é sobretudo a pedofilia - mas a &amp;nbsp;ordenação das mulheres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada de novo, portanto, debaixo do sol, como diria o Eclesiastes. Já era previsível. Afinal, ele sabe, como intelectual que é - falo naturalmente de Bento XVI - que é o cimento &lt;i&gt;unissexual&lt;/i&gt;&amp;nbsp;que tem servido para ligar entre si, para cimentar, os tijolos da instituição. É a exclusão do "outro" sexo (que não o masculino) o que tem assegurado o fortalecimento dos laços entre os "irmãos", unidos pelo mesmo "ideal".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sabe que no dia em que as mulheres forem abertamente admitidas, em pé de igualdade, mas com a sua diferença no seio da igreja, esta "comunidade de irmãos" ficará seriamente em risco e surgirá, sem dúvida, algo de "imprevisível" no seio da igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é essa, precisamente, a beleza da coisa: a sua imprevisibilidade?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6883238324260694854?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6883238324260694854/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6883238324260694854' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6883238324260694854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6883238324260694854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/07/ja-era-previsivel.html' title='Já era previsível'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TECChLZMW0I/AAAAAAAAAgY/TKyXIlTbdw4/s72-c/papa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-8459502472042663614</id><published>2010-07-16T01:29:00.003+01:00</published><updated>2010-07-16T01:35:57.902+01:00</updated><title type='text'>A polémica vai continuar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TD-pN35sZRI/AAAAAAAAAgM/-MEbolOzCos/s1600/onfray1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="91" src="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TD-pN35sZRI/AAAAAAAAAgM/-MEbolOzCos/s200/onfray1.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Afinal de contas, Freud está vivo, continua vivo.&amp;nbsp;Os mortos não são, em princípio, atacados. A não ser por vandalismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quem o prova é o filósofo Michel Onfray: um dos homens do momento, pelo menos em França, pois em Portugal, como dizia há pouco tempo Eduardo Lourenço, nem uma palavra sobre o assunto. O significante "crise" é por aqui hegemónico, não se falando praticamente de outra coisa. A nossa pobreza não é apenas económico-financeira, por certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu último livro - &lt;i&gt;Le Crépuscule d'une idole. L'affabulation fredienne -&lt;/i&gt;&amp;nbsp;ele aplica a Freud o método que já aplicara à história da filosofia: virar do avesso, desmontar, destituir...até fazer ressaltar os podres de um sistema, de uma teoria, de uma "lenda".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michel Onfray é um filósofo para quem a "biografia" não é mera paisagem ou música de fundo. No seu livro "Puissance d'exister", por exemplo, ele faz anteceder as suas reflexões de uma extensa nota autobiográfica onde mostra como a filosofia que se faz não se pode desligar da pessoa que se é, que se foi, que se veio a ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o desejo de "cientificidade" da psicanálise freudiana, ele descobre afinal uma "auto-biografia" do seu autor, uma (má) filosofia... daquele que tanto quisera demarcar-se desta última.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizia Lacan que é aquele que odeia - e não o que ama - que melhor sabe ler. Percebe-se que não é propriamente o amor aquilo que move Michel Onfray. Por isso, há esperança de que ele saiba ler...todos aqueles que destitui, sejam os velhos filósofos ou o velho Freud.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também é verdade - sendo claro, como diz o próprio Onfray, que a (auto)biografia conta e que o ódio é uma das marcas que ficaram indelevelmente gravadas da sua passagem pelo famoso orfanato da infância, dirigido por salesianos, mesmo que ele diga e repita que não guarda qualquer ressentimento - que faz sentido perguntar, como é o caso de Elisabeth Roudinesco, "mas porquê tanto ódio"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se é verdade que o ódio - como mostrou Freud - não é propriamente o contrário do amor (Cf. Pulsões e Suas Vicissitudes), pois o contrário deste é a indiferença, sabemos ao menos que, por enquanto, Freud não é indiferente ao filósofo Michel Onfray.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a coisa vai, por isso, continuar a mexer, a dar que falar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-8459502472042663614?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/8459502472042663614/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=8459502472042663614' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8459502472042663614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8459502472042663614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/07/polemica-vai-continuar.html' title='A polémica vai continuar'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TD-pN35sZRI/AAAAAAAAAgM/-MEbolOzCos/s72-c/onfray1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-7462121638825452325</id><published>2010-07-14T22:31:00.000+01:00</published><updated>2010-07-14T22:31:43.225+01:00</updated><title type='text'>Escrever torto por linhas direitas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TD4sH_WLQ3I/AAAAAAAAAfc/MKqXoJjFNdY/s1600/cristiano-ronaldo-shirtless.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TD4sH_WLQ3I/AAAAAAAAAfc/MKqXoJjFNdY/s200/cristiano-ronaldo-shirtless.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Toda a gente esperava qualquer coisa do Cristiano Ronaldo - um milagre, sei lá! - e, por isso, teria mesmo de haver qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedia-se à bola que entrasse na baliza adversária, mas esta teimava em acertar no poste, na trave ou em passar ao largo (salvo uma rara, acrobática e jocosa excepção).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedia-se ao Ronaldo que demonstrasse em campo - sobretudo em campo - "a potência de existir" (como diria o filósofo hedonista Michel Onfray) que ele aparenta - pelo menos aparenta - demonstrar fora dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como toda a gente pedia muito qualquer coisa e o Cristiano não gosta de defraudar as expectativas, acabou por mostrar, mais uma vez, aquilo de que é capaz (não fosse ele considerado, ainda, um dos melhores "jogadores" do mundo!). E o que fez, então, Cristiano Ronaldo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuspiu para a câmara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cuspiu uma indirecta para o seleccionador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E &lt;i&gt;last but not least&lt;/i&gt;&amp;nbsp;cuspiu para..., quer dizer, anunciou ao mundo que é finalmente pai de uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o golo que faltava! Não importa se é fora do campo, pois é aí mesmo que o nosso Cristiano Ronaldo tem marcado mais pontos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-7462121638825452325?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/7462121638825452325/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=7462121638825452325' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/7462121638825452325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/7462121638825452325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/07/escrever-torto-por-linhas-direitas.html' title='Escrever torto por linhas direitas'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TD4sH_WLQ3I/AAAAAAAAAfc/MKqXoJjFNdY/s72-c/cristiano-ronaldo-shirtless.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-9014034779768328652</id><published>2010-07-12T23:55:00.001+01:00</published><updated>2010-07-12T23:56:20.887+01:00</updated><title type='text'>Escrever direito por linhas tortas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TDudYla1JNI/AAAAAAAAAfU/0gyNsFnSeRQ/s1600/adidas-fifa-jabulani-ball-2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="133" src="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TDudYla1JNI/AAAAAAAAAfU/0gyNsFnSeRQ/s200/adidas-fifa-jabulani-ball-2.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Para além do tão famigerado polvo, fica deste mundial a queixa persistente em relação à bola (Jabulani) fabricada pela Adidas para o mesmo: que não era previsível, que fugia das mãos dos guarda-redes, enfim, que fazia lembrar (houve quem dissesse!) uma bola comprada no supermercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, após um exame levado a cabo por cientistas da NASA, chegou-se à conclusão que a tão criticada bola era, afinal, "perfeita". A mais perfeita que alguma vez se produzira. Uma "esfera quase perfeita" que, sem dúvida, faria as delícias de Aristóteles e c.ª, se por acaso fossem vivos e gostassem de futebol. A sua imprevisibilidade resulta, segundo o estudo referido, do seu grau de perfeição. A uma certa velocidade, ela torna-se imprevisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando sonhamos com uma coisa perfeita tendemos a imaginá-la " como algo que não salta das mãos, que se cola ao pé e, sobretudo, que desenha trajectórias previsíveis, ou seja, que escreve direito por linhas direitas. Mas não é bem mais incrível que a perfeição máxima contenha, afinal, essa imponderabilidade, esse impossível de prever? Que quanto mais perfeita é uma coisa, mais imprevisível se torna?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos a esta hora, quando ainda celebram a vitória, os &lt;i&gt;nuestros hermanos &lt;/i&gt;&amp;nbsp;poderão dizer: &lt;i&gt;ela escreveu direito por linhas tortas&lt;/i&gt;!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-9014034779768328652?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/9014034779768328652/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=9014034779768328652' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/9014034779768328652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/9014034779768328652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/07/escrever-direito-por-linhas-tortas.html' title='Escrever direito por linhas tortas'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TDudYla1JNI/AAAAAAAAAfU/0gyNsFnSeRQ/s72-c/adidas-fifa-jabulani-ball-2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-1463651725476353480</id><published>2010-07-09T13:36:00.001+01:00</published><updated>2010-07-09T13:43:04.254+01:00</updated><title type='text'>Uma boa mãe</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TDcXyLok_TI/AAAAAAAAAfM/G53wcGnpgmQ/s1600/playboy-js-300.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TDcXyLok_TI/AAAAAAAAAfM/G53wcGnpgmQ/s320/playboy-js-300.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A empresa-mãe" não gostou que a versão portuguesa da revista Playboy tivesse o descaramento de brincar com coisas sérias na capa do seu último número, ao fazer do "Evangelho Segundo Jesus Cristo" (o polémico romance de Saramago) a cama onde um homem vestido como Jesus estava junto de uma mulher nua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que a intenção da revista era homenagear Saramago; contudo, a empresa-mãe - como boa mãe que é - não poderia permitir um tal escândalo.&amp;nbsp;Afinal, não se trata &amp;nbsp;de uma mãe qualquer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-se que a revista pode fechar por causa da brincadeira. E não é para menos! De facto, pôr lado a lado Jesus e mulheres nuas ainda vá que não vá - e não seria inédito, aliás -, agora, meter lá no meio o nome de Saramago, o desterrado, é que não!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-1463651725476353480?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/1463651725476353480/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=1463651725476353480' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1463651725476353480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1463651725476353480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/07/uma-boa-mae.html' title='Uma boa mãe'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TDcXyLok_TI/AAAAAAAAAfM/G53wcGnpgmQ/s72-c/playboy-js-300.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-8805422732202777027</id><published>2010-07-08T18:23:00.000+01:00</published><updated>2010-07-08T18:23:35.326+01:00</updated><title type='text'>O problema não é que ele acerte, mas que não consiga duvidar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TDYJZILtU4I/AAAAAAAAAfE/Xoc6SpFHrhw/s1600/magazine+litt%C3%A9raire.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TDYJZILtU4I/AAAAAAAAAfE/Xoc6SpFHrhw/s320/magazine+litt%C3%A9raire.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Diferentemente do polvo, que "acerta" tudo (o que é suposto acertar) e não consta que duvide, nós duvidamos. O ser falante duvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo "líquido", dominado pela incerteza e pelo risco, está aí para ajudar. A civilização torna o sujeito cada vez mais &lt;i&gt;histérico&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(insatisfeito) e, simultaneamente, mais&amp;nbsp;&lt;i&gt;obsessivo&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(sujeito à dúvida permanente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse contexto, faz sentido retornar à questão da dúvida. É o que acontece com o último número da revista &lt;i&gt;Le Magazine Littéraire&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(Nº 499, Julho-Agosto 2010), consagrada ao tema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contrariamente a Descartes, que via na dúvida apenas um caminho provisório para se chegar a uma certeza indubitável, absoluta e definitiva, sendo esta, por assim dizer, a cura para aquela, as coisas podem ser vistas de outro modo: afinal - como se diz na revista citada - "são as certezas que nos enlouquecem" e não a "dúvida".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na página de abertura do &lt;i&gt;dossiê (&lt;/i&gt;48)&lt;i&gt;, &lt;/i&gt;pode&amp;nbsp;ler-se esta bela frase de kant: "Mede-se a inteligência de um indivíduo pela quantidade de incertezas que ele é capaz de suportar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que alguns - como o nosso Pessoa - pudessem dizer: &lt;i&gt;duvido&lt;/i&gt;,&lt;i&gt; logo escrevo&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que eu saiba, nem os mortos nem os animais duvidam. Ou os deuses. Duvidar é um privilégio dos seres seres falantes. Para o seu bem e para o seu mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;Ou não será?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-8805422732202777027?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/8805422732202777027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=8805422732202777027' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8805422732202777027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8805422732202777027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/07/o-problema-nao-e-que-ele-acerte-mas-que.html' title='O problema não é que ele acerte, mas que não consiga duvidar'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TDYJZILtU4I/AAAAAAAAAfE/Xoc6SpFHrhw/s72-c/magazine+litt%C3%A9raire.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-4992823380799346875</id><published>2010-07-07T22:11:00.005+01:00</published><updated>2010-07-07T22:16:37.863+01:00</updated><title type='text'>A voz do polvo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TDTtjlJKBZI/AAAAAAAAAe8/-MTksK9p1QM/s1600/polvo1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="132" rw="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TDTtjlJKBZI/AAAAAAAAAe8/-MTksK9p1QM/s200/polvo1.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Não deixa de ser irónico: quando os políticos não se entendem, os economistas não acertam, a crise não ata nem desata, a incerteza alastra, há um polvo que "adivinha" os resultados do mundial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Adivinhou" que a Espanha ganhava à Alemanha, e não é que ganhou mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, meus caros, sigamos o polvo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já dizia o nosso querido e saudoso Zeza Afonso: &lt;em&gt;O "polvo" é quem mais ordena&lt;/em&gt;!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-4992823380799346875?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/4992823380799346875/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=4992823380799346875' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4992823380799346875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4992823380799346875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/07/voz-do-polvo.html' title='A voz do polvo'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TDTtjlJKBZI/AAAAAAAAAe8/-MTksK9p1QM/s72-c/polvo1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-1921227855323176022</id><published>2010-07-05T19:39:00.000+01:00</published><updated>2010-07-05T19:39:06.039+01:00</updated><title type='text'>Elogio da inutilidade</title><content type='html'>Um grupo de trabalho (ou vários?) prepara-se no Ministério da Educação para mais uma...(adivinhe-se!) &lt;em&gt;reforma educativa. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num primeiro relance, apercebo-me - é só um exemplo! - que a "filosofia" deparece do 10º ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa sempre fez muita comichão a alguns, a muitos. A começar, para os alunos (e não foram outrora os que agora nos governam também alunos?): &lt;em&gt;para que é que isso serve&lt;/em&gt;, perguntam eles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve um tempo em que isso serviu para&amp;nbsp;expandir a cultura humanística, as humanidades, como se dizia. Na era da ciência e da "especialização" que ela implica, as próprias humanidades tendem a ser vistas como&amp;nbsp;uma coisa&amp;nbsp;estranha, atópica, sem lugar: algo que não sabemos exactamente como e onde arrumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, a filosofia é apenas um exemplo. Há cada vez mais disciplinas, teorias e práticas que vão cair em desuso ou serão lançadas para o caixote das "inutilidades" a breve trecho. De resto &lt;em&gt;humanidades &lt;/em&gt;rima com &lt;em&gt;inutilidades.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem-me à memória - enquanto escrevo - um poema de Angelus Silesius:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A rosa é sem porquê,&lt;br /&gt;Floresce porque floresce,&lt;br /&gt;Não cuida de si mesma, &lt;br /&gt;Não pergunta se a vêem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não serão também as coisas "úteis" fundamente inúteis? Como sabê-lo se cada vez mais o questionamento, a capacidade e a liberdade de nos &amp;nbsp;interrogarmos será descartada porque não&amp;nbsp;se encaixa nos critérios dos "especialistas"?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-1921227855323176022?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/1921227855323176022/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=1921227855323176022' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1921227855323176022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1921227855323176022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/07/elogio-da-inutilidade.html' title='Elogio da inutilidade'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-1615747427436789179</id><published>2010-07-01T19:23:00.010+01:00</published><updated>2010-07-01T21:34:16.113+01:00</updated><title type='text'>MAIS, AINDA</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TCzdCLP1LYI/AAAAAAAAAes/OydDhMYKZ2g/s1600/pedro.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" rw="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TCzdCLP1LYI/AAAAAAAAAes/OydDhMYKZ2g/s320/pedro.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as semanas às 10:30 (salvo raríssimas excepções) o Pedro lá estava para dizer algo que é tão raro em Portugal: &lt;em&gt;só vocês e Lacan conseguiriam fazer-me levantar da cama a estas horas&lt;/em&gt;! Ele sabia que o &lt;em&gt;tempo lógico&lt;/em&gt; do desejo não se compadece com o tempo dos relógios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora não soubesse por quanto tempo ainda poderia trabalhar connosco (mas quem sabe?), &amp;nbsp;tal não o impedia de querer sempre &lt;em&gt;mais, ainda &lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante quase um ano "praticámos" mais e ainda um texto difícil - mas extraordinário - de Jacques Lacan: &lt;em&gt;Encore&lt;/em&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele queria despedir-se de nós, mas foi apanhado a meio da frase, ficando esta interrompida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que ainda nos custa - todas as quarta-feiras, às 10:30 - olhar para o lugar, agora vazio - puro significante - que ele ocupava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É para tornar esse vazio um pouco mais habitável que aqui se deixa uma foto do Pedro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-1615747427436789179?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/1615747427436789179/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=1615747427436789179' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1615747427436789179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1615747427436789179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/07/mais-ainda.html' title='MAIS, AINDA'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TCzdCLP1LYI/AAAAAAAAAes/OydDhMYKZ2g/s72-c/pedro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-7439851550066989407</id><published>2010-06-29T18:43:00.000+01:00</published><updated>2010-06-29T18:43:09.676+01:00</updated><title type='text'>A vida sexual de Kant</title><content type='html'>Parece que até os mais avisados acabam, uma vez ou outra, por morder o isco. Foi o caso, por exemplo, do filósofo francês Bernard-Henry Lévy que, no seu livro&amp;nbsp;&lt;i&gt;De la guerre en philosophie,&amp;nbsp;&lt;/i&gt;citou uma suposta obra dedicada à vida sexual de Kant, da autoria de um tal Jean-Baptiste Botul.&amp;nbsp;O filósofo teria de reconhecer, depois, que este autor não passava afinal de uma invenção jornalística.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso parece constituir um bom exemplo de uma velha acusação atribuída a Freud: o "pansexualismo". Ou seja, caricaturando, a tendência a ver sexo em tudo e todos. Ele pode igualmente ser uma boa ilustração dos tempos que correm: ansiosos de ver tudo, de pôr tudo a nu. Até mesmo o que não existe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez a questão seja outra: o que é, afinal, mais estranho? Que Kant tivesse uma "vida sexual" ou que, tal como reza a lenda, nada de semelhante, de "patológico", tivesse abanado, perturbado, feito tremer o edifício lógico, gelidamente racional, em que ele se encerrou?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-7439851550066989407?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/7439851550066989407/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=7439851550066989407' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/7439851550066989407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/7439851550066989407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/06/vida-sexual-de-kant.html' title='A vida sexual de Kant'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6913963112680356913</id><published>2010-06-27T15:41:00.000+01:00</published><updated>2010-06-27T15:41:49.798+01:00</updated><title type='text'>Dizer a verdade e apenas a verdade!</title><content type='html'>"Quem quiser saber a verdade, repito, a verdade, insisto, a verdade (do que eu penso), basta consultar o &lt;i&gt;site &lt;/i&gt;da Presidência da República - lá está toda a verdade!" (O presidente Cavaco Silva, ontem, em resposta aos jornalistas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o apelo de alguém que diz ter como princípios fundamentais, de que não abdica, ser honesto e dizer sempre a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos anos, o psicanalista francês Jacques Lacan iniciou uma emissão televisiva afirmando igualmente dizer &lt;i&gt;sempre &lt;/i&gt;a verdade. &lt;i&gt;Eu digo sempre a verdade, mas não toda, porque dizê-la toda não se consegue. Dizê-la toda é impossível materialmente: faltam palavras. &lt;/i&gt;("Televisão", &lt;i&gt;Outros Escritos&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serão mais perigosos aqueles que não dizem a verdade ou aqueles que têm a ilusão de poder dizê-la toda?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6913963112680356913?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6913963112680356913/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6913963112680356913' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6913963112680356913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6913963112680356913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/06/dizer-verdade-e-apenas-verdade.html' title='Dizer a verdade e apenas a verdade!'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-8580407994587180311</id><published>2010-06-21T20:27:00.002+01:00</published><updated>2010-06-21T20:31:34.287+01:00</updated><title type='text'>Até onde pode chegar a loucura...quantitativa?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TB-9HwrAdjI/AAAAAAAAAek/hvIIbVWqsnk/s1600/tesometro.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TB-9HwrAdjI/AAAAAAAAAek/hvIIbVWqsnk/s200/tesometro.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Confesso a minha ignorância: desconhecia a existência de tal coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ao passear pelas ruas de uma cidade do Sul do Brasil que deparei com um...&lt;i&gt;Tesômetro&lt;/i&gt;: um objecto suposto medir a &lt;i&gt;intensidade da paixão&lt;/i&gt;, segundo a legenda. Como vim depois a saber, este objecto não é tão inédito assim. Basta procurar no Google (ferramenta onde quase tudo se acha, excepto o "remédio" para a "crise" que vem afectando a Europa) para encontrar abundantes e ilustrativas referências ao dito objecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivemos, sem sombra da dúvida, na era da avaliação: tudo tem de ser medido, avaliado, quantificado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de tanta "loucura", restará ainda alguma espécie de "paixão" para medir?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-8580407994587180311?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/8580407994587180311/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=8580407994587180311' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8580407994587180311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8580407994587180311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/06/ate-onde-pode-chegar.html' title='Até onde pode chegar a loucura...quantitativa?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TB-9HwrAdjI/AAAAAAAAAek/hvIIbVWqsnk/s72-c/tesometro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-5849218785182014696</id><published>2010-06-18T14:47:00.004+01:00</published><updated>2010-06-18T21:30:17.685+01:00</updated><title type='text'>A morte serve para continuarmos a viver, muito simplesmente</title><content type='html'>A frase é de José Saramago, que nos deixou hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos dias, a morte levou &amp;nbsp;duas pessoas que eu estimava muito: um escritor, de quem eu era leitor assíduo, e um colega e amigo - Pedro Lau Ribeiro, fundador de SPPB - com quem eu &amp;nbsp;trabalhava e confraternizava semanalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saramago deixou um livro inacabado - ainda que a sua obra estivesse "fechada", como se dizia hoje na rádio; o Pedro deixou um desejo...inacabado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um e outro estiveram "vivos" até ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles continuarão a "viver" em nós, leitores e amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a sua morte seja uma inspiração para continuarmos a viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito simplesmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-5849218785182014696?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/5849218785182014696/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=5849218785182014696' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5849218785182014696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5849218785182014696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/06/morte-e-para-continuarmos-viver-muito.html' title='A morte serve para continuarmos a viver, muito simplesmente'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-4680948218087991528</id><published>2010-06-17T22:02:00.001+01:00</published><updated>2010-06-17T22:46:34.357+01:00</updated><title type='text'>In-disciplina</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TBqXsHfcEqI/AAAAAAAAAec/kC3kDWRnsas/s1600/savaterrrrr.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TBqXsHfcEqI/AAAAAAAAAec/kC3kDWRnsas/s320/savaterrrrr.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, sans-serif;"&gt;É uma frase do conhecido filósofo espanhol Fernando Savater: uma "autoridade" apreciada, lida e recomendada em muitas escolas portuguesas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, sans-serif;"&gt;É a frase que abre um texto sobre o problema da indisciplina nas escolas e reza assim: "o aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #1f497d; font-family: Arial, sans-serif;"&gt;."&lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, sans-serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 115%;"&gt;O texto de Savater é interessante, levanta muitas questões pertinentes, apela ao envolvimento de toda a sociedade na resolução do problema, mas parece-me que - tal como acontece em outros domínios - que se continua aqui no JOGO DO EMPURRA: a culpa é dos pais, a culpa é dos professores; no meio disto tudo tende a esquecer-se que tanto uns como outros, pais e professores, família e escola, também têm estado em mutação, juntamente com a sociedade, o país, a Europa, o mundo. Nos "tempos líquidos" que vivemos (Zygmunt Bauman), é preciso, talvez, "liquefazer" também, um pouco, o nosso modo de pensar e agir. Não podemos ser demasiado "sólidos" (rígidos), apelando aos velhos esquemas e respostas, quando o mundo se tornou "líquido". É preciso inventar novas soluções, não se limitando a repisar os caminhos já percorridos.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color: black; font-family: Arial, sans-serif; font-size: 11pt; line-height: 115%;"&gt;É uma ideia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-4680948218087991528?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/4680948218087991528/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=4680948218087991528' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4680948218087991528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4680948218087991528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/06/in-disciplina.html' title='In-disciplina'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TBqXsHfcEqI/AAAAAAAAAec/kC3kDWRnsas/s72-c/savaterrrrr.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-835969475211893575</id><published>2010-06-04T18:07:00.003+01:00</published><updated>2010-06-04T18:09:46.500+01:00</updated><title type='text'>Vanitas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TAkym3W3-_I/AAAAAAAAAeU/T698PzYZLV0/s1600/gadgets-734223.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TAkym3W3-_I/AAAAAAAAAeU/T698PzYZLV0/s200/gadgets-734223.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em 1973, no &lt;i&gt;Seminário Encore&lt;/i&gt;, o psicanalista Jacques Lacan escrevia o seguinte: "o discurso científico engendrou toda a espécie de instrumentos que é preciso (...) qualificar de &lt;i&gt;gadgets. &lt;/i&gt;Vós sois de ora avante, infinitamente mais do que podereis pensá-lo, sujeitos de instrumentos que, do microscópio à rádio-televisão, se tornam elementos da vossa existência." (Lição de 13 de Março de 1973).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados que são mais de trinta anos sobre o dito de Lacan, na era da Internet, a "realidade" está aí para confirmar o poder...do discurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capitalismo e ciência dão-se as mãos para (in)satisfazer o desejo e mergulhar o sujeito num banho de "objectos" descartáveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-835969475211893575?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/835969475211893575/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=835969475211893575' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/835969475211893575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/835969475211893575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/06/vanitas.html' title='Vanitas'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/TAkym3W3-_I/AAAAAAAAAeU/T698PzYZLV0/s72-c/gadgets-734223.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-367312337919978885</id><published>2010-05-27T14:34:00.001+01:00</published><updated>2010-05-27T14:34:11.923+01:00</updated><title type='text'>A economia nervosa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S_50nrLY3PI/AAAAAAAAAeM/ZIrRun3PPr0/s1600/ulrich+beck.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S_50nrLY3PI/AAAAAAAAAeM/ZIrRun3PPr0/s320/ulrich+beck.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Numa economia "nervosa", a grande escala, tende porventura a acontecer o mesmo que ao nível da "microfísica": quando se pretende "avaliar" &lt;i&gt;objectivamente&amp;nbsp;&lt;/i&gt;um determinado fenómeno acaba por se influenciar o comportamento do mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será também o que sucede com as empresas de &lt;i&gt;Rating&lt;/i&gt;: ao pretenderem avaliar o "risco" da dívida deste ou daquele país não influenciarão - e, mais do que isso, determinarão - o seu próprio comportamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estaremos, então, perante aquilo que se chama - em particular no domínio da educação - uma&amp;nbsp;&lt;i&gt;profecia auto-realizada&lt;/i&gt;: os países &lt;i&gt;considerados &lt;/i&gt;em risco acabam mesmo - quer estejam ou não verdadeiramente em risco à partida - numa tal situação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis um dos paradoxos na era da "avaliação" (Jacques-Alain Miller) e da "sociedade do risco" (Ulrich Beck).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-367312337919978885?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/367312337919978885/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=367312337919978885' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/367312337919978885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/367312337919978885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/05/economia-nervosa.html' title='A economia nervosa'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S_50nrLY3PI/AAAAAAAAAeM/ZIrRun3PPr0/s72-c/ulrich+beck.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6961032078985420790</id><published>2010-05-24T21:28:00.003+01:00</published><updated>2010-05-24T22:51:47.816+01:00</updated><title type='text'>Tudo a nu...</title><content type='html'>Toda a gente fala, contra ou a favor, da jovem professora, Bruna Real, que acabou afastada das actividades lectivas por ter posado na revista Playboy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa escola alemã da Hungria, uma jovem professora decidiu animar os seus alunos fazendo um &lt;i&gt;streaptease.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Há algum tempo atrás, uma conhecida cientista e professora portuguesa &amp;nbsp;fez uma&lt;i&gt; exposição&amp;nbsp;&lt;/i&gt;com a matéria prima dos seus próprios orgasmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em breve assistiremos, com toda a certeza, a outras manifestações do género: &amp;nbsp;numa &lt;i&gt;sociedade da transparência, &lt;/i&gt;haverá cada vez mais desejo de ver e ser visto, de dar-se a ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que não deixam de ser, no mínimo, estranhas e paradoxais algumas reacções de indignação perante o caso da professora que posou na &lt;i&gt;Playboy.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Mas não será, por outro lado - como acontece nalgumas comunidades com a reivindicação do uso do &lt;i&gt;véu&lt;/i&gt;&amp;nbsp;numa era supostamente dessacralizada - que estamos aqui perante algo que faz parte intrínseca da própria sexualidade&lt;i&gt;: &lt;/i&gt;o retorno do "escuro" na era do "claro"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é, na verdade, um domínio onde o claro-escuro é rei e senhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6961032078985420790?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6961032078985420790/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6961032078985420790' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6961032078985420790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6961032078985420790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/05/tudo-nu.html' title='Tudo a nu...'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6444800806656710945</id><published>2010-05-24T20:43:00.001+01:00</published><updated>2010-05-24T20:47:09.186+01:00</updated><title type='text'>A nova panaceia</title><content type='html'>Na era da "loucura quantitativa", a "avaliação" surge como uma espécie de nova panaceia: pretende-se avaliar tudo e todos, acreditando, dessa forma, restituir ao mundo a &lt;i&gt;confiança&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e a &lt;i&gt;garantia &lt;/i&gt;perdidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prova de que a "avaliação" pode chegar a ser uma ideologia e, mais do que isso, uma verdadeira impostura, é visível nas chamadas empresas de &lt;i&gt;rating&lt;/i&gt;, que tantos estragos têm causado nos últimos tempos, em particular na economia e nas finanças europeias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há já quem fale na necessidade de "avaliar" a "avaliação" levada a cabo por estas empresas "avaliadoras". Seria preciso, talvez, revisitar Aristóteles para entender que estamos aqui ante o perigo de uma "regressão ao infinito": a avaliação precisa de ser avaliada; por sua vez, a avaliação da avaliação precisa de ser avaliada; e por aí fora até...ao infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beco sem saída, portanto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É natural, por conseguinte, que até a economia ande &lt;i&gt;nervosa&lt;/i&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6444800806656710945?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6444800806656710945/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6444800806656710945' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6444800806656710945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6444800806656710945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/05/nova-panaceia.html' title='A nova panaceia'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-2632453083563343174</id><published>2010-05-14T17:58:00.000+01:00</published><updated>2010-05-14T17:58:15.717+01:00</updated><title type='text'>Que pensaria Marx</title><content type='html'>Diz-se&amp;nbsp;por aí que os mercados andam "nervosos", "deprimidos"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é isto: economia ou psicologia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pensaria Marx desta linguagem?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-2632453083563343174?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/2632453083563343174/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=2632453083563343174' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2632453083563343174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2632453083563343174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/05/que-pensaria-marx.html' title='Que pensaria Marx'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-8073862646565320929</id><published>2010-05-13T11:55:00.001+01:00</published><updated>2010-05-13T11:57:16.565+01:00</updated><title type='text'>Mudam-se os tempos...</title><content type='html'>&lt;i&gt;Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;Quem não conhece este famoso verso do poeta Luís Vaz de Camões?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, ao ver o mar de gente que se espraiou em Fátima, dei comigo a pensar: ainda que mudem os tempos, a "vontade" permanece igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizendo de outro modo: se bem que mudem as vontades, o "desejo" mantém-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então: mesmo quando o desejo parece mudar, eternamente deslocalizado de si mesmo, há uma estranha satisfação (um gozo, dizia Lacan no seguimento de Freud) que nos mantém inertes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A prova está no ritornelo, no refrão que teima em repetir-se, indiferente à mudança e à passagem do tempo: &lt;i&gt;Fado, &lt;/i&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Fátima &lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;e Futebol.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fátima é o que se vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O futebol vem aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o fado...é ainda mais antigo que a República.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-8073862646565320929?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/8073862646565320929/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=8073862646565320929' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8073862646565320929'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/8073862646565320929'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/05/mudam-se-os-tempos.html' title='Mudam-se os tempos...'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6898434733620195439</id><published>2010-05-12T00:35:00.001+01:00</published><updated>2010-05-12T00:36:58.966+01:00</updated><title type='text'>Do pior ao pai</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S-npX8SYyPI/AAAAAAAAAeA/p9VW8S6sNOQ/s1600/papatpaco.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="133" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S-npX8SYyPI/AAAAAAAAAeA/p9VW8S6sNOQ/s200/papatpaco.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Em tempo de crise "permanente" - como outrora se dizia da revolução - o apelo a um "pai" - se bem que os pais de agora já não sejam exactamente como eram - volta a juntar multidões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bento XVI está em Portugal e trouxe com ele o barco do "sentido" - como se ouviu, hoje, no seu discurso inaugural - e garantiu, na missa que celebrou junto ao Tejo, na Praça do Comércio, que nenhuma força adversa &amp;nbsp;poderá destruir a igreja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem os recentes casos de pedofilia no seu próprio seio, nem a ciência ou o capitalismo vigentes conseguiram destronar o fervor religioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O futuro de uma ilusão" (Freud) está à vista: inabalável, triunfante. Com a vinda do Papa assistimos, não ao declínio, mas ao "triunfo da religião" (Lacan).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6898434733620195439?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6898434733620195439/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6898434733620195439' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6898434733620195439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6898434733620195439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/05/do-pior-ao-pai.html' title='Do pior ao pai'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S-npX8SYyPI/AAAAAAAAAeA/p9VW8S6sNOQ/s72-c/papatpaco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6882592502283306521</id><published>2010-05-07T16:30:00.002+01:00</published><updated>2010-05-07T18:40:26.182+01:00</updated><title type='text'>Fala quem sabe</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S-QwtM5W-eI/AAAAAAAAAd4/-fUTULBN3Jg/s1600/cavaco1.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S-QwtM5W-eI/AAAAAAAAAd4/-fUTULBN3Jg/s320/cavaco1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Comentando algumas vozes críticas da sua posição adversa relativamente às "grandes obras públicas" e, em particular, ao facto de se preparar para ouvir sobre o assunto um grupo de ex-ministros das finanças que se opõem abertamente a tais investimentos, o Presidente da República, num tom algo jocoso, entre o desplante e o enfado, &amp;nbsp;disse o seguinte (e cito de cor): &lt;i&gt;Eu sei muito bem o que estou a fazer. Esta é uma matéria de que ainda não me esqueci.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Mas será que o Sr Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor em Economia, Cavaco Silva, ainda não ouviu dizer que os mercados andam "nervosos"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de "saber" muito de economia - mas alguém pode dizer que sabe muito de economia nos tempos que correm? - o Sr Presidente não sabe muito de literatura; competência, como sabemos - eis algo que se pode ainda &amp;nbsp;saber - da sua querida esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se soubesse um pouco mais de literatura - ele que até é conhecido como uma pessoa cuidadosa e prudente, fazendo, por assim dizer, a "economia" das palavras - poderia citar Baltasar Gracián, dizendo por exemplo: &lt;i&gt;atenção, meus caros, é preciso, nos tempos que correm, uma certa "arte da prudência".&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Mas nada: ele parece querer abordar a nova economia "nervosa" com os velhos instrumentos do "Discurso de Método", de Descartes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, no entanto, ele também sabe...que já não sabe nada, como diria Sócrates (refiro-me ao verdadeiro, o grego, não a qualquer simulacro). Com efeito, na sequência do mesmo comentário, e tendo como pano de fundo os milhões emprestados pela União&amp;nbsp;Europeia&amp;nbsp;e pelo FMI à Grécia, o Sr Presidente desabafou: &lt;i&gt;Se isto não consegue acalmar os mercados, então o que conseguirá&lt;/i&gt;? &lt;i&gt;Foi a pergunta que eu mesmo coloquei ao Sr Trichet&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(presidente do Banco Central Europeu - Sujeito-Suposto-Saber...de finanças e economia mais &amp;nbsp;do que ninguém) &lt;i&gt;e ele teve dificuldade em responder &lt;/i&gt;(quem diria?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como "acalmar os mercados"...que andam tão agitados, tão sensíveis, tão "nervosos": lançando mais "gasolina" na fogueira (como fazem as empresas de &lt;i&gt;Rating), vendo-se grego&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(como os gregos) ou com tiradas destas (como as do nosso querido Presidente)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venha o &lt;i&gt;o Senhor das Moscas&lt;/i&gt;&amp;nbsp;- ou o diabo, se preferirem - e escolha!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6882592502283306521?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6882592502283306521/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6882592502283306521' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6882592502283306521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6882592502283306521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/05/fala-quem-sabe.html' title='Fala quem sabe'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S-QwtM5W-eI/AAAAAAAAAd4/-fUTULBN3Jg/s72-c/cavaco1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-6265498133127625599</id><published>2010-05-07T11:21:00.000+01:00</published><updated>2010-05-07T11:21:37.153+01:00</updated><title type='text'>A loucura dos mercados</title><content type='html'>Diz-se que os mercados andam "nervosos"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a &lt;i&gt;psicologização &lt;/i&gt;do mundo e da vida a chegar à economia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-6265498133127625599?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/6265498133127625599/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=6265498133127625599' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6265498133127625599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/6265498133127625599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/05/loucura-dos-mercados.html' title='A loucura dos mercados'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-9053913244426824075</id><published>2010-05-03T20:35:00.000+01:00</published><updated>2010-05-03T20:35:15.496+01:00</updated><title type='text'>WWW</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S98kSw2RvDI/AAAAAAAAAdw/B_VJKoHoEZM/s1600/homensmulherespsi.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S98kSw2RvDI/AAAAAAAAAdw/B_VJKoHoEZM/s320/homensmulherespsi.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Será que a resposta à velha questão freudiana "O que quer a mulher?" (&lt;b&gt;W&lt;/b&gt;as &lt;b&gt;W&lt;/b&gt;ill das &lt;b&gt;W&lt;/b&gt;eib) se tornou mais fácil na era da &lt;b&gt;&lt;i&gt;W&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;orld &lt;/i&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;W&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;ide &lt;/i&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;W&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;i&gt;eb&lt;/i&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É em torno desta e de outras questões similares que irão decorrer as próximas jornadas do &lt;b&gt;C&lt;/b&gt;entro de &lt;b&gt;E&lt;/b&gt;studos de &lt;b&gt;P&lt;/b&gt;sicanálise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É já no próximo dia 15 de Maio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mais informações, consultar o site da &lt;a href="http://acfportugal.com/"&gt;Antena do Campo Freudiano&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-9053913244426824075?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/9053913244426824075/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=9053913244426824075' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/9053913244426824075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/9053913244426824075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/05/www.html' title='WWW'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S98kSw2RvDI/AAAAAAAAAdw/B_VJKoHoEZM/s72-c/homensmulherespsi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-5883100513318973821</id><published>2010-04-28T18:58:00.002+01:00</published><updated>2010-04-28T20:02:40.060+01:00</updated><title type='text'>Navegar à deriva na era do GPS</title><content type='html'>"Comissões de ética" (no Parlamento), "empresas de &lt;em&gt;rating&lt;/em&gt;"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novos simulacros de bússula num mundo desbussolado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como podem tais bússulas querer indicar o Norte se de cada vez que se procunciam o mundo fica ainda mais atordoado, mais&amp;nbsp;baralhado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parafraseando o poeta (quem diria?), entrámos a todo o vapor na era do "desassossego".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-5883100513318973821?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/5883100513318973821/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=5883100513318973821' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5883100513318973821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5883100513318973821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/04/comissoes-de-etica-no-parlamento.html' title='Navegar à deriva na era do GPS'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-5037275551446707131</id><published>2010-04-23T11:21:00.001+01:00</published><updated>2010-04-23T11:28:23.438+01:00</updated><title type='text'>Jogos perigosos</title><content type='html'>Em época de crise, em que tudo parece devir incerto, liquefazer-se (Zygmunt Bauman), faltando uma instância Outra que possa garantir ou dar confiança ao(s) sujeito(s) - na era do risco e da desconfiança generalizada - o modo como algumas vozes continuam a pregar no deserto as virtualidades do "mercado" faz lembrar uma nova (velha) religião. A alternativa costuma ser posta nos seguintes termos: os que "acreditam" e os que não "acreditam" no mercado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece, porém, que nenhuma religião (como se tem visto ultimamente a céu aberto) está isenta de "pecado", muito menos a sacrossanta religião capitalista do mercado. Como dizia o velho Pascal, no domínio da fé, o que conta é a "aposta"; &amp;nbsp;o mesmo se poderia dizer, por maioria de razão, do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S9FzDviwLtI/AAAAAAAAAdY/uLuKmfIVvyc/s1600/dow-jones.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S9FzDviwLtI/AAAAAAAAAdY/uLuKmfIVvyc/s200/dow-jones.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Durante uma emissão de rádio que eu tive oportunidade de escutar há alguns dias atrás (Rádio Clube Português), o sub-director do &lt;i&gt;Diário Económico, &lt;/i&gt;respondendo a uma questão sobre a tentativa do Estado de limitar, ou mesmo diminuir, o salário de alguns gestores, defendia que tal não deveria acontecer. Questionado pelo locutor se tais salários, em momento de crise e dificuldade para os portugueses, não eram uma vergonha, ele respondeu: &lt;i&gt;goste-se ou não, o capitalismo funciona assim&lt;/i&gt;. Ao que acrescentou: &lt;i&gt;não se questionam da mesma forma os salários escandalosos de certos jogadores, como Messi ou Ronaldo, por exemplo.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;Voilà: o capitalismo - e e tão apregoada "lei do mercado" - é comparável a um jogo, basicamente um jogo. Um jogo em que a "aposta" é (quase) tudo. Um jogo cada vez mais perigoso, como se tem visto pelos seus &amp;nbsp;efeitos, reais, um pouco por todo o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S9F1o45YdOI/AAAAAAAAAdo/7wxMUutrs9U/s1600/diamond-casino-macau.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S9F1o45YdOI/AAAAAAAAAdo/7wxMUutrs9U/s200/diamond-casino-macau.jpg" width="150" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Talvez, por isso, o enorme sucesso da China: um país "comunista" celebrando festivamente e à grande (se bem que não à francesa, apesar das "imitações"!) o triunfo do "capitalismo" e do "jogo". O jogo do capitalismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-5037275551446707131?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/5037275551446707131/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=5037275551446707131' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5037275551446707131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/5037275551446707131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/04/jogos-perigosos.html' title='Jogos perigosos'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S9FzDviwLtI/AAAAAAAAAdY/uLuKmfIVvyc/s72-c/dow-jones.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-7098534944363592127</id><published>2010-04-16T13:27:00.002+01:00</published><updated>2011-06-29T13:09:23.388+01:00</updated><title type='text'>A ponta do iceberg</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;Tem-se falado muito, nos últimos tempos, da pedofilia no seio da igreja católica. Como o vulcão da Islândia, que vai ensombrando com seu manto de cinza os céus do Norte da Europa, levando ao encerramento de muitos aeroportos do velho continente, também a cinza do escândalo vai ensombrando a velha instituição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas há algo verdadeiramente novo debaixo do sol?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é novo não é a &lt;i&gt;coisa &lt;/i&gt;propriamente dita - basta ver uma simples exposição sobre instrumentos de tortura concebidos no tempo da Inquisição, por exemplo, para nos apercebermos a que ponto chegava a mente&amp;nbsp;&lt;i&gt;perversa&lt;/i&gt;&amp;nbsp;daqueles homens -, mas a sua&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;exposição, a sua visibilidade a céu aberto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejamos claros: isto é apenas a ponta do iceberg. A "sociedade da transparência" vai exigir sempre "mais, ainda", como se fosse possível ver tudo, expor tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece ridículo, por isso, que a igreja tente enviar a bola para os homossexuais ou estes reenviá-la para a igreja. A &lt;i&gt;coisa &lt;/i&gt;propriamente dita está em toda a parte, como se dizia outrora do bom velho Deus. Outras igrejas se juntarão à católica - pois não adiante dizer que este é um problema "católico" ou "protestante", "homo" ou "hetero", "casado" ou "celibatário"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como na pesca de "arrasto", quando a rede passa leva tudo com ela. Ou quase. E tudo será cada vez mais apanhado na rede da &lt;i&gt;hipervisibilidade. &lt;/i&gt;Como recordava Gérad Wijcman, há algum tempo (Cf. &lt;i&gt;L'Oeil Absolu&lt;/i&gt;), não se pode conter este processo inevitável, imparável - apesar dos esforços abnegados de alguns -, mas apenas &lt;i&gt;mostrá-lo.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;Por isso, uma passo mais, ainda!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-7098534944363592127?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/7098534944363592127/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=7098534944363592127' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/7098534944363592127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/7098534944363592127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/04/ponta-do-iceberg.html' title='A ponta do iceberg'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-2911856466371542382</id><published>2010-03-25T12:03:00.010Z</published><updated>2010-03-25T22:25:28.339Z</updated><title type='text'>Um novo "fetiche"?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S6tO9-cFffI/AAAAAAAAAdA/P1ELDvJGD-Y/s1600/liquid+modernity2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" nt="true" src="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S6tO9-cFffI/AAAAAAAAAdA/P1ELDvJGD-Y/s320/liquid+modernity2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para fazer eventualmente face à angústia que mina o sujeito e&amp;nbsp;o mundo contemporâneos, sem vínculos ou garantias&amp;nbsp;que os sutentem de forma sólida (a nossa modernidade tornou-se "&lt;a href="http://www.amazon.com/Liquid-Modernity-Zygmunt-Bauman/dp/0745624103#reader_0745624103"&gt;líquida&lt;/a&gt;", no dizer de Zygmunt Bauman), certas palavras (de ordem) são elevadas&amp;nbsp;à dignidade de um verdadeiro &lt;em&gt;fetiche. &lt;/em&gt;A "avaliação" tornou-se numa dessas palavras: a promessa de &lt;em&gt;solidez &lt;/em&gt;num mundo liquefeito, volátil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que as palavras, aquilo que é dito tem peso e produz efeitos no real, não deixa de ser verdade. A prova mais recente, em particular para nós, portugeses - mas não só, como demonstra a atenção da cadeia de televisão americana CNN ao assunto durante o dia de ontem - foi a decisão entretanto tomada pela agência de rating Fitch de baixar a nota da dívida de Portugal. O nosso país ( e não só) parecem estar suspensos, amarrados a essa avaliação, como se de repente nos estivesse a faltar o ar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a avaliação não é apenas a que vem de fora, é também a que se implementa, que tem servido de &lt;em&gt;leitmotiv&lt;/em&gt;, de tema recorrente das políticas governativas nos últimos anos. Em particular no domínio da educação (porventura a sua face mais visível, mediática, embora ela tenda a alargar-se a todos os domínios, no limite a todos os portugueses). Diz-se que é preciso "qualificar" e "avaliar" os portugueses. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em nome do imperativo da "qualificação dos portugueses", foi criado o programa Novas Oportunidades (um belo nome, sem dúvida!) que consiste, resumidamente, na "desqualificação" dos professores (passando estes a ser designados como "formadores" que se limitam a "reconhecer" e/ou "validar" "competências") e na "qualificação" dos "formandos" (ou candidatos), por meio de um "processo formativo" baseado essencialmente numa "história de vida", a moldar de acordo com um "Referencial de competências-chave",&amp;nbsp;segundo um&amp;nbsp;ritmo pré-fabricado admistrativamente em que o tempo singular de cada um não tem a mínima importância. Tudo isto muito bem supervisionado, acompanhado, monitorizado e&amp;nbsp;avaliado constantemente por meio de um conjunto de intervenientes e procedimentos que não lembram ao diabo (ou apenas lembrariam ao diabo!) e assentes numa carga burocrática da qual se pode dizer, no mínimo, que é um "processo" &lt;em&gt;kafkiano,&lt;/em&gt; ou um pesadelo à George Orwell...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para quê tudo isto? Para garantir a transparência, a &lt;em&gt;solidez...&lt;/em&gt;de um processo que tende a minar, a &lt;em&gt;liquefazer&lt;/em&gt; os elos sociais (professor-aluno, por exemplo) que sustentavam o ensino-aprendizagem na escola das &lt;em&gt;velhas oportunidades&lt;/em&gt;? E não se pense que esta questão diz apenas respeito (como se fosse unicamente um problema de &lt;em&gt;alguns&lt;/em&gt;) ao Ensino Secundário. Em nome da "qualificação dos portugueses" e de fazer entrar nas universidades os chamados "novos públicos", um programa que começou pelo Básico e se alargou ao Secundário,&amp;nbsp;estende-se agora à Universidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E qual é o problema, dir-se-ia, desde que o processo seja bem acompanhado, monitorizado e avaliado? O acesso à universidade por parte de novos públicos e estudantes&amp;nbsp; não parece constituir,&amp;nbsp;em si mesmo, um facto negativo. Nem sequer a entrada de estudantes menos preparados constitui um problema de maior,&amp;nbsp; uma vez que os docentes têm sempre a possibilidade de os reprovar... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, "a necessidade de financiamento pela via orçamental incentiva as universidades não só a admitir muitos estudantes, como também a conceder-lhes o grau de licenciatura no prazo legal. Por isso, os docentes são cada vez mais pressionados pelas instituições a passar os alunos. Na avaliação a que, a partir de agora, serão sujeitos os professores universitários, a taxa de sucesso dos alunos é crucial. Os professores que não apresentarem altas taxas de aprovação dos seus alunos serão admoestados e prejudicados na sua carreira" (Cf. João Cardosos Rosas, "A Universidade em saldo", &lt;em&gt;Jornal i, &lt;/em&gt;25 Março 2010, p. 3).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Avaliação: fetiche ou impostura? Uma pseudociência -recoberta de sólida retórica - para fazer face à &lt;em&gt;modernidade líquida&lt;/em&gt;?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se a avaliação fosse verdadeiramente eficaz e cumprisse o que promete, não teria já "chumbado" de vez&amp;nbsp;muitas das políticas (em particular no domínio da educação) que nos têm governado nos últimos anos? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E agora que&amp;nbsp;o chamado&amp;nbsp;&lt;em&gt;bullying&amp;nbsp; &lt;/em&gt;está igualmente na ordem do dia&lt;em&gt;&amp;nbsp;- &lt;/em&gt;bem como os suicídios a ele associados - não seria de bom tom começar a interrogar em que medida a "ideologia" da avaliação não vai cada vez mais promover a "violência" (contra os outros e contra si mesmos)&amp;nbsp;e as &lt;em&gt;passagens ao acto&lt;/em&gt;?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como dizia, em 2004, o psicanalista Jacques-Alain Miller, "não há clínica do sujeito sem clínica da civilização". Haverá frase mais actual?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-2911856466371542382?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/2911856466371542382/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=2911856466371542382' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2911856466371542382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2911856466371542382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/03/um-novo-fetiche.html' title='Um novo &quot;fetiche&quot;?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S6tO9-cFffI/AAAAAAAAAdA/P1ELDvJGD-Y/s72-c/liquid+modernity2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-1578204238919389021</id><published>2010-03-24T20:16:00.001Z</published><updated>2010-03-24T23:07:37.117Z</updated><title type='text'>De cara lavada!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S6pyvJgiPHI/AAAAAAAAAcg/nL-h6QzZ1LM/s1600/antena+do+campo+freudiano.gif" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" nt="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S6pyvJgiPHI/AAAAAAAAAcg/nL-h6QzZ1LM/s320/antena+do+campo+freudiano.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O sítio da &lt;a href="http://acfportugal.com/"&gt;Antena do Campo Freudiano&lt;/a&gt; está de cara lavada: mais limpo&amp;nbsp;e agradável à vista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Antena do Campo Freudiano (ACF) de Portugal é uma associação científica, técnica e profissional, sem fins lucrativos e com personalidade jurídica. Sob a égide da Associação Mundial de Psicanálise (AMP) e enquanto Grupo da Nova Escola Lacaniana (NLS) ela orienta aqueles que querem, no campo aberto por Freud, prosseguir com Lacan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tal, ela desdobra a sua actividade num conjunto de vertentes que vem animando desde há vários anos: grupos de trabalho ("cartéis", na terminologia lacaniana), um Centro de Estudos de Psicanálise (CEP), jornadas anuais, colóquios diversos, publicação de livros e revistas, um Seminário que decorre semanalmente, várias colaborações internacionais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma aposta está ganha de antemão, mas - como dizia Pascal - é preciso apostar, na medida em que estamos embarcados. É o que tem acontecido a alguns desejos decididos nos últimos anos, apesar das muitas adversidades e resistências que o ensino de Lacan (ainda) suscita em Portugal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-1578204238919389021?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/1578204238919389021/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=1578204238919389021' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1578204238919389021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1578204238919389021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/03/de-cara-lavada.html' title='De cara lavada!'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S6pyvJgiPHI/AAAAAAAAAcg/nL-h6QzZ1LM/s72-c/antena+do+campo+freudiano.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-4752529904333516411</id><published>2010-03-19T15:31:00.004Z</published><updated>2010-03-24T17:48:12.531Z</updated><title type='text'>Vigiar e prevenir</title><content type='html'>Na&amp;nbsp;sequência de casos de violência, &amp;nbsp;física e psicológica (bullying) ocorridos em escolas portuguesas nos últimos tempos (supostamente na origem de passagens ao acto suicidas por parte de um aluno e de um professor, segundo o que tem sido notíciado), todas as vozes (inclusivamente aquelas que outrora&amp;nbsp;se calaram ou,&amp;nbsp; pior ainda,&amp;nbsp;deram o seu&amp;nbsp;&lt;em&gt;Ámen&lt;/em&gt; a um&amp;nbsp;Estatuto do Aluno que era francamente "laxista" para estes e "punitivo" para os professores), vêm agora clamar: punição! Punam-se os alunos, punam-se os pais dos alunos, puna-se toda a gente, se for o caso! É preciso acabar com a violência nas escolas! E quem discorda? (O caso foi hoje discutido na Assembleia da República). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a punição é um último recurso; por isso, há cada vez mais&amp;nbsp;quem defenda&amp;nbsp;que a resposta está sobretudo na&amp;nbsp;"prevenção". É preciso "prevenir"!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há prevenção sem "previsão". Por isso, é previso "pre-ver": ver antes, com antecedência. Vigiar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis a nova "palavra-de-ordem": PREVENÇÃO! Isso pode ir muito longe: desde antes do nascimento até depois da morte. Entrámos definitivamente, e a todo o vapor, na "civilização do olhar". Vigiar (isto é, prever) para&amp;nbsp; prevenir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pôr a sociedade sob vigilância faz com que toda a gente se torne progressivamente vigilante de toda a gente, e de si mesma. Se o mal está em mim, o "chui (flic) também. É preciso que eu me vigie. Culpado e vigilante, assim será o sujeito da civilização do olhar&lt;/em&gt; (Cf. , Gérard, Wajcman, &lt;em&gt;L'oeil absolu&lt;/em&gt;, p. 103). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor é ficar, desde já, PREVENIDO!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-4752529904333516411?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/4752529904333516411/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=4752529904333516411' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4752529904333516411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4752529904333516411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/03/vigiar-e-prevenir.html' title='Vigiar e prevenir'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-2592041190470225184</id><published>2010-03-11T16:58:00.004Z</published><updated>2010-03-11T22:18:56.154Z</updated><title type='text'>Elogio da sombra</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;Em "&lt;a href="http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/02/fazer-se-olhar.html"&gt;O Olho Absoluto&lt;/a&gt;", um admirável ensaio do escritor e psicanalista Gérard Wajcman&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;sobre a "civilização do olhar", há um capítulo dedicado ao "elogio da sombra". Este curioso título evoca um outro admirável livro, do escritor japonês Junichiro Tanizaki, sobre a importância da sombra e dos seus efeitos na estética tradicional japonesa. Opõe-se aqui uma estética e uma cultura da luz (ocidental) a uma estética e uma cultura da sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na "sociedade da transparência" em que vivemos, onde tudo devém sujeito ou objecto do olhar e onde o imperativo da "visibilidade absoluta" exige que nada do que é exterior ou interior escape ao raio da "iluminação" (até para os mortos se exige agora uma "autópsia psicológica", pois se deve ver tudo, saber tudo, dissecar tudo...até já não restar nada da &lt;i&gt;subjectividade&amp;nbsp;&lt;/i&gt;) poderá este "elogio da sombra", vindo de um Japão anterior ao fascínio pelo ocidente (1933) iluminar, de alguma forma, o momento sombrio que atravessamos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traduzo o que diz Gérard Wajcman (L'Oeil absolu, Éditions Denoël, 2010, pp. 50-51) sobre o assunto :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;"Em breve se irá no encalço das sombras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;Restaurar os direitos da obscuridade é o que está em jogo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;Nunca havemos de reler suficientemente o admirável &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;Elogio da sombra&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt; de Junichiro Tanizaki (1933). Este formidável escritor fala aí do amor, do seu amor pela sombra, do lugar e das funções da sombra na arte de viver japonesa. Eis um mundo em que harmonizar-se com a sombra constitui um modo de ser e de pensar e acima de tudo o móbil de uma intensa emoção estética. É também uma posição ética orientada pelo real e não por ideais transcendentes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;É, portanto, hoje, para nós, uma posição política.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;Repete-se que o Japão é um mundo outro, povoado de signos misteriosos, estranhos e estrangeiros ao nosso, onde o gosto pela luz nos afasta do canto de amor pela sombra. Na verdade, quando se lê Tanizaki, compreendemos como tudo isso é idiota. Que o Japão é como aqui, que os japoneses são tal como nós, tão semelhantes e singulares como nós e que a sua relação com a sombra não tem nada de estranho ou exótico - apenas magnífico. E que se queremos compreender algo do que se passa em nossos nossos países é urgente ler o admirável elogio da sombra de Junichiro Tanizaki".&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #990000;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Cultivar a sombra: eis uma nova proposta para o século XXI!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-2592041190470225184?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/2592041190470225184/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=2592041190470225184' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2592041190470225184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2592041190470225184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/03/elogio-da-sombra.html' title='Elogio da sombra'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-1024318715658662918</id><published>2010-03-04T17:41:00.001Z</published><updated>2010-03-04T17:42:05.268Z</updated><title type='text'>A hora do crepúsculo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S4_wtiX8B0I/AAAAAAAAAcI/qUKkYhEvI18/s1600-h/freud.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S4_wtiX8B0I/AAAAAAAAAcI/qUKkYhEvI18/s200/freud.jpg" width="193" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Dizia Clarice Lispector, numa bela expressão, que o crepúsculo é a hora de ninguém (Cf. &lt;i&gt;A Hora da Estrela&lt;/i&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconheço se o filósofo Michel Onfray já leu alguma vez Clarice, mas sei com toda a&amp;nbsp;segurança&amp;nbsp;que leu bastante Nietzsche, o criador da expressão: "crepúsculo dos ídolos". De tal forma que decidiu intitular o seu último livro, a sair em breve: "&lt;a href="http://www.amazon.fr/cr%C3%A9puscule-dune-idole-Michel-Onfray/dp/2246769310"&gt;O crepúsculo de um ídolo. A efabulação freudiana&lt;/a&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na apresentação que faz do seu livro, num dossiê consagrado A Freud (&lt;a href="http://www.journaux.fr/revue.php?id=85291&amp;amp;abo=1"&gt;Lire, Março 2010, pp. 32-49&lt;/a&gt;), o autor começa por desfiar uma série de acusações relativamente ao inventor da psicanálise, todas elas começadas por "se" (se Freud isto, se Freud aquilo) para concluir do seguinte modo: "então, como explicar o sucesso de Freud, do freudismo e da psicanálise durante um século?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Freud isto e aquilo, como explicar que ele permaneça tão vivo, a ponto de continuar a desencadear tamanhas paixões? Os mortos não são (geralmente) atacados, a não ser em caso de vandalismo, não é verdade? E Freud não pára de fazer comichão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que há erros na obra (o próprio Freud, acusado por Michel Onfray de desonestidade, o reconhece), avanços e recuos no método (é próprio de tudo o que começa) ou contradições no homem (Freud) não deixa de ser verdade e já foi, por muitas vezes, denunciado. Mas aquele que estiver livre de contradições que atire a primeira pedra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, o que é um pensamento livre de contradição? Não será o sonho de muitos filósofos, por exemplo, ao longo da história da filosofia: um saber absoluto, sem falha e sem resto, fechado sobre si mesmo? Nesse caso, bem aventuradas as contradições freudianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só os mortos não são contraditórios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-1024318715658662918?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/1024318715658662918/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=1024318715658662918' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1024318715658662918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1024318715658662918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/03/hora-do-crepusculo.html' title='A hora do crepúsculo'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S4_wtiX8B0I/AAAAAAAAAcI/qUKkYhEvI18/s72-c/freud.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-1941077194230346148</id><published>2010-03-03T23:04:00.005Z</published><updated>2010-03-04T00:59:20.868Z</updated><title type='text'>(Des)acordo ortográfico?</title><content type='html'>Se o "inconsciente está estruturado como uma linguagem" (Lacan) e se as linhas com que se cose o destino do ser falado e falante também são as da língua (lalangue), então quando se procede a&lt;a href="http://ciberduvidas.sapo.pt/articles.php?rid=1507"&gt; alterações orto-gráficas&lt;/a&gt;, como é o caso, tal não pode deixar de ter consequências para esse mesmo ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A língua é uma coisa viva e não há, por isso, que lamentar as "alterações". Elas acabam por acontecer de um modo ou de outro, com ou sem "&lt;a href="http://aeiou.visao.pt/guia-pratico-para-perceber-o-acordo-ortografico=f543282"&gt;acordo&lt;/a&gt;".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que uma língua não é feita unicamente para "comunicar", mas também e, fundamentalmente, para atrapalhar, enredar, provocar equívocos e mal-entendidos. E nenhum "acordo" orto-gráfico vai conseguir, alguma vez, "endireitar" a língua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda bem, pois o que seria, por exemplo, da "piada", do dito espirituoso se o equívoco desaparecesse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não há que temer: com ou sem acordo, o mal-entendido vai continuar!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-1941077194230346148?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/1941077194230346148/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=1941077194230346148' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1941077194230346148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/1941077194230346148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/03/desacordo-ortografico.html' title='(Des)acordo ortográfico?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-733316458161611432</id><published>2010-03-01T00:06:00.005Z</published><updated>2010-03-01T14:38:58.512Z</updated><title type='text'>Um homem sério</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S4sE_YGhC6I/AAAAAAAAAcA/dFfZWVmaqxY/s1600-h/A-Serious-Man-poster.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S4sE_YGhC6I/AAAAAAAAAcA/dFfZWVmaqxY/s320/A-Serious-Man-poster.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;No último filme dos irmãos Coen, "&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=qZW-x-soEpk"&gt;A Serious Man&lt;/a&gt;", há um estudante universitário que tenta subornar o seu professor de física (Larry Gopnik), que o acabara de chumbar na respectiva cadeira. Como "homem sério" que é, Larry Gopnik não aceita o suborno; em vez disso, tenta explicar ao aluno a razão pela qual o chumbou: ele não domina a matemática e sem esta não é possível avançar na física.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lição de Galileu: se o universo está escrito em caracteres matemáticos, mais do que "compreendê-lo", de buscar um "sentido" para ele, importa saber escrever, equacionar, reduzi-lo à fórmula matemática. Mesmo se Larry Gopnik desenha no quadro negro dois gatos (Schrödinger) para ilustrar o famoso "princípio de incerteza", ele explica ao referido aluno que o essencial não é isso, &amp;nbsp;mas antes a possibilidade de tratar a "incerteza" por meio da "escrita" matemática. Uma das imagens impressionantes do filme mostra, precisamente, o quadro negro completamente coberto de letras, de fórmulas matemáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, o que faz Larry Gopnik quando a sua mulher pede o divórcio e toda a sua vida começa literalmente a desmoronar, sem razão aparente, como se o céu e a terra conspirassem contra ele? O mesmo que toda a gente: busca um sentido, uma razão para aquilo, junto de quem é suposto-saber: no caso, recorrendo a três rabinos. Para um homem formado na ciência mais exacta (apesar de o "princípio da incerteza" parecer sugerir outra coisa), na "racionalidade" mais exigente, aquilo que lhe acontece é causa de grande perturbação, uma vez que parece ser rebelde a toda e qualquer lógica "causal", não existindo aparentemente nenhuma "razão" que o justifique. Para quem defendia junto do aluno que o tentou subornar que as nossas acções têm consequências, nada na acção de Gopnik parece justificar uma tal consequência.&amp;nbsp;Ele confronta-se aqui com a ilogicidade: nenhuma causa,&amp;nbsp;nenhuma&amp;nbsp;razão suficiente. Tal como Job, a famosa personagem bíblica, ele parece ser "castigado" por um crime que não cometeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, tal como veio, sem razão, aquilo que lhe acontece também se foi. Sem razão. Como se, na (i)lógica da vida, nem tudo fosse escrito ou pudesse ser escrito previamente ou de uma vez por todas. Mesmo que não se pare de sonhar com isso, que cada qual vá forjando um sonho para si mesmo. Um sonho de que que a vida - ou os "pesadelos", como acontece no filme - se encarrega de nos&amp;nbsp;despertar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-733316458161611432?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/733316458161611432/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=733316458161611432' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/733316458161611432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/733316458161611432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/03/um-homem-serio.html' title='Um homem sério'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S4sE_YGhC6I/AAAAAAAAAcA/dFfZWVmaqxY/s72-c/A-Serious-Man-poster.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-4746907551989635650</id><published>2010-02-26T18:08:00.018Z</published><updated>2010-03-01T14:47:13.313Z</updated><title type='text'>A coisa vai continuar a aquecer...</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S4gtxM416fI/AAAAAAAAAb4/aB4HjFcwa_Q/s1600-h/aquecimento+global.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; cssfloat: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="176" kt="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S4gtxM416fI/AAAAAAAAAb4/aB4HjFcwa_Q/s320/aquecimento+global.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Há alguns anos, dois cientistas de renome (&lt;a href="http://www.wook.pt/product/facets?palavras=imposturas+intelectuais"&gt;Alain Sokal e Jean Bricmont&lt;/a&gt;) propuseram-se denunciar uma série de "imposturas intelectuais", isto é, de erros, abusos ou mistificações de conceitos científicos, provenientes em particular da física e da matemática, por parte de conhecidos intelectuais franceses (filósofos, sociólogos, psicanalistas...) com grande sucesso e acolhimento nalgumas universidades americanas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rastilho da bomba que então explodiu&amp;nbsp;foi ateado&amp;nbsp;na Primavera de 1996, quando uma conceituada revista americana - a &lt;em&gt;Social Text &lt;/em&gt;- publicou um artigo com o título: "Transgredir as fronteiras: rumo a uma hermenêutica transformativa da gravitação quântica". Em breve, a citada revista teve de reconhecer que o artigo em causa era, afinal, uma paródia, uma sátira forjada pelo próprio Sokal para denunciar as diversas extrapolações abusivas das ciências exactas&amp;nbsp;levadas a cabo, nomeadamente, por um certo ""pós-modernismo" " que tende a "relativizar" o valor da objectividade científica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos, portanto, de um lado, a objectividade da ciência e a honestidade dos cientistas dessa área; do outro, a impostura e a desonestidade intelectual dos demais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta ideia está de tal modo enraizada, disseminada que ninguém se atreve hoje a contestar uma informação quando ela se apresenta com o selo de garantia da ciência "exacta".&amp;nbsp;Os próprios "abusos" denunciados por Alain Sokal e Jean Bricmont&amp;nbsp;seriam porventura inconcebíveis se a ciência não desse uma tal garantia. Ela atrai, serve de referência a todos aqueles que pretendem revestir de "objectividade", de "cientificidade" os seus procedimentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um lado, portanto, a objectividade da ciência exacta; do outro, a impostura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era isto, pelo menos, o que rezava a história até há alguns meses atrás quando alguns&amp;nbsp;&lt;em&gt;hackers&lt;/em&gt; conseguiram ter acesso&amp;nbsp;a uma série de e-mails trocados entre importantes cientistas de uma prestigiada universidade inglesa (East Anglia) onde funciona um dos mais reputados centros de investigação do mundo sobre "alterações climáticas". Os e-mails em causa mostravam que os cientistas em questão manipularam dados para reforçar o seu argumento de que o famigerado "aquecimento global" é um facto inconstestável e é causado pela acção humana. O que tem servido, muitas vezes, para instigar uma certa ecologia "desumanizada"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contra tais argumentos...não há factos! Sobretudo quando os argumentos têm selo de garantia da ciência exacta! Isso permitiu, durante anos, escamotear, manipular e falsear toda uma série de dados sobre o "aquecimento global",&amp;nbsp;&amp;nbsp;impedindo&amp;nbsp; nomeadamente&amp;nbsp;a publicação de outros argumentos em sentido contrário nas revistas científicas de prestígio internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que vamos assistir, em breve, a uma nova edição do livro de Sokal e Bricmont (Imposturas Intelectuais - Parte II), agora incidindo sobre os "abusos" no domínio da sacrossanta ciência "exacta", levada a cabo por reputados e honestos cientistas? Será esta a prova de que os cientistas, mesmo quando são "exactos", nem sempre dizem "toda a verdade"? Aliás, dizer "toda" a verdade é impossível por estrutura ao ser falante. E os cientistas, por mais que tentem reduzir o real à letra (para aquém ou além do afecto) também são "afectados" por outros discursos e interesses (para aquém ou além da ciência).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queiramos ou não, o mundo está mesmo a aquecer!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-4746907551989635650?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/4746907551989635650/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=4746907551989635650' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4746907551989635650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/4746907551989635650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/02/coisa-continua-aquecer.html' title='A coisa vai continuar a aquecer...'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S4gtxM416fI/AAAAAAAAAb4/aB4HjFcwa_Q/s72-c/aquecimento+global.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-7979685958898345696</id><published>2010-02-19T12:05:00.005Z</published><updated>2010-02-19T15:53:32.783Z</updated><title type='text'>Fazer-se olhar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S3596RxBa9I/AAAAAAAAAbg/cTOmG7_9Zs8/s1600-h/olho+absoluto.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S3596RxBa9I/AAAAAAAAAbg/cTOmG7_9Zs8/s320/olho+absoluto.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;O que aconteceu à deflação da palavra (já ninguém dá a &lt;i&gt;sua palavra&lt;/i&gt;) no nosso tempo? Proponho: a &lt;i&gt;inflação do&amp;nbsp;&lt;/i&gt;olhar. Vivemos numa "civilização do olhar" (Gérard Wajcman)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo devém objecto de "olhar" desde o mais íntimo e privado até ao mais público: a videovigilância, a imagiologia cerebral, a tele-realidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inumeráveis dispositivos que visam tornar-nos completamente visíveis e transparentes. E cada um de nós participa activamente, festivamente, nessa desocultação da face e da alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciência e a técnica fabricam novos deuses omnividentes (após a "morte de Deus"), um novo Argos dotado de milhões de olhos que nunca dormem. Outrora, apenas os criminosos eram objecto de vigilância, hoje somos todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "olhar global" infiltra cada pedacinho da nossa existência, do nascimento à morte. Novas ferramentas são criadas todos os dias para que cada um saiba o que todos os outros andam a fazer: &lt;i&gt;facebook, twitter, buzz, &lt;/i&gt;etc., etc.etc. Tudo visível, tudo registável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ver é uma arma de poder, então cada um de nós participa neste novo poder do "&lt;a href="http://720plan.ovh.net/~causefre/peel/achat/produit_details.php?id=395&amp;amp;catid="&gt;olho absoluto&lt;/a&gt;".&amp;nbsp;Uma nova ideologia do "hipervisível".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como resistir a tal uma omnivisão se cada um de nós é cada vez mais sujeito, como diria Étienne de La Boétie, a uma "servidão voluntária"?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-7979685958898345696?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/7979685958898345696/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=7979685958898345696' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/7979685958898345696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/7979685958898345696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/02/fazer-se-olhar.html' title='Fazer-se olhar'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S3596RxBa9I/AAAAAAAAAbg/cTOmG7_9Zs8/s72-c/olho+absoluto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-2106302606077944064</id><published>2010-02-11T18:50:00.000Z</published><updated>2010-02-11T18:50:36.526Z</updated><title type='text'>Quem é Michel Onfray?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S3RRVPnYTrI/AAAAAAAAAbY/tynnXCnYQmc/s1600-h/michelonfray.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S3RRVPnYTrI/AAAAAAAAAbY/tynnXCnYQmc/s200/michelonfray.jpg" width="192" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Um filósofo contemporâneo. Vivo. Jovem. Tem apenas 51 anos, salvo erro. É talvez um dos filósofos mais lidos de França, um país onde ainda se lê...filosofia. Há mesmo revistas de filosofia que se vendem em quiosques. Procurei por todo o lado, em Portugal, mais concretamente em Lisboa, em busca de uma delas (Philosophie Magazine) e só encontrei Playboy, Maxmen e outras que tais em grandes quantidades. Não está mal... e tem, aliás, algo a ver com este filósofo jovem, hedonista, libertário e defensor de um "erotismo solar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que esta personagem me é de alguma forma simpática. Habituado a um país de "fado" e "fadistas" (de fatalistas de toda a laia), cantando a eterna&amp;nbsp;ladainha&amp;nbsp;do sofrimento, do ressentimento, da vitimização - tudo nos serve para chorar, lamentar e descrer de nós -, do "sacrifício" (agora erigido, por alguns políticos, em nova religião nacional), é bom saber que há alguém que se propõe afirmar a vida (à maneira de Nietzsche), "desteologizar" e "descristianizar" a existência (no que ela tem de paixão pelo "valor" do sofrimento) e de empreender uma crítica a toda a "razão dietética"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, para o bem ou para o mal, ele teve de "esculpir-se" a si próprio, não herdando (quase) nada para além de uma história que parecia ter todos os condimentos para não não dar certo (tal a série de abandonos sucessivos: a avó que abandona a mãe, a mãe que o abandona a ele...num orfanato dirigido por padres salesianos, onde viveu, ou "morreu", segundo conta, quatro anos de Inferno)...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar disso - quem o diz é o próprio - a filosofia salvou-o, permitindo-lhe viver. A filosofia que recupera aqui o sua vertente prática "terapêutica", como meio para viver...melhor, antes de se transformar numa especulação demasiadamente abstracta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que Michel Onfray se propõe recuperar muitos dos filósofos "abandonados" pela história oficial da filosofia, propondo uma "contra-filosofia" (Cf. La Puissance d'exister, Grasset, 2006). Uma filosofia do avesso, por assim dizer. Levantando do chão, como diria Saramago, todos aqueles que a tradição filosófica (de Platão a Heidegger) deixou cair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para isso, criou sozinho uma Universidade Popular: livre, aberta a todos, sem burocracias (ai de nós, atolados cada vez mais em normas, legislações, avaliações...), sem elitismos balofos, movida tão pelo pelo "gosto" (também no sentido culinário do termo, ele que escreveu um livro que se chama: "A razão gulosa - filosofia do gosto"); enfim, um lugar onde reina o prazer e a&amp;nbsp;descontracção.&amp;nbsp;É isso possível? Michel Onfray mostrou, ao longo de mais de dez anos, que (pelo menos em França) é ainda possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, dá gosto ler um autor que escreve muito (mais de trinta livros em poucos anos), mas sempre com uma agilidade, uma frescura assinaláveis. Dá vontade de ler, de voltar a ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, este filósofo propôs-se recentemente, no curso da sua Universidade Popular, tomar Freud como o seu inimigo e desmontar as suas ideias. Confesso que fiquei algo desiludido ao ler alguns dos argumentos que ele desfiou na seu debate com o psicanalista Jacques-Alain Miller: dizer que Freud era "cocainómano", por exemplo, não tem novidade e é irrelevante; além disso, Freud não esperou que viessem os críticos denunciar os seus "erros", pois ele foi o primeiro a reconhecer grande parte deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sou mais sensível à denúncia de um certo pessimismo (alicerçado, por exemplo, na "Pulsão de morte") que parece emanar da obra de Freud. Como se a cultura do "sofrimento" (o "cristianismo" do sofrimento) continuasse a laborar, por outros meios, na teoria e na prática freudianas. Desse ponto de vista, ante o projecto de "descristianização" da &amp;nbsp;vida e da existência, não deixa de haver aqui uma certa coerência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo isto em nome de quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pude deixar de estremecer ao ler a seguinte frase no seu livro "La puissance d'exister": "(...) a conclusão impõe-se: nós somos o nosso cérebro" (p. 239). Mais arrepiado fiquei quando percebi que ele era, finalmente, um dos adeptos do &lt;i&gt;Livro Negro da Psicanálise &lt;/i&gt;(Éditions les Arènes), apesar de não estar de acordo com muitas coisas que aí se diziam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será este o desfecho de uma filosofia que se pretende libertária, hedonista, descristianizada: a rasura da "singularidade"&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;em nome dos novos imperativos generalistas, uniformizadores? A ser assim, como dizia Clotilde Leguil numa "Carta aberta a Michel Onfray" (Le Nouvel Âne, nº 10, pp. 36-39): "a psicanálise - essa mesma que Freud inventou - não se tornará jamais a regra, visto que, por natureza, ela é feita para convidar cada um a não renunciar a ser uma excepção."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-2106302606077944064?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/2106302606077944064/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=2106302606077944064' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2106302606077944064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/2106302606077944064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/02/quem-e-michel-onfray.html' title='Quem é Michel Onfray?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S3RRVPnYTrI/AAAAAAAAAbY/tynnXCnYQmc/s72-c/michelonfray.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-3260762047619124484</id><published>2010-02-05T13:30:00.001Z</published><updated>2010-02-05T13:39:30.572Z</updated><title type='text'>Uma nova era?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S2wbnOvnP0I/AAAAAAAAAbQ/_p11Nx4igcs/s1600-h/lacan-freud.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S2wbnOvnP0I/AAAAAAAAAbQ/_p11Nx4igcs/s320/lacan-freud.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A psicanálise sempre foi objecto, praticamente desde o seu início, de uma série de críticas e objecções; hoje, porém, estas assumem um carácter massivo e que sobe de tom a cada dia que passa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê atacar Freud e a psicanálise com tal virulência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haverá com certeza inúmeras e bem fundadas razões para que tal aconteça: umas de natureza epistemológica (invocando que ela não é ciência), outras religiosa (visto que contribuiu, com a sua quota-parte, para a dessacralização do mundo e da sexualidade), outras, enfim, de natureza "terapêutica" (apelando aos erros ou à ineficácia do seu método).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acrescentaria a estas razões (cada uma delas com a sua parcela de verdade) uma outra, digamos, de natureza ao mesmo tempo social e subjectiva: numa era de &lt;i&gt;desculpabilização &lt;/i&gt;generalizada, a psicanálise é tida, por muitos, como um dos últimos redutos da culpa, da culpabilidade, da culpabilização, da responsabilização dos sujeito por aquilo que de mal lhe acontece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso, talvez, que algumas terapias (cognitivas e comportamentais, por exemplo) e algumas ciências (genética,&amp;nbsp;neuro-biologia...), aliviando o sujeito do peso da &lt;i&gt;subjectividade &lt;/i&gt;em prol dos comportamentos, dos genes e dos neurónios, parecem tão ao gosto do tempo. Perante a angústia do &lt;i&gt;real, &lt;/i&gt;a deslocalização da culpa para a máquina biológica, por exemplo, tranquiliza provisoriamente o indivíduo, aliviando-o do fardo de ter de escolher ou de lidar &lt;i&gt;singularmente &lt;/i&gt;com as escolhas (mais ou menos forçadas) da sua existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo de libertador - um certo ganho, por que não dizer? - em semelhante postura. Tal como acontece num outro domínio com grande adesão nos tempos que correm, o sujeito sente-se por assim dizer mais leve, mais &lt;i&gt;zen...&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Mas a que preço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liberto da &lt;i&gt;subjectividade&lt;/i&gt;, isto é, da sua maneira singular de fazer face, de haver-se com o real, o indivíduo estará cada vez mais &lt;i&gt;sujeito&lt;/i&gt;&amp;nbsp;a respostas formatadas para perguntas pré-definidas. Não será livre de questionar a própria pergunta, a forma e a substância da mesma, mas apenas a adequar-se à questão já formulada. A dar a "boa" resposta; a ser corrigido em caso contrário. Respostas inesperadas, imprevisíveis, ou que não cabem nos parâmetros e&amp;nbsp;itens previamente definidos, serão consideradas erradas ou, simplesmente, a descartar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrámos a todo o vapor na era do questionário e da grelha, pelas quais todos os nossos comportamentos (do público ao privado) serão avaliados de agora em diante. O estreitamente do mundo, da vida, das possibilidades...parece inevitável. Chegará uma altura em que as próprias exigências e reivindicações dos indivíduos (se é que já não chegámos aí) se &lt;i&gt;conformarão &lt;/i&gt;voluntariamente a tais grelhas e&amp;nbsp;parâmetros. Como entender, por exemplo, a recente manifestação dos estudantes do ensino secundário exigindo, entre outras coisas, &lt;i&gt;educação &lt;/i&gt;sexual nas escolas? Perante a angústia do real sexual, terreno de encontros e desencontros, prazeres e desprazeres, será que eles exigem a &lt;i&gt;boa&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(e finalmente única ou &lt;i&gt;uniformizada) &lt;/i&gt;resposta? A resposta que lhes dirá, finalmente, como fazer amor de modo salutar, seguro, sem risco, tudo muito bem empacotado, para o bem se si próprios e dos outros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta a cada um saber se quer alinhar - ou de que modo quer alinhar, inscrever-se - num tal dispositivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou talvez nem isso reste, a ser verdade, como se diz por vezes, que o sujeito não é responsável pela sua existência, uma vez que é a máquina biológica que o comanda, que o decide, que faz por ele as suas escolhas vitais e existenciais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-3260762047619124484?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/3260762047619124484/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=3260762047619124484' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3260762047619124484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/3260762047619124484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/02/uma-nova-era.html' title='Uma nova era?'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S2wbnOvnP0I/AAAAAAAAAbQ/_p11Nx4igcs/s72-c/lacan-freud.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10037512.post-448169244428907567</id><published>2010-02-04T16:17:00.003Z</published><updated>2010-02-04T22:25:48.674Z</updated><title type='text'>Na ordem do dia</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S2rzBjiJk1I/AAAAAAAAAbI/GJHHprfI7g0/s1600-h/LNA.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S2rzBjiJk1I/AAAAAAAAAbI/GJHHprfI7g0/s320/LNA.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;A avaliação está na ORDEM do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É já neste próximo Domingo que terá lugar, em Paris, um encontro sobre o tema: &lt;i&gt;Évaluer tue.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paralelamente, o nº 10 da revista "Le Nouvel Âne" faz-se inteiramente eco desta questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível, desde já, aceder ao &lt;a href="http://forumpsy.wordpress.com/2010/01/20/editorial-dagnes-aflalo-lna-n%C2%B010/"&gt;Editorial &lt;/a&gt;da revista, escrito por Agnès Aflalo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui fica um excerto:&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Lucida Grande', Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px;"&gt;“La&amp;nbsp; culture de l’évaluation repose sur l’idée simple qu’il n’y a&amp;nbsp; presque pas de différence entre l’humain et l’objet. Simple&amp;nbsp; question de qualité à chiffrer. La qualité est alors devenue le&amp;nbsp; maître-mot au nom duquel la traque des vivants a commencé,&amp;nbsp; car la qualité, qui fait la différence, c’est la vie elle-même.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Lucida Grande', Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Lucida Grande', Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px;"&gt;É uma questão que interessa a todos, mesmo que apenas alguns pareçam interessados nela&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Lucida Grande', Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 12px; line-height: 19px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Lucida Grande', Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 12px; line-height: 19px;"&gt;Pode &lt;a href="http://www.ecf-echoppe.com/"&gt;encomendar&lt;/a&gt;-se a revista directamente por Internet.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10037512-448169244428907567?l=naoseiquediga.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/feeds/448169244428907567/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10037512&amp;postID=448169244428907567' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/448169244428907567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10037512/posts/default/448169244428907567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://naoseiquediga.blogspot.com/2010/02/na-ordem-do-dia.html' title='Na ordem do dia'/><author><name>Filipe Pereirinha</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11688356147657238576</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Fu-htdBfEXY/S2rzBjiJk1I/AAAAAAAAAbI/GJHHprfI7g0/s72-c/LNA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
